Bolsonaro após queda na Bolsa: “Mercado fica nervosinho com aumento de gastos”

Publicado em 22/10/2021 às 06:50

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Sem citar nomes, presidente também reclamou de secretários que tentam 'fazer valer sua vontade' após demissão de auxiliares de Guedes
Marcos Corrêa/PR

Sem citar nomes, presidente também reclamou de secretários que tentam ‘fazer valer sua vontade’ após demissão de auxiliares de Guedes

Em meio à queda da Bolsa de Valores e a alta da cotação do dólar nos últimos dias, o presidente Jair Bolsonaro ironizou a atuação do mercado. Ao comentar sobre a proposta de oferecer o pagamento de R$ 400 a cerca de 750 mil caminhoneiros para compensar a alta do preço dos combustíveis, Bolsonaro disse que o mercado fica “nervosinho” e afirmou que deverá ocorrer novo reajuste do preço dos combustíveis.

Nos últimos dias, o mercado reagiu com pessimismo à direção adotada pelo governo, que decidiu alterar as regras do teto de gasto para custear um benefício de R$ 400 aos beneficiários do Auxílio Brasil, programa social que irá suceder o Bolsa Família a partir de novembro.

“Temos como vencer essa crise. Vai ter novos reajustes de combustíveis? Certamente teremos. Por que vamos negar isso daí? Estamos buscando solução, um auxílio de 400 reais que vai estar abaixo de R$ 4 bilhões por ano, dentro do orçamento. Daí fica o mercado nervosinho. Se vocês explodirem a economia do Brasil, pessoal do mercado, vocês vão ser prejudicados também”, afirmou o presidente durante transmissão nas suas redes sociais.

O aumento de gastos para 2022 é visto pelo mercado como um sinal do enfraquecimento da responsabilidade fiscal. Na tarde desta quinta-feira, o governo fez alterações na PEC dos Precatórios para abrir um espaço de R$ 83 bilhões no orçamento, o suficiente para pagar o Auxílio Brasil.

A decisão levou à demissão de quatro secretários do Ministério da Economia, incluindo o secretário especial do Tesouro e Orçamento, Bruno Funchal. Nas bolsas estrangeiras, os principais papeis brasileiros caíram quase 5%.

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Durante a sua transmissão, Bolsonaro manteve o discurso de que o governo não irá furar o teto de gastos e que as novas despesas cabem no orçamento.

“E nós, por que buscamos cumprir o teto de gastos? Porque não queremos o desequilíbrio das finanças no Brasil. Vem o desequilíbrio, a inflação explode, todo mundo perde com isso. Tem gente botando fogo, lenha na fogueira. Quer resolver o problema do Brasil ou quer derrubar o presidente? Você que está botando lenha na fogueira: diga o que tem que fazer. Quem sabe temos uma boa ideia”, afirmou.

O espaço no orçamento, entretanto, só foi criado em razão de uma mudança nas regras do teto de gastos. Aliada ao adiamento da quitação dos precatórios, a PEC abriu uma folga de R$ 83 bilhões no Orçamento de 2022, o que e permitirá ao governo gastar mais no ano eleitoral. Além disso, a proposta permite um gasto de até R$ 15 bilhões fora do teto em 2021.

As mudanças permitirão o pagamento do novo Auxílio Brasil no valor de R$ 400. Mas também abrem espaço para despesas com emendas parlamentares e outros gastos.

Entre esses outros gastos deve entrar também um auxílio de R$ 400 a cerca de 750 mil caminhoneiros. Preocupado com o persistente aumento do preço dos combustíveis, Bolsonaro quer pagar esse valor aos caminhoneiros para compensar um novo reajuste no preço do diesel.

Segundo o presidente, o valor pago pelo programa deve ficar abaixo de R$ 4 bilhões por ano. Ao comentar sobre o assunto, Bolsonaro criticou “secretários” e integrantes da equipe econômica que seriam contra o projeto. O presidente, entretanto, não citou o nome de Bruno Funchal ou de José Mauro Coelho, secretário de Petróleo, Gás Natural e Biocombustível do Ministério de Minas e Nergia.

“Agora, tem secretário, como acontece às vezes que tem um ministro, tem secretário que quer fazer valer sua vontade. Então o ministro deu uma decisão: vamos gastar dentro do teto, porque as reformas continuam, a gente espera que a administrativa continue, a tributária continuem”, disse Bolsonaro.

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