Espírito Santo cria força-tarefa para adequar exportação de gengibre às novas exigências da União Europeia

Publicado em 30/07/2026 às 11:04

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Foto: Incaper

O Espírito Santo criou uma força-tarefa para preparar a cadeia produtiva do gengibre para as novas exigências fitossanitárias estabelecidas pela União Europeia. O bloco publicou, em abril, o Regulamento de Execução (UE) 2026/826, que determina novos procedimentos para a exportação de rizomas de gengibre com o objetivo de reduzir o risco de introdução da bactéria Ralstonia pseudosolanacearum em seu território. As medidas entram em vigor a partir de 15 de outubro e serão aplicadas aos países que comercializam o produto com a União Europeia.

A mobilização envolve a Secretaria de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag), o Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Espírito Santo (Idaf), o Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), além de representantes de produtores, exportadores e cooperativas.

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Segundo o secretário de Estado da Agricultura, Enio Bergoli, a adequação às novas regras é estratégica para o setor capixaba, especialmente pela importância do mercado europeu para as exportações estaduais.

“Mais de 57% do volume de gengibre exportado pelo Espírito Santo em 2025 teve como destino a União Europeia, o que demonstra a relevância estratégica desse mercado para a produção capixaba. Por isso, os setores público e privado já estão trabalhando de forma integrada para viabilizar as adequações necessárias”, destacou.

Bergoli também ressaltou a necessidade de mobilização dos produtores, responsáveis técnicos e exportadores para garantir a continuidade das vendas ao mercado europeu. Apesar dos custos envolvidos no processo de certificação, segundo o secretário, a adequação também pode contribuir para agregar valor ao produto.

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Investimentos em pesquisa e sanidade

Como parte das ações de fortalecimento da cadeia, o Governo do Estado anunciou recentemente R$ 1,2 milhão para quatro projetos estratégicos de pesquisa e extensão voltados ao cultivo do gengibre.

As iniciativas incluem a elaboração de um currículo de sustentabilidade para a cultura, a caracterização e seleção de genótipos adaptados a diferentes altitudes, o aprimoramento da nutrição em sistemas de produção orgânicos e convencionais e ações de sanidade vegetal e controle de doenças.

Entre os projetos está o monitoramento fitossanitário da Ralstonia pseudosolanacearum, bactéria responsável pela murcha bacteriana. A iniciativa conta com R$ 400 mil e prevê coletas a cada dois meses nos três principais municípios produtores do Estado, além da emissão de laudos fitossanitários e do mapeamento da presença ou ausência da bactéria.

A medida busca reforçar a prevenção e ampliar a capacidade de resposta do Espírito Santo diante das exigências do mercado internacional.

O diretor-geral do Idaf, Ronaldo Salomão Lubiana, informou que o órgão vem ajustando os protocolos para garantir uma transição adequada. Entre as ações está a habilitação de novos profissionais para atuar com a bactéria e atender à demanda dos produtores.

“O Idaf está trabalhando para viabilizar a habilitação de novos profissionais com relação à bactéria Ralstonia pseudosolanacearum, de modo que seja possível atender os produtores”, explicou.

O Incaper também está orientando os produtores por meio de seus escritórios locais. De acordo com o coordenador do Centro Regional de Desenvolvimento Rural Centro Serrano, Galderes Magalhães de Oliveira, a instituição está preparada para auxiliar os diferentes segmentos da cadeia produtiva.

O que muda para o produtor

Com as novas regras, a produção de gengibre destinada à União Europeia deverá cumprir uma série de exigências para que o Mapa possa emitir o Certificado Fitossanitário (CF).

Entre os requisitos estão:

  • a produção deverá ser originária de Unidade de Produção (UP) ou Unidade de Consolidação (UC) inscrita no Idaf;
  • a propriedade deverá estar vinculada a um responsável técnico, engenheiro-agrônomo, habilitado pelo Idaf para a praga Ralstonia pseudosolanacearum;
  • a área deverá ser acompanhada pelo responsável técnico por pelo menos 60 dias antes da colheita, com inspeções fitossanitárias;
  • será necessário apresentar laudo laboratorial oficial com resultado negativo para a bactéria;
  • a carga deverá estar acompanhada do Certificado Fitossanitário de Origem (CFO) ou do Certificado Fitossanitário de Origem Consolidado (CFOC), contendo as declarações adicionais exigidas pela União Europeia.

Como o produtor deve se regularizar

O primeiro passo é contratar um engenheiro-agrônomo habilitado, que ficará responsável pelo processo de regularização e acompanhamento fitossanitário.

Entre as atribuições do profissional estão:

  • solicitar a inscrição da Unidade de Produção ou Unidade de Consolidação no Idaf;
  • acompanhar a área de produção;
  • realizar inspeções fitossanitárias;
  • coletar amostras quando necessário;
  • providenciar a documentação exigida para a certificação da produção destinada à exportação.

Para a inscrição da UP ou UC, são necessários documentos como identificação e CPF do produtor, documentação da empresa e do representante legal, identificação do responsável técnico, procuração, Anotação de Responsabilidade Técnica (ART), Documento Único de Arrecadação (DUA) e comprovante de vínculo com o imóvel ou empreendimento.

Após reunir a documentação, o responsável técnico deverá realizar o mapeamento da área, no caso de Unidade de Produção, elaborar o projeto digital no Simlam e protocolar o pedido eletronicamente junto ao Idaf.

Gengibre capixaba tem mercado em 42 países

O Espírito Santo produziu aproximadamente 83,7 mil toneladas de gengibre em 2025, principalmente nos municípios de Santa Leopoldina, Santa Maria de Jetibá e Domingos Martins.

No mesmo ano, o Estado registrou recorde no volume exportado, com 28,6 mil toneladas, sendo mais de 57% destinadas a países da União Europeia. As exportações movimentaram aproximadamente US$ 40,4 milhões.

Entre janeiro e junho de 2026, o gengibre capixaba foi comercializado para 42 países. No período, foram exportadas cerca de 4,8 mil toneladas, gerando aproximadamente US$ 7,1 milhões em divisas.

Com a entrada em vigor das novas regras europeias, a adequação dos produtores, responsáveis técnicos e exportadores passa a ser fundamental para preservar o acesso ao principal mercado internacional do gengibre produzido no Espírito Santo.

Fonte: Assessoria de Comunicação do Idaf

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