Nova espécie de planta é descoberta nas montanhas do Espírito Santo
Publicado em 10/08/2026 às 11:16
Fotos: Alexandre Magno
Uma nova espécie de planta da Mata Atlântica foi descoberta na região serrana do Espírito Santo. Batizada de Philodendron luanae, a espécie recebeu esse nome em homenagem à pesquisadora Luana Calazans, do Departamento de Ciências Biológicas da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), especialista em plantas da família Araceae.
O grupo botânico inclui espécies bastante conhecidas, como taiobas, costela-de-adão, jiboias, antúrios e comigo-ninguém-pode.
A descoberta foi realizada pelo pesquisador Alexandre Magno, mestrando da Escola Nacional de Botânica Tropical do Jardim Botânico do Rio de Janeiro e colaborador do Herbário Vies, da Ufes. O estudo foi publicado em julho na revista científica Phytotaxa, especializada em taxonomia vegetal.

A identificação da nova espécie começou a partir de observações compartilhadas na plataforma de ciência cidadã iNaturalist. Os registros despertaram o interesse dos pesquisadores, que posteriormente realizaram expedições direcionadas a áreas montanhosas do Espírito Santo.
Durante o trabalho de campo, foram coletadas amostras da planta para análises laboratoriais. A partir de estudos morfológicos detalhados, além de comparações com materiais depositados em herbários e com espécies já conhecidas, Magno confirmou que se tratava de uma espécie ainda não descrita pela ciência.
A Philodendron luanae foi encontrada até o momento em duas localidades, nos municípios de Castelo e Alfredo Chaves. A planta apresenta folhas triangulares e uma inflorescência com características próprias, que permitem diferenciá-la de outras espécies aparentadas.
Apesar de a espécie ser conhecida atualmente em apenas dois pontos da região serrana, os pesquisadores acreditam que novas populações possam ser encontradas em outras áreas ainda pouco exploradas das montanhas capixabas.
Ciência cidadã
Para Alexandre Magno, a descoberta também demonstra a importância da participação da sociedade na produção do conhecimento científico.
Plataformas colaborativas como o iNaturalist vêm ganhando espaço em pesquisas relacionadas à biodiversidade, conservação e taxonomia. Registros fotográficos feitos por cidadãos podem ajudar pesquisadores a localizar espécies raras, ameaçadas ou até então desconhecidas pela ciência.
Outra espécie descoberta nas montanhas capixabas
A Philodendron luanae não é a primeira nova espécie identificada por meio das pesquisas de Alexandre Magno nas montanhas do Espírito Santo.
O pesquisador também descreveu a Philodendron quartziticola, uma planta ornamental que apresenta semelhanças com o popular antúrio (Anthurium andraeanum).
A espécie foi encontrada em áreas próximas à Reserva Águia Branca, em Vargem Alta, e à Reserva Kaetés, que se estende pelos municípios de Castelo, Vargem Alta, Domingos Martins, Venda Nova do Imigrante e Alfredo Chaves. Os locais são conhecidos como áreas de “morros de sal”.
As descobertas reforçam a importância da região serrana capixaba para a conservação da biodiversidade da Mata Atlântica e mostram que as montanhas do Espírito Santo ainda guardam espécies que podem ser desconhecidas pela ciência.
Fonte: Ufes