Projeto da Ufes aposta em suínos gourmet para aumentar renda de pequenos produtores do Caparaó
Publicado em 04/09/2026 às 08:48
Fazenda Experimental de Rive, em Alegre/ Fotos: Acervo do projeto
Uma alternativa para ampliar a renda de pequenos produtores rurais está ganhando espaço no Caparaó capixaba. Desenvolvido pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), no campus de Alegre, o projeto de extensão Produção de Suínos Gourmet como Alternativa de Renda ao Pequeno Produtor aposta na criação de animais de genética selecionada e no acompanhamento dos produtores em diferentes etapas da atividade, desde a chegada dos leitões às propriedades até o abate, a comercialização ou a formação de futuras matrizes.
A iniciativa está voltada principalmente para produtores de pequena escala do Caparaó, região que representava apenas 1,31% da produção de suínos do Espírito Santo em 2023, segundo dados da Associação de Suinocultores do Espírito Santo (Ases). O índice é considerado baixo quando comparado à região Centro-Sul, que concentra quase 60% da produção estadual.
Segundo a professora Mariana Duran, do Departamento de Zootecnia da Ufes e coordenadora do projeto, muitos criadores do Caparaó ainda trabalham em pequena escala, com a venda de leitões ou destinando os animais ao consumo próprio e à produção de defumados e embutidos.

É nesse cenário que o projeto busca aproximar o conhecimento produzido pela universidade da realidade dos agricultores. Além do acompanhamento técnico dos animais, a iniciativa oferece orientações sobre manejo, produção e comercialização, além de promover dias de campo e workshops sobre cortes de carne, charcutaria e outras possibilidades de agregação de valor ao produto.
Genética selecionada é diferencial
A genética dos animais é um dos principais pilares do projeto. Na Fazenda Experimental de Rive, em Alegre, são mantidas quatro fêmeas da linhagem BS-101, resultado do cruzamento das raças Moura, Pietrain e Berkshire, além de um macho da raça Duroc.
Os animais provenientes desses cruzamentos apresentam maior grau de marmoreio, característica relacionada à presença de gordura entremeada no músculo. De acordo com a coordenadora da iniciativa, essa característica contribui para proporcionar mais sabor, suculência e maciez à carne.
Depois do nascimento, os leitões permanecem com as mães até o desmame, que ocorre por volta dos 21 dias de vida. Na sequência, passam por um período de aproximadamente 15 a 20 dias na fase de creche, voltada ao ganho de peso.
Quando atingem cerca de 15 quilos, os animais são destinados aos produtores participantes do projeto, conforme a disponibilidade. Nas propriedades, estudantes extensionistas acompanham o desenvolvimento dos suínos e avaliam indicadores de desempenho zootécnico até o momento do abate, da comercialização ou da seleção de animais que poderão se tornar futuras matrizes.
Os produtores também recebem orientações relacionadas ao manejo e aos cuidados necessários para melhorar o desempenho dos animais.
Carne com maior valor agregado
O trabalho da Ufes não termina na criação dos suínos. As etapas seguintes da cadeia produtiva também fazem parte da iniciativa, com atividades voltadas ao aproveitamento e à comercialização da carne.
Durante o Dia de Campo do Suíno Gourmet e workshops sobre cortes de carcaça, os participantes conhecem as características da carne dos animais utilizados no projeto e fazem comparações com a carne proveniente de híbridos empregados na produção comercial.
As atividades também apresentam possibilidades de comercialização capazes de agregar mais valor à produção. Entre elas estão a venda de cortes in natura e a transformação da carne em produtos de charcutaria, como embutidos e defumados.
Parceria com instituições
Para localizar produtores interessados em participar da iniciativa, a equipe do projeto buscou apoio da Associação de Suinocultores do Espírito Santo (Ases), do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) e do Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Espírito Santo (Idaf).
O projeto também conta com a parceria da Universidade Federal de Lavras (Ufla), por meio do professor Rony Ferreira, idealizador do conceito de Suíno Gourmet. Ele auxilia a equipe da Ufes na realização dos dias de campo e dos workshops.
Todas as atividades são desenvolvidas na Fazenda Experimental da Ufes, em Alegre, fortalecendo a integração entre universidade, estudantes e pequenos produtores rurais do Caparaó.
Fonte: Ufes