Treze anos depois, caso Claudiele Effgen terá novo julgamento em Marechal Floriano
Publicado em 19/08/2026 às 15:11
Texto: Bruno Caetano / Fotos: Arquivo familiar
No dia 27 de fevereiro de 2013, Claudiele Effgen saiu de casa para comprar um remédio para a irmã grávida. A filha, Iadni, então com apenas cinco anos, queria acompanhá-la, mas acabou ficando. Foi a última vez que as duas se viram. No caminho, Claudiele foi atropelada por um carro dirigido por Silvana de Freitas Padilha Brito. Quatro dias depois, aos 26 anos, ela morreu no Hospital São Lucas, em Vitória.
A morte mudou a vida da filha de Claudiele, Iadni, que tinha apenas cinco anos quando perdeu a mãe. Hoje, aos 19 anos, ela conta que aprendeu a conviver com a ausência, mas que a saudade continua presente principalmente nos momentos mais simples. “Eu acho que só de você chegar em casa e não ver sua mãe para te dar um abraço depois de um dia muito cansativo, isso pesa muito”, contou.

Mesmo sem a presença da mãe, Iadni diz que procura enxergar Claudiele nas próprias conquistas. A jovem está perto de concluir a faculdade e afirma que gostaria de ter a mãe ao lado para acompanhar cada etapa de sua vida. “Se minha mãe estivesse aqui, ela estaria muito orgulhosa de mim por tudo que eu estou conquistando, com o meu esforço, tanto a faculdade quanto a escola”, afirmou.
Condenação anulada
O caso chegou ao Tribunal do Júri em julho de 2021, oito anos após a morte de Claudiele. Na ocasião, Silvana foi condenada a 18 anos de prisão por homicídio triplamente qualificado.
Após a condenação, a defesa conseguiu o direito de recorrer em liberdade. Silvana chegou a ser encaminhada para uma unidade policial, mas deixou o local menos de 24 horas depois.
Posteriormente, a sessão do Tribunal do Júri foi anulada pela Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Espírito Santo. Segundo o TJES, não havia nos autos o registro do interrogatório da ré realizado durante o julgamento, nem em mídia audiovisual nem em termo escrito. Com a decisão, a sessão e os atos processuais posteriores foram anulados.

A situação fez com que a família voltasse à estaca inicial. Para Iadni, além da espera, o fato de encontrar a acusada em liberdade tornou o processo ainda mais difícil. “Depois de tantos anos, a gente vê que não foi resolvido e dói muito, não só para mim, mas para toda a minha família, principalmente ver ela na rua”, disse.
A filha também relata que chegou a conviver profissionalmente com Silvana, já que as duas famílias tinham relação com o serviço público. “Eu trabalhava com público, e toda a minha família trabalha com público. Eu trabalhava na prefeitura, e ela também. Vê-la lá, para mim, me destruía, mas eu tinha que manter meu profissionalismo e continuar”, relatou.
Defesa sustenta acidente
O advogado Nelson Moreira Junior, que representa Silvana, sustenta que a morte de Claudiele ocorreu em um acidente e não foi provocada de forma intencional. Segundo ele, a defesa considera que o caso deve ser analisado como homicídio culposo, quando não há intenção de matar. “Um acidente é um fato culposo, não é doloso. Foi acidental”, afirmou o advogado.
Nelson também defende a inocência da cliente e argumenta que Silvana possui histórico de vida sem antecedentes e permaneceu trabalhando e vivendo na região durante o andamento do processo.
“É uma pessoa que é funcionária pública, mora e trabalha, cria família na comarca onde os fatos ocorreram, tem a vida limpa. É um fato isolado na vida da Silvana”, declarou. A defesa também pretende pedir que o novo julgamento seja realizado em outra comarca. De acordo com o advogado, a medida busca garantir maior isenção no julgamento.
“Em uma sociedade com uma população muito pequena, a gente vê que quando houve a condenação, uma parte ficou feliz e 24 horas depois, nós conseguimos o habeas corpus, soltou ela, a parte que estava feliz ficou infeliz e a parte da defesa ficou feliz. Então, a gente sabe que a sociedade local está impregnada com isso”, explicou.
Novo júri
Com a anulação da sessão realizada em 2021, o processo retornou para a Vara Única da Comarca de Marechal Floriano. O Tribunal de Justiça do Espírito Santo informou que um novo julgamento pelo Tribunal do Júri foi designado para 17 de novembro de 2026.
O Ministério Público do Espírito Santo informou que, após o reconhecimento da nulidade processual, manifestou-se pelo encaminhamento do caso a um novo julgamento. O órgão também pediu que a nova sessão seja realizada com a maior brevidade possível, considerando o tempo de tramitação do processo e a prioridade legal atribuída aos crimes hediondos.
Para a família, a expectativa é que o novo julgamento finalmente produza uma resposta definitiva. Iadni afirma que não consegue esquecer a mãe e que pretende levar a memória dela para os próximos momentos importantes da vida. A jovem conta que, desde a infância, mantém fotografias e lembranças de Claudiele dentro de casa. “Se ela estivesse aqui para acompanhar cada passo meu, eu acho que estaria muito feliz e orgulhosa da mulher que eu me tornei”, afirmou.