Brasil amplia estrutura para desenvolver vacinas e terapias com tecnologia de RNA
Publicado em 03/09/2026 às 08:07
Foto: Ronny Rodrigues/MS
O Brasil deu um novo passo para ampliar sua capacidade de desenvolver vacinas e tratamentos baseados em RNA. O Ministério da Saúde oficializou, nesta segunda-feira (31), em Belo Horizonte (MG), a implementação do primeiro Centro de Competência em Terapias e Vacinas com RNA (CTV-RNA) do país.
A iniciativa é resultado de uma parceria entre o Ministério da Saúde e a Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii), com investimento de R$ 60 milhões. A estrutura será coordenada pelo Centro de Tecnologias de Vacinas (CTVacinas) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
A tecnologia de RNA ganhou destaque durante a pandemia de Covid-19 por permitir o desenvolvimento de vacinas capazes de orientar o sistema imunológico na resposta a determinadas doenças. A expectativa agora é ampliar o uso dessa plataforma para outras enfermidades e fortalecer a produção nacional de tecnologias estratégicas para o Sistema Único de Saúde (SUS).
Durante a cerimônia de implementação do centro, o secretário adjunto da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde (SCTIE/MS), Eduardo Jorge Valadares, destacou a importância de aproximar universidades, empresas e governo para transformar pesquisas científicas em produtos e soluções disponíveis à população.
“A ciência brasileira é tida como uma das melhores do mundo. A nossa dificuldade tem sido transformar a pesquisa em acesso, pesquisa em produto disponível para o cidadão”, afirmou.
Segundo o secretário, a integração entre academia, indústria e poder público é fundamental para consolidar uma base tecnológica capaz de responder às demandas do país.
Pesquisas voltadas ao SUS
A criação do CTV-RNA está alinhada ao Programa Nacional de Inovação Radical em Saúde (PNIRS), iniciativa do Ministério da Saúde voltada ao fortalecimento da pesquisa e da inovação no setor. A proposta é aproximar universidades, centros de pesquisa, empresas e startups para acelerar o desenvolvimento de tecnologias estratégicas e sua aplicação no SUS.
Atualmente, o Ministério da Saúde mantém 17 projetos em andamento na UFMG, com investimentos de R$ 54,59 milhões. As pesquisas abrangem áreas como estudos pré-clínicos e clínicos, genômica e saúde de precisão.
Outros três projetos desenvolvidos por meio do Programa de Desenvolvimento e Inovação Local (PDIL) somam R$ 21 milhões. Entre as pesquisas estão iniciativas para desenvolver plataformas de vacinas de RNA contra chikungunya e estratégias baseadas na tecnologia para o enfrentamento de doenças como Chagas, leishmaniose e malária.
A professora da UFMG e coordenadora do CTV-RNA, Santuza Teixeira, destacou que o país possui um calendário de vacinação considerado robusto, mas historicamente dependeu de tecnologias desenvolvidas no exterior.
De acordo com ela, a experiência da pandemia reforçou a necessidade de o Brasil contar com capacidade própria para desenvolver tecnologias capazes de atender às demandas nacionais.
A UFMG já trabalha com a plataforma de RNA desde o período da pandemia. Entre os projetos em desenvolvimento está uma vacina de RNA contra a malária, considerada em estágio avançado, além de pesquisas para uma vacina contra a dengue.
Investimentos em inovação
O novo centro integra uma parceria mais ampla entre o Ministério da Saúde e a Embrapii, que reúne iniciativas de pesquisa, desenvolvimento tecnológico e inovação voltadas ao SUS. Ao todo, os investimentos chegam a cerca de R$ 210 milhões, destinados a infraestrutura, formação e capacitação de profissionais.
Em 2026, também foram anunciados R$ 30 milhões para ampliar a rede de unidades da Embrapii. Os recursos contemplam o credenciamento de seis novas unidades, sendo uma no Paraná, uma em Goiás, duas em São Paulo e duas no Ceará.
As novas estruturas deverão desenvolver projetos em parceria com empresas industriais, especialmente em etapas intermediárias de maturidade tecnológica, quando as pesquisas deixam o ambiente acadêmico e avançam para fases de testes, validação e aplicação.
Para o diretor de Operações da Embrapii, Marcelo Prim, o CTV-RNA de Minas Gerais se diferencia por ser o primeiro Centro de Competência do país dedicado especificamente a terapias e vacinas baseadas em RNA e RNA mensageiro (mRNA).
Segundo ele, a iniciativa representa um avanço para a soberania tecnológica brasileira e pode ampliar a capacidade do país de responder a futuras epidemias, além de contribuir para o desenvolvimento de tratamentos e vacinas voltados a diferentes doenças de interesse do SUS.
Fonte: Ministério da Saúde