Coluna Pomerana

A TERRA DOS ANCESTRAIS POMERANOS – Parte II

Publicado em 22/03/2022 às 14:00

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Genemir Raduenz, Edson Klemann, Johan Strelow, Cláudio Werling
pomeranosnovaleeuropeu
@brejetuba

O próximo passo das viagens foi conhecer o Kreis de Belgard (Bialogard) e conhecer o rio Rega. Esse rio Rega tem grande relevância no contexto histórico dos pomeranos que emigraram para a região de Blumenau, tendo em vista as referências batizadas em sua homenagem como Testo Rega e Itoupava Rega.

Cláudio e Vilson antes de chegarem a Belgard, passaram pelo Kreis de Naugard (Nowogard) e pela localidade de Plathe (Ploty) onde Cláudio destaca seu primeiro encontro com o Rega. Em Belgard, se destaca o Marktplatz muito bem preservado, bem como a catedral da localidade: “inclusive fiz um registro fotográfico de um dos antigos portais de entrada da cidade e, nas proximidades de Belgard também visitamos o pátio de um Gutshof (casa senhoril)”. Alguns povoados fizeram parte da visita, entre eles o vilarejo de Alt Schlage (Slawa) onde nasceu Augusta Dahlke Werling, trisavó de Cláudio, localizado entre Bad Polzin (Polczyn Zdrój) e Schivelbein (Swidwin). Passando por Schivelbein, a visita compreendeu o Schloss Schivelbein da localidade no qual o rio Rega também “serpenteia” nas proximidades. Depois da visita em Schivelbein, o intuito foi passar novamente pela cidade de Wollin e no caminho de retorno conhecer Regenwalde (Resko).

Por fim, pai e filho também visitaram Magdeburg (Sachsen Anhalt), isso em território alemão e cidade de nascimento do imigrante Anton Werling. Cláudio, integrante do grupo de pesquisa e escritores Pomeranos no Vale Europeu, ressalta que hoje, 13 anos após aquela viagem, adquiriu muito mais conhecimento sobre a história da Pomerânia e sobre a origem de seus ancestrais, e que uma nova viagem, certamente será mais aprofundada, incluindo, por exemplo, conhecer os vilarejos dos
ancestrais Ehlert em Damen (Stare Debno) e Zinnke em Nelep (Nielep). Ele também lamenta toda essa ruptura que aconteceu na II Guerra Mundial e que, como consequência, praticamente erradicou a cultura pomerana naquelas terras.

Outro integrante do grupo Pomeranos no Vale Europeu que já pisou na antiga Pomerâni é Johan Strelow. Motivado pelo desejo de conhecer a vila onde várias gerações de seus antepassados viviam, a viagem ocorreu 152 anos após a vinda da família Strelow para o Brasil. A viagem aconteceu em maio de 2019. Johan destaca a emoção de “ver o que os olhos deles viram, as casas, a geografia, suas planícies e ter o mesmo horizonte, andar pelas ruas e poder imaginar o dia a dia dos pomeranos que viveram na servidão da gleba”. Johan e sua família partiram de Berlim em direção a Stettin (Szczecin), onde visitaram o Hakenterrasse (Waly Chrobrego) onde puderam apreciar a bela vista da cidade, incluindo o castelo dos duques pomeranos.

Posteriormente foram em direção a Kolberg (Kolobrzeg), encontrando no caminho uma belíssima igreja na vila de Gervin (Gorawino). Em Kolberg, conheceram o litoral e inclusive o farol, visitando seu interior e o topo, com sua vista privilegiada. O vilarejo de Strachmin (Strachomino) foi o ponto alto da visita, lugar de onde os Strelow emigraram e localizado a poucos quilômetros de Kolberg. Retornaram, margeando a costa do Mar Báltico, indo até Greifswald, onde visitaram o museu pomerano e, na oportunidade, ainda conheceram o centro histórico de Stralsund.

A busca pela história dos ancestrais tem sido uma das motivações centrais para ir ao encontro da antiga Pomerânia. Maiko Borchardt outro pomerodense que, por volta de 2012, começou suas pesquisas sobre a família. Descobriu que praticamente todos os seus ancestrais saídos da Pomerânia, entre os anos de 1866 a 1878, se fixaram em Pomerode. Logo, era preciso aprofundar nos estudos dessa pesquisa. Com isso o desejo de conhecer aquela região só aumentava. Em 2015, Maiko se mudou para o sul da Alemanha para trabalhar como missionário numa igreja luterana em Ilshofen. Dessa forma surgiu a oportunidade de, em 2018, em companhia de sua esposa conhecer as terras pomeranas.

O roteiro planejado compreendeu duas fases: nos primeiros cinco dias deveria conhecer a antiga Pomerânia ocidental, localizada na atual Alemanha, visitando cidades como Greifswald, Torgelow, Usedom e Anklam e, também, especificamente a vila de Bauer-Wehrland, origem de ancestral de sobrenome Zeplin.

Na segunda parte da viagem iria conhecer a Pomerânia Oriental e, durante sete dias iria percorrer cinco condados (Kreis): Naugard, Regenwalde, Greifenberg (Gryfice), Belgard e Kolberg-Köslin. Passaram por muitas vilas às quais estavam vinculados muitos dos seus antepassados, como das famílias Borchardt, Dahlke, Dorn, Falk, Kieckhöfel, Hordinand, Marquardt, Rahn, Riemer, Radü, Steinert, Lemke e Weege. Maiko destaca: “a vila mais marcante para mim foi a de Woldenburg (Dabie) do Kreis de Regenwalde, pois ali morou o meu tataravô Franz Friedrich August Borchardt. Também visitei a cidade de Regenwalde”.

Ele também menciona o sentimento que teve ao colocar os pés naquelas terras: “Foi um sentimento de ligação emocional com toda a região e, ao mesmo tempo de tristeza em ver que toda uma história, língua e tradição foram perdidas com a II Guerra mundial. Os pomeranos foram expulsos pelo russos e nunca mais puderam retornar as suas casas. Chamou-me a atenção que muitas construções ainda permanecem assim como elas estavam antes da guerra sem mesmo receber alguma pintura ou reparo. A paisagem é bem diferente da que encontramos no Vale do Itajaí. Por lá não existem montanhas, pois a terra é totalmente plana e com muitos lagos e rios, como por exemplo o rio Rega”.

Borchardt ainda destaca que, infelizmente não encontrou registros físicos dos seus ancestrais e as igrejas que eram luteranas antes da Guerra foram tomadas pela igreja católica e com isso permaneceram preservadas, tendo se tornado os pontos dados, pois as novas populações por lá assentadas não queriam deixar quaisquer vestígios de palavras e da história dos alemães. Muitos cemitérios antigos, quando não depredados, estão tomados pela vegetação. Apenas em poucos locais foi possível encontrar ainda alguma lápide ou escrições em alemão.

Em suas reflexões, Maiko ainda complementa: “por lá os pomeranos viviam em condições de muita pobreza e miséria. Vir ao Brasil e deixar tudo para trás foi um passo de fé em busca de uma vida melhor para si mesmo e os seus descendentes. Essa vida melhor nós estamos colhendo 150 anos depois deles. Por isso acredito que devemos valorizar e preservar as nossas raízes, a língua, as construções e a cultura. O futuro só existe para um povo que sabe preservar a sua história”.

A percepção dos pomerodenses que visitaram a antiga Pomerânia alimenta o sentimento de pertencimento e de conexão com sua cultura. O hino da Pomerânia composto por Adolf Pompe em 1851, enfoca muito bem esse vínculo que temos com esse povo e essa terra: “LÍMPIDAS PRAIAS E FLORESTAS ESCURAS”… “BRANCAS VELAS VOAM SOBRE O MAR AZUL”… “AGORA ESTOU PEREGRINANDO, ORA ESTOU AQUI, ORA ALI… SEMPRE SIGO LEVANDO ADIANTE, ATÉ QUE EM TI EU ENCONTRO NOVAMENTE A PAZ… ENVIO MINHAS CANÇÕES A TI Ó PÁTRIA”.

Interesse pela Língua Pomerana no Brasil

Parte I

José Carlos Heinemann

A ideia da formação do Instituto Cultural Pomerano Brasileiro, com sede em Jaraguá do Sul, Estado de Santa Catarina, em 2021, é muito louvável. Reúne pesquisadores linguísticos e historiadores que debatem sobre temas envolvendo os pomeranos da antiga Pomerânia e do Brasil. O Instituto Cultural Pomerano Brasileiro, em seu acervo literário começou a reunir obras históricas, monografias e teses (mestrado, doutorado e pós-doutorado) e seu grande objetivo é oferecer uma biblioteca relevante para os pesquisadores e amantes da cultura pomerana e para os estudiosos da história brasileira e europeia envolvendo essa etnia.

Todos os integrantes do seu grupo de trabalho, como verdadeiros investigadores da história, incansavelmente buscam por fatos antigos que, com o passar do tempo, foram esquecidos ou apareceram brevemente no rodapé de um jornal de alguma cidade que faz parte dos chamados núcleos dos pomeranos e seus descendentes. Pequenos textos, fatos e relatos que naquele momento não eram Importantes, não raramente, nos dias de hoje se transformaram em relíquias históricas.

É como se fosse uma cidade antiga, despovoado por causa de uma barragem e as águas logo cobriram as construções. Com a forte estiagem as águas baixaram e os antigos moradores começam a ver a antiga rua, a torre da igreja, o antigo casarão de paredes grossas e onde era a praça. Começam a lembrar e identificar com muita precisão cada local e descrevem cada canto da antiga cidade. Hoje estes pesquisadores do Instituto Cultural Pomerano Brasileiro estão desempenhando um papel igual. Descobrindo e comentando com precisão fatos históricos do passado. Fatos que podem dar novas ideias e uma maior compreensão dos acontecimentos passados, que servem de lição para prosseguirmos nesta tarefa de coletar, reunir, descrever e divulgar estas ricas informações.

O primeiro texto a ser descoberto e estudado é muito triste. Mencionaremos um acontecimento ocorrido na região de Santa Leopoldina/ES que teve seu nome de cidade vinculada nos principais jornais das grandes capitais. No dia 14 de maio de 19871 houve um casamento entre as famílias Lemke e Schneider e nas festividades na casa da noiva aconteceu um crime.

Segue no próximo número da FP

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