Campanha amplia vacinação de crianças e adolescentes em todo o país
Publicado em 08/08/2026 às 08:37
Foto: Magnific
O Ministério da Saúde iniciou a Campanha de Multivacinação 2026, com o objetivo de atualizar a caderneta de vacinação de crianças e adolescentes menores de 15 anos e ampliar a cobertura vacinal no país. A mobilização será realizada até 1º de setembro e terá um Dia D nacional no dia 22 de agosto.
Ao todo, 20 imunizantes previstos no Calendário Nacional de Vacinação estarão disponíveis durante a campanha. A iniciativa busca reforçar a proteção contra doenças como sarampo, pneumonias, meningites, poliomielite, influenza, febre amarela, dengue e covid-19, além de outras enfermidades que podem provocar complicações graves.
Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, a manutenção da vacinação é fundamental para evitar o retorno de doenças que haviam sido controladas. Durante visita ao Almoxarifado Central de Guarulhos, na sexta-feira (7), o ministro também alertou para o aumento dos casos de sarampo em outros países e para o risco de entrada do vírus no Brasil.
Para reforçar a campanha, 1,5 milhão de doses foram distribuídas aos estados. Somente em 2026, o Ministério da Saúde já encaminhou mais de 177 milhões de doses aos estados e ao Distrito Federal, com o objetivo de manter o abastecimento da rede pública de vacinação.
A vacinação é considerada uma das principais estratégias para prevenir doenças imunopreveníveis. Além de proteger individualmente crianças e adolescentes, a manutenção de altas coberturas vacinais reduz a circulação de vírus e bactérias e contribui para a proteção coletiva.
Entre as doenças prevenidas pelas vacinas oferecidas pelo Sistema Único de Saúde estão tuberculose, hepatites A e B, difteria, tétano, coqueluche, poliomielite, rotavírus, pneumonias, meningites, gripe, covid-19, febre amarela, sarampo, caxumba, rubéola, varicela, infecções pelo HPV e dengue.
A campanha deste ano também marca a primeira edição da multivacinação com a vacina pneumocócica 20-valente, conhecida como Pneumo 20. Incorporado ao Calendário Nacional de Vacinação em 2026, o imunizante amplia a proteção contra doenças provocadas pelo pneumococo, entre elas pneumonias e meningites. A vacina é indicada para crianças menores de 5 anos, conforme o esquema estabelecido para cada faixa etária.
Outra atualização envolve a vacinação contra a dengue, destinada a crianças e adolescentes de 10 a 14 anos. A campanha também contempla a vacinação contra a covid-19 para crianças, respeitando as indicações específicas de cada imunizante.
A estratégia será realizada de maneira seletiva. Isso significa que os profissionais de saúde irão verificar a situação de cada criança ou adolescente e aplicar somente as doses necessárias para iniciar ou completar o esquema vacinal. Por isso, pais e responsáveis devem levar a caderneta de vacinação aos postos de atendimento.
Entre os imunizantes que poderão ser disponibilizados, de acordo com a idade e o histórico de vacinação, estão BCG, hepatite B, pentavalente, poliomielite, rotavírus, pneumocócicas 10 e 20-valente, meningocócicas C e ACWY, influenza, covid-19, febre amarela, tríplice viral, varicela, DTP, hepatite A, dT, HPV e dengue.
O Ministério da Saúde também adotou uma estratégia específica para ampliar a proteção contra o sarampo nos municípios de São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo. Nessas localidades, a orientação é ampliar temporariamente a oferta da vacina para pessoas de 6 meses a 59 anos, como forma de aumentar a proteção da população e impedir a transmissão do vírus.
A medida foi tomada após a identificação de casos de sarampo relacionados à importação do vírus. O objetivo é evitar que a doença volte a circular de forma ampla no país, como ocorreu em São Paulo em 2019, quando foram registrados cerca de 20 mil casos.
A vacina utilizada é a tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola. Para bebês entre 6 e 11 meses, a chamada dose zero funciona como uma dose adicional e não substitui as doses previstas na rotina, que devem ser administradas aos 12 e aos 15 meses.
Para as demais faixas etárias, a necessidade de vacinação será avaliada pelos profissionais de saúde considerando a idade e o histórico registrado na caderneta. Além de proteger contra o sarampo, a atualização do documento permite identificar outras vacinas que estejam atrasadas e regularizar a situação de crianças e adolescentes.
Em 2026, mais de 177 milhões de doses de vacinas já foram distribuídas aos estados e ao Distrito Federal. Especificamente para a Campanha de Multivacinação, foram encaminhadas 1,5 milhão de doses.
No caso do sarampo, mais de 7,2 milhões de doses da vacina tríplice viral já foram distribuídas aos estados e municípios neste ano. Aproximadamente 2,9 milhões delas já foram aplicadas.
O estado de São Paulo recebeu 3,2 milhões de doses da tríplice viral para reforçar os estoques e garantir a continuidade da vacinação contra a doença.
Até o momento, mais de 94,8 milhões de doses dos imunizantes previstos no Calendário Nacional de Vacinação foram aplicadas em 2026. No ano passado, o número chegou a 170,8 milhões de doses.
Durante a Campanha de Multivacinação de 2025, mais de 7,5 milhões de doses foram aplicadas em todo o território nacional. Cerca de 1 milhão delas foram administradas durante o Dia D.
Outra mudança recente no calendário de vacinação ocorreu em 3 de agosto de 2026, quando o esquema contra a poliomielite passou a contar com um segundo reforço da vacina inativada contra a doença aos 4 anos de idade.
A alteração complementa o modelo de vacinação exclusivamente com a VIP, adotado pelo Brasil desde 2024, e busca ampliar a proteção contra a poliomielite.
Embora o Brasil não registre casos da doença há décadas, a poliomielite ainda não foi erradicada mundialmente. Dessa forma, a manutenção da vacinação é considerada essencial para impedir que o poliovírus seja novamente introduzido e se espalhe pelo país.
Dados divulgados em julho pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) indicam uma melhora significativa na vacinação infantil brasileira.
O número de crianças que não haviam recebido sequer a primeira dose da vacina pentavalente caiu de aproximadamente 360 mil, em 2023, para 50 mil, em 2025.
As estimativas da OMS e do Unicef apontam que o número de crianças classificadas como “zero-dose” passou de 360 mil em 2023 para 255 mil em 2024 e, posteriormente, para 50 mil em 2025. A queda foi de aproximadamente 86% em relação a 2024 e de quase 90% na comparação com 2023.
Os dados indicam uma recuperação da cobertura vacinal no país. Para o Ministério da Saúde, entretanto, a manutenção de índices elevados continua sendo necessária, assim como a busca ativa por crianças que ainda não receberam as vacinas previstas no calendário.
A Campanha de Multivacinação 2026 busca, portanto, não apenas corrigir atrasos na caderneta, mas também ampliar a proteção individual e coletiva e reduzir o risco de reintrodução e disseminação de doenças que podem ser prevenidas por meio da vacinação.
Fonte: Ministério da Saúde