POMERANA

Coluna Pomerana

Os pomeranos e o seu vínculo com a terra

Publicado em 26/07/2017 às 17:14

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Está mais do que comprovado que o “povo pomerano” historicamente sempre teve e continua tendo um forte vínculo com a terra. Durante os séculos passados na sua região de origem, na Europa, sempre foram pequeno agricultores ou servos de proprietários de terras. Ou seja, de uma forma ou outra sempre retiraram o seu sustento da terra.

Os imigrantes que chegaram no Brasil durante a segunda metade do século XIX deram seguimento a uma atividade da qual acreditavam ter conhecimento: a agricultura. Lógico, saídos de terras planas já sem florestas, com muita água e muitos rios, tiveram que enfrentar a selva tropical com seus hercúleos desafios. Inicialmente no Estado de Espirito Santo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul e em um segundo momento, já em suas migrações internas ao chegarem nos estados de Paraná e Rondônia.

Já há diversos estudos que evidenciam estas modificações, ou melhor, estas complexas adequações culturais decorrentes do próprio processo migratório e de aculturação. Pode-se dizer que a sua fixação nas glebas inicialmente foi feita de uma forma absolutamente amadorística. Isto fez com que também os futuros deslocamentos para seus novos assentamentos muitas vezes tivessem que ser feitos com recursos levantados dos próprios pomeranos. Este expediente em muitas regiões passou a ser conhecido como “jundamint” (derivado de ajuntamento) ou seja, reunindo forças entre os iguais para que se pudesse atingir um determinado resultado.

Eram referências que se constituíram em verdadeiros pilares de um comportamento social e que passaram a caracterizar todo o grupo: Havia uma parceria que os ajudava a enfrentar as adversidades. Havia um forte vínculo religioso essencialmente luterano. E a agricultura representava o seu meio de sustento. Estes referenciais culturais nortearam a sua vida durante praticamente todo o primeiro século de desenvolvimento das comunidades pomeranas no Brasil.

Na medida em que entendemos a importância que a vida na igreja sempre teve no dia-a-dia dos pomeranos, passamos a compreender o seu papel aglutinador e até de referência nas suas manifestações culturais. O comparecimento ao culto se constitui em algo muito importante, pois no seu “entorno” há um espaço para encontros com parentes e amigos, há oportunidades para o fechamento de negócios e há espaço para a troca de informações. Ou seja, estar presente nos cultos significa participar dos “eventos da sua igreja”. Pois, como alguém certa vez me disse, a “igreja faz parte do ser do pomerano como o bater do seu coração representa a vida no seu corpo”. Com isto, uma série se decisões tomadas em função do seu vínculo religioso passam a ter reflexos no seu cotidiano, ou seja, no pensamento cultural, na agricultura, na culinária e na própria maneira de ser deste povo.

Dentro deste mesmo princípio, quem sabe, embasado no histórico de uma eventual vinculação com suas antigas crenças e deuses pagãos da era pré-cristã, haja outras explicações para este forte vínculo com a natureza e, por conseguinte, com a terra. Já em tempos mais recentes, elementos como a diversidade na agriculturas em decorrência de um penoso aprendizado no início da imigração e a constatação de que os excedentes não comercializáveis das propriedades possam ser utilizados na alimentação de aves e gado ou até no processo de adubação da plantação conduziram a um aprimoramento do agronegócio.

Concomitantemente, mesmo que muito aos poucos, foi surgindo um sentimento de maior valorização da própria cultura e também de um sentimento de maior aceitação do pomerano pela sociedade brasileira em geral.

Um resgate dos valores destas “pessoas da terra” com seus traços culturais muito próprios, sobretudo a partir do gradativo acesso ao rádio e à televisão a partir de 1970 fez com que um maior conhecimento inundasse as comunidades antes relativamente isoladas. Com isto, pessoas antes “retidas” no campo passaram a ter acesso a formação acadêmica e a cargos públicos.

Hoje a terra continuou sendo a fonte de riqueza e de alimentação da maior parte deste povo e o incentivo ao resgate da cultura pomerana mostra que a cada dia que passa se amplia o seu leque de conhecimento e de diversidade profissional.

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