Arte, Crônicas e Poesia
Um novo amanhã
Publicado em 04/09/2026 às 11:01

Não é preciso ser muito observador para perceber que sempre estamos correndo para um destino desconhecido e inverso do nosso desejo de eternidade. O paradoxo é um elemento da caminhada e despercebido por muitos. Suponho ser por causa da sua aparência assustadora e inatingível argumentativamente. Por instinto tendemos ao mais fácil e ao aparente belo.
Será que realmente essa noção de evolução humana é válida? Nas escolas somos doutrinados a olhar o passado sempre de forma retrógrada, desde ao modo vida e aos recursos técnicos que possuíam. Explicitando que vivemos no apogeu. Suponho que tal postura seja muito mais por orgulho do que porque qualquer outra coisa. Assumir que estamos a cada instante pior, não é nada fácil. Os críticos logo levantam-se e chamam isso de pessimismo ou os mais gentis, de saudosismo.
Não descarto totalmente a primeira pontuação, todavia, não creio que meus antepassados viveram uma era de ouro, ou qualquer coisa próxima ao paraíso, porque isso é impossível, contra a própria natureza mineral que vivemos na terra. Somos essencialmente matérias, vivendo na matéria.
O ponto que consigo observar atualmente é a fusão d o “eu” com o mundo, isso de uma forma única na história. A preocupação além dos sentidos é praticamente nula, desinteressante e anulada por campanhas de diversas frentes, política, educacional, midiática, etc.
E tudo transcorre com tamanha tranquilidade que não notamos, pintam de cor de rosa a nossa cela. E a parte toda a discussão filosófica, o pungente é onde isso tudo vai levar. A primeira vez que percebi tudo isso foi ao caminhar para o trabalho. Uma senhora mexia no celular na minha frente e tropeçou em um morador em situação de rua que dormia na calçada, ela foi ao solo. Eu a socorri e inqueri sobre sua saúde, me respondeu que estava distraída com um vídeo e não viu a pessoa na sua frente.
Ao abandonar a cena, fiquei pasmo, sempre observei a indiferença das pessoas com as demais, mas foi um pouco demais tropeçar por pura distração.
Esse é o principal ponto; a ânsia de estarmos conectados o tempo todo está conduzindo a desconexão de coisas mais importantes. Cada vez mais encontramos pessoas perdidas, sem rumo, sem crença em nada. E ao menor solavanco da vida, sucumbe-se.
Desde novo, sempre questionava minha mãe porque coisas boas aconteciam com pessoas ruins e coisas ruins aconteciam com pessoas boas. Isso sempre soou para mim como injustiça.
Por mais que busquei no mundo material uma razão, encontrei justamente mais injustiças. Pessoas que roubavam e matavam sempre tiveram destaque e admiração popular, não raro livros e filmes sobre eles. Ao contrário, pessoas que negavam a corrupção viveram na pobreza foram esquecidas e morreram anônimas.
O cerne é que deva existir uma balança que equilibra tudo e possa corrigir toda essa situação e isso está muito além da minha compreensão de explicação ou conceituação. O meu espirito inquieto me sinaliza que as chaves e toda solução estão alhures. O que devo fazer é justamente me conectar a isso, mesmo com tantos ruídos na comunicação, atentar-me ao que estão a todo momento nos aconselhando e orientando.
Não sou uma referência de pessoa, longe disso, sou um surdo que luta diariamente para ouvir, alguém cansado de estar conectado ao mundo, crer nas suas mentiras, ansiar por seus méritos e buscar fama e sucesso.
A cada dia preciso desaprender a ser quem sou e ser alguém novo, ser mais espirito do que carne, ser mais luz do que trevas, ser sinfonia e não ruídos de angústia.