Genro é indiciado por feminicídio após morte de mulher em Afonso Cláudio
Publicado em 19/08/2026 às 17:58
Texto: Bruno Caetano / Fotos: Divulgação
A Polícia Civil do Espírito Santo (PCES) concluiu o inquérito que investigou a morte de Lisalinda Spamer Okumski, de 47 anos, encontrada morta em uma área de mata na localidade de Mata Fria, zona rural de Afonso Cláudio, em junho deste ano. Ao final das investigações, um homem de 40 anos, genro da vítima, foi indiciado por feminicídio, crime previsto no artigo 121-A do Código Penal.
Lisalinda estava desaparecida desde o dia 6 de junho. Segundo a investigação, ela saiu de casa para buscar ervas medicinais e não retornou. O corpo foi localizado nove dias depois, em uma região de mata, em um antigo carregador de café, a aproximadamente 500 metros da residência da vítima.

De acordo com o delegado Guilherme Eberhard, titular da Delegacia de Polícia de Afonso Cláudio, o laudo cadavérico apontou que Lisalinda morreu após sofrer um golpe de instrumento cortante na região vital do pescoço. A investigação confirmou, portanto, que se tratou de uma morte violenta.
O principal suspeito identificado pela Polícia Civil era genro da vítima e morava no mesmo terreno que ela. Segundo o relatório final, os dois também mantinham uma relação econômica.
Em vídeo o delegado informou que a investigação aponta que o crime ocorreu em um contexto de violência doméstica e familiar, associado a conflitos patrimoniais e societários.
“Segundo a investigação, os elementos reunidos indicam motivação de ordem patrimonial e societária, relacionada a conflitos envolvendo a divisão de valores provenientes de atividades econômicas desenvolvidas em conjunto pela vítima e pelo investigado”, explicou o delegado.
Entre os elementos reunidos durante a investigação estão imagens, áudios, depoimentos de testemunhas e análises periciais. Segundo Eberhard, foi identificado um vídeo em que o investigado aparece agredindo Lisalinda. A polícia também analisou um áudio no qual ele faz uma ameaça de morte direta contra a vítima.
Além disso, testemunhas ouvidas durante o inquérito relataram que o investigado teria direcionado as buscas para locais diferentes daquele onde o corpo acabou sendo encontrado. Segundo o delegado, pelo menos três testemunhas apresentaram relatos semelhantes sobre essa conduta.
Contradições nas versões do suspeito
A investigação também encontrou inconsistências no sistema de câmeras de segurança da residência. O equipamento era controlado pelo investigado e pela filha da vítima. Segundo a Polícia Civil, as imagens do dia do desaparecimento e do dia anterior não estavam armazenadas, enquanto as gravações dos dias seguintes permaneciam disponíveis para análise.
Outro ponto considerado pela investigação foi a ausência de contatos telefônicos do investigado com a vítima após o desaparecimento. Conforme o delegado, houve apenas duas ligações no dia 7 de junho e nenhuma outra posteriormente, apesar de o suspeito saber que Lisalinda havia saído de casa levando o celular.
Segundo Eberhard, o local onde o investigado trabalhava com café também tinha acesso direto à região onde o corpo foi encontrado. A polícia ainda apurou que um equipamento utilizado na produção de café, que seria da vítima, foi vendido pelo investigado no dia do velório.
Durante as apurações, o suspeito também teria levantado a hipótese de que Lisalinda possuía envolvimento com o tráfico de drogas e que a morte poderia estar relacionada a essa atividade. A versão, no entanto, foi contestada por testemunhas ouvidas pela Polícia Civil, que negaram qualquer envolvimento da vítima com drogas.
Genro permanece preso
O homem havia sido preso temporariamente durante as investigações. Com a conclusão do inquérito, a Polícia Civil representou pela conversão da prisão temporária em preventiva. O pedido foi aceito pela Justiça, e o investigado permanece preso.
O relatório final foi encaminhado ao Ministério Público do Espírito Santo (MPES), que deverá adotar as providências cabíveis. A partir de agora, o caso segue para as próximas etapas judiciais.
Segundo a Polícia Civil, o indiciamento reúne os elementos obtidos durante a investigação e aponta o suspeito como responsável pela morte de Lisalinda. A definição sobre eventual responsabilização criminal caberá à Justiça.