Alfabetização fortalece a cidadania e abre caminhos para novas oportunidades
Publicado em 05/09/2026 às 07:10
Foto: Magnific
A alfabetização vai muito além do aprendizado das primeiras letras. Ler, escrever, interpretar informações e utilizar esses conhecimentos no cotidiano são habilidades fundamentais para a participação na sociedade e para o desenvolvimento ao longo da vida. É por isso que o Dia Mundial da Alfabetização, celebrado em 8 de setembro, chama atenção para a importância desse direito e para os desafios ainda existentes.
No Brasil, uma das principais iniciativas voltadas à alfabetização infantil é o Compromisso Nacional Criança Alfabetizada (CNCA). Coordenada pelo Ministério da Educação (MEC), a política estabelece como objetivo garantir que as crianças estejam alfabetizadas até o final do 2º ano do ensino fundamental. A iniciativa também busca reduzir desigualdades educacionais e fortalecer a cooperação entre União, estados e municípios.
Os resultados mais recentes indicam uma evolução nesse processo. Em 2025, 66% das crianças brasileiras estavam alfabetizadas na idade esperada, índice que superou a meta estabelecida para aquele ano. A expectativa é manter o avanço e alcançar, até 2030, mais de 80% das crianças alfabetizadas ao final do 2º ano do ensino fundamental.
Outro indicador que demonstra essa evolução é a taxa de analfabetismo registrada pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua 2025), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O índice chegou a 4,9%, uma redução em relação aos 6,7% registrados em 2016, primeiro ano da série histórica mencionada.
Embora o início da alfabetização esteja associado aos primeiros anos do ensino fundamental, o desenvolvimento das habilidades de leitura e escrita começa ainda na infância e continua durante toda a trajetória escolar. O contato com livros, o estímulo à curiosidade e a participação da família podem contribuir para que as crianças desenvolvam essas capacidades desde os primeiros anos de vida.
Segundo a secretária de Educação Básica do MEC, Kátia Schweickardt, a participação dos familiares é importante para preparar as crianças para a aprendizagem formal. O contato precoce com livros e histórias, aliado ao diálogo e ao incentivo à curiosidade, pode favorecer o desenvolvimento da linguagem e da capacidade de compreensão.
Escola e família atuam juntas
A participação da família não substitui o trabalho da escola, mas pode complementá-lo. A aproximação entre responsáveis e professores permite acompanhar melhor o desenvolvimento dos estudantes, identificar possíveis dificuldades e ampliar as oportunidades de contato com a leitura e a escrita.
Um exemplo é o cineasta Renan Montenegro, que criou com o filho Santiago, desde os primeiros anos de vida, uma rotina de leitura. Além de reservar momentos para contar histórias, a família também buscou estimular a conversação e o desenvolvimento do vocabulário. Atualmente, aos oito anos, Santiago recebe um novo livro todos os meses, mantendo o contato frequente com a literatura.
Responsabilidade compartilhada
A alfabetização é uma responsabilidade dividida entre os diferentes níveis de governo. Os municípios possuem papel central na execução das políticas educacionais, enquanto a União atua na coordenação nacional, oferecendo assistência técnica e financeira e apoiando a formação de profissionais da educação.
Os estados, por sua vez, participam desse processo em regime de colaboração, oferecendo apoio técnico aos municípios e articulando iniciativas destinadas a garantir maior equidade e qualidade educacional.
Nesse cenário, os professores também exercem uma função essencial. Para o coordenador-geral de Alfabetização do MEC, João Paulo Mendes, é necessário considerar as características, potencialidades e dificuldades de cada grupo de estudantes para definir estratégias pedagógicas adequadas.
Alfabetização também para quem voltou a estudar
O direito à alfabetização não se restringe às crianças. Para jovens, adultos e idosos que não tiveram a oportunidade de concluir seus estudos, a Educação de Jovens e Adultos (EJA) representa uma possibilidade de retomada da trajetória escolar.
A modalidade atende pessoas com diferentes níveis de escolarização e alfabetização. Podem participar estudantes a partir dos 15 anos que não concluíram o ensino fundamental e pessoas a partir dos 18 anos que não concluíram o ensino médio.
Por reunir estudantes com experiências de vida, trajetórias escolares e conhecimentos muito diferentes, a EJA utiliza práticas pedagógicas adaptadas à realidade dos alunos. A proposta valoriza os conhecimentos adquiridos ao longo da vida e busca relacionar os conteúdos escolares às situações do cotidiano.
Para a professora Dayanne Sousa, que atua no Centro de Educação de Jovens e Adultos da Asa Sul, em Brasília, esse vínculo com a realidade dos estudantes é fundamental. Segundo ela, quando o ensino faz sentido para a vida cotidiana dos alunos, o processo de aprendizagem se torna mais significativo e pode contribuir para que eles reconheçam sua própria capacidade de aprender.
Políticas públicas ampliam o acesso à EJA
Entre as políticas voltadas à educação de jovens e adultos está o Pacto Nacional pela Superação do Analfabetismo e Qualificação da Educação de Jovens e Adultos (Pacto EJA). A iniciativa é desenvolvida de maneira colaborativa pelo MEC, pela União, pelos estados, pelo Distrito Federal e pelos municípios.
O programa busca elevar a escolaridade da população, ampliar a oferta de vagas na EJA e aumentar as oportunidades de integração entre essa modalidade de ensino e a educação profissional.
Uma das iniciativas relacionadas ao Pacto é o Cadastro da EJA (CadEJA), plataforma destinada a identificar a demanda por turmas nos municípios e estados e localizar instituições que oferecem a modalidade. Dessa forma, a ferramenta pode facilitar o contato entre as redes de ensino e as pessoas interessadas em retomar os estudos.
A alfabetização, portanto, deve ser compreendida como um processo contínuo e como um direito que acompanha diferentes etapas da vida. Ao ampliar o acesso à leitura, à escrita e à educação, políticas públicas, escolas e famílias contribuem não apenas para o desenvolvimento acadêmico, mas também para a participação social e para o exercício da cidadania.
Texto: Ministério da Educação