O deserto de Atacama

Mario Luis Martins de Almeida , 20 Junho 2017

O deserto de Atacama

Neste último mês de abril de 2017 eu e minha esposa tivemos a oportunidade de viajar para o Chile e conhecer o deserto de Atacama, que fica situado ao norte daquele país, região também conhecida como “o deserto mais árido do planeta” (significa que chove apenas três vezes ao ano e a água que permite que exista alguma vegetação vem do degelo da Cordilheira dos Andes)!

Nesta região estão localizadas várias belezas naturais, dentre elas os “Gêiseres del Tatio”, as lagoas altiplânicas (onde a concentração de sal é tão grande que podemos tentar mas não conseguiremos afundar ao mergulharmos...), o “Salar de Atacama” (superfície enorme formada por uma camada espessa de sal, proveniente da evaporação do lago de água salgada que existiu ali há milhões de anos e é onde ficam os “flamingos”, uma ave de pernas compridas que habita a região), as “Termas de Puritama” (um córrego de águas transparentes e mornas – entre 25° e 30 ° C – onde podemos “ficar de molho” nas diversas pequenas lagoas que se formam em seu trajeto...), o Vale do Arco-íris, formação rochosa que, devido aos diversos metais de que são compostas, possuem várias colorações, além dos diversos vulcões (um ativo, o “Lascar”, que se pode chegar até sua cratera – 5692 m acima do nível do mar - após uma exaustiva caminhada, morro acima, de mais ou menos umas 3 horas!)

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Gêiseres del Tatio

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Lagoas Altiplânicas

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Salar de Atacama

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Termas de Puritama

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Vale do Arco-íris

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Vulcão Lascar

Para se chegar ao deserto de Atacama a maneira mais prática é voar (Latam ou Sky Airlines), partindo de Santiago do Chile, até a cidade de Calama, situada a 100 Km de San Pedro de Atacama, onde estão localizados os hotéis e pousadas, além dos restaurantes, bares, cafeterias, lojas de artesanatos e souvenires e as agências de viagens. Também é possível viajar de ônibus, carro e, para os mais ousados, de motocicleta (encontramos alguns motoqueiros brasileiros por lá!)...

Chegando ao aeroporto de Calama, o ideal é contratar um serviço de translado “ida e volta”, ou seja, você marca o dia e a hora de eles te pegarem onde estiver hospedado e eles te levam de volta ao aeroporto, para sua viagem de retorno! Há algumas opções de empresas, mas o preço é igual em todas... Outra opção é ir de ônibus, mas não recomendo, pois ele te deixa numa praça em San Pedro e aí você tem que “se virar” para encontrar seu hotel ou pousada, já que é difícil achar um táxi por lá!

A cidade de San Pedro de Atacama é pequena, com uma rua principal, a Caracoles, onde está concentrada a maioria dos restaurantes e agências de viagens, e algumas outras transversais, todas sem pavimentação, deixando um verdadeiro clima de “velho oeste americano”, em minha visão.

Para conhecer as atrações turísticas, o ideal é contratar os serviços de uma agência e, no escritório de turismo do governo, pode-se obter informações sobre os preços dos ingressos dos diversos parques que irá visitar (seniors e estudantes pagam 50% do preço do ingresso!). Há muitos brasileiros trabalhando por lá, principalmente jovens paulistas, que foram passear, se encantaram com o lugar e resolveram ficar por ali mesmo! Para nossa surpresa, segundo um dos guias que contratamos nos disse, estatisticamente a maioria dos turistas que frequenta o Atacama é brasileira e em segundo lugar, francesa!

Gastronomicamente falando, existem bons restaurantes por ali, com opções de pratos locais e também internacionais, além de uns com utilização dos produtos de lá para criar novas preparações com inspiração francesa ou oriental, por exemplo!

Nos passeios para se visitar as atrações é comum que os guias e motoristas das vans contratadas preparem um café da manhã na estrada, já que, normalmente, os dias de passeio iniciam-se bem cedo, partindo dos hotéis e pousadas lá pelas 5 ou 6 horas da manhã! Frutas, iogurtes, café, pães, ovos mexidos, presunto, queijo, bolos e biscoitos fazem parte do cardápio.

Em algumas excursões, o almoço está incluído e em um que nós fomos paramos num restaurantezinho de beira de estrada onde, além de tomarmos o café da manhã (tem chá de coca, também, para aqueles que querem se prevenir contra o “mal da altitude”...), no retorno do passeio paramos para almoçar. Fomos carinhosamente recebidos pelo Chef, que nos apresentou o cardápio: sopa de lentilhas ou de legumes, de entrada, cazuela de pollo (um ensopado de legumes e carne de frango bem apimentado) ou costillas de cerdo asadas com papas (costeletas de porco assadas com batatas) como prato principal.

Em outro passeio, em outro dia, no retorno paramos numa vila habitada por atacamenhos, povo descendente dos primeiros habitantes da região, denominada Machuca, onde provamos churrasquinho de lhamo (é o macho da lhama, a qual não se pode abater: somente os animais machos é que podem ser abatidos...) e empanada de queso de cabra, ambos preparados e comercializados pelos habitantes do local.

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Churrasquinho de Lhamo e Empanada de Queso de Cabra

Em San Pedro, tivemos algumas experiências gastronômicas interessantes, como saborear a “salsa de ají”, que é nada mais nada menos que nosso conhecido “molho vinagrete”, só que preparado com coentro e ají, uma pimenta bem ardida e muito comum por aquelas bandas. Ela vem acompanhada com uns pãezinhos redondos é servida da mesma maneira como estamos acostumados aqui, com o pão e a manteiga como o couvert!

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Salsa de Ají

Também experimentamos um “tabule de quinua” (ou quinoa, como quiserem...), o qual substituiu o triguilho. Estes grãos são famosos, produzidos na região e muito utilizados em outras preparações, como o “falso risoto”. Para lanchar, não dispensávamos uma mega-empanada, preparada e servida no Café Esquina: enorme (dava para dividir...), assada na hora, com diversas opções de recheios saborosíssimos, imperdível!

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Tabule de Quinua

Não posso deixar de citar a “Heladeria Babalu” (Sorveteria Babalu), que fica na rua Caracoles e produz sorvetes artesanais maravilhosos. Provei um de “rica-rica”, uma erva muito aromática, utilizada ainda como planta medicinal em chás e, ainda, o de “algarrobo”, uma frutinha que é bastante usada como fonte de energia e de proteínas.

Há diversas outras opções de preparações tradicionais chilenas, como o “pastel de choclo” (parece muito com nosso “escondidinho”, é assado com milho, frango e carne bovina moída refogada bem temperada e azeitonas picadas), a “chorrillana” (uma porção bem servida de batatas fritas mesclada com variados tipos de carne picadas e também cebola frita, além de ovos fritos lançados por cima de tudo), o “platoparrillero” (um corte de carne bovina, um filé de peito de frango e linguiças grelhados, batatas cozidas, abacate, salada de alface e tomates, molho de queijo), a “pataska” (um guisado apimentado com carne seca, bucho bovino, milho e batatas), a “cazuela” (ensopado preparado com carne bovina ou frango em pedaços, abóbora, espigas de milho, batatas e cenouras), os “porotos granados” (guisado de feijão, abóbora, milho, temperado com pimenta, cebola e manjericão), o “picante de conejo” (pedaços de coelho cozidos com sal e orégano, cenouras, cebola, ovos, pimenta ají, servidos com arroz branco) e, de sobremesa, a “mermelada de zanahoria” (geleia de cenouras!)

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Mega-Empanada

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“Heladeria Babalu” (Sorveteria Babalu)

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Pastel de Choclo

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Chorrillana

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Plato Parrillero

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Pataska

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Cazuela

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Porotos Granados

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Picante de Conejo

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“Mermelada de Zanahoria” (Geleia de Cenouras)

Ainda tivemos o privilégio de experimentar algumas cervejas artesanais locais, sendo que uma delas era preparada com quinua! O sabor do grão não é marcante, mas está presente!

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Cerveja artesanal local preparada com Quinua

Para concluir: apesar da poeira nas ruas de San Pedro de Atacama, apesar da diferença de temperatura, mesmo nesta época do ano (8 °C de madrugada, 26 °C ao meio-dia!), apesar de termos de levantar de madrugada em alguns dias para fazer os passeios, a experiência de visitar esta região é válida e recomendo a todos aqueles que têm, pelo menos um pouco, o espírito aventureiro... Eu e minha esposa já fizemos nossa parte!

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