Café brasileiro chega a 84% da colheita, mas ritmo segue abaixo da média

Publicado em 09/08/2026 às 11:00

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colheita de café

Foto: Julio Huber

A colheita de café no Brasil alcançou 84% da produção prevista para 2026, mas segue em ritmo inferior ao registrado nos últimos anos. O avanço da última semana foi de seis pontos percentuais, impulsionado pela volta do tempo seco nas principais áreas produtoras. No mesmo período de 2025, 94% da safra já havia sido colhida, enquanto a média dos últimos cinco anos é de 90%.

O maior atraso está no café arábica, variedade que concentra grande parte da produção de Minas Gerais. Até o momento, 77% do volume estimado foi retirado das lavouras. O percentual fica abaixo dos 91% registrados no mesmo período do ano passado e dos 85% da média histórica.

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A situação é diferente no canéfora, grupo que inclui os cafés conilon e robusta. A colheita dessa variedade está praticamente encerrada, com 99% da produção já retirada. O resultado é próximo ao registrado em 2025 e supera levemente a média de 98% dos últimos cinco anos.

Minas Gerais é o principal produtor brasileiro de café arábica e deve colher 33,4 milhões de sacas de 60 quilos em 2026, segundo estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O volume corresponde a quase metade das 66,7 milhões de sacas projetadas para todo o país.

A previsão para Minas representa um crescimento de 29,8% em relação à temporada anterior. A expectativa de uma safra maior está relacionada ao ciclo de bienalidade positiva dos cafezais e às condições climáticas favoráveis observadas antes da floração e durante o desenvolvimento dos grãos.

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O andamento da colheita, porém, foi prejudicado pelas chuvas registradas fora do período esperado. A umidade dificultou tanto a retirada dos frutos quanto a secagem do café nos terreiros. Em algumas áreas, o excesso de chuva também aumentou a queda dos frutos no solo, criando risco de perda de qualidade.

O impacto foi mais significativo no Sul de Minas, principal região produtora de café arábica do país. Com a melhora do tempo, os produtores conseguiram retomar os trabalhos, mas ainda precisam recuperar parte do atraso acumulado ao longo das últimas semanas.

A menor velocidade na chegada do café novo também mantém o mercado em alerta. Com uma parcela menor da produção entrando no mercado neste momento, qualquer nova ocorrência climática ou problema relacionado à qualidade pode provocar mudanças na percepção sobre a oferta brasileira.

Para 2026, a Conab estima uma produção nacional de 45,8 milhões de sacas de café arábica, aumento de 28% em relação ao ano anterior. Para o canéfora, a projeção é de 20,9 milhões de sacas, crescimento de 0,8%.

Nas próximas semanas, a prioridade dos produtores será acelerar a retirada dos frutos e garantir uma secagem adequada. Em Minas Gerais, além de concluir a colheita, a qualidade dos grãos será um dos principais fatores para definir quanto da produção poderá alcançar os mercados de maior valor.

Fonte: Conab

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