Resíduos da agricultura, pecuária e saneamento podem gerar energia limpa no ES

Publicado em 14/08/2026 às 08:12

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Foto: Divulgação/FINDES

Resíduos gerados pela pecuária, agricultura e saneamento podem se transformar em energia limpa, novos negócios e oportunidades de emprego e renda no Espírito Santo. É o que apontam os resultados preliminares de um estudo desenvolvido pelo OBSERVATÓRIO FINDES, que estima um potencial de produção de cerca de 317 milhões de Nm³ de biogás por ano no Estado.

Os dados fazem parte do projeto “Economia Verde no Espírito Santo: Impactos Socioeconômicos e Estratégias para um Ecossistema de Negócios Baseado em Biomassa”, desenvolvido pela Federação das Indústrias do Espírito Santo (FINDES), por meio do OBSERVATÓRIO FINDES, em parceria com o Bandes e a Open Society Foundations. Os primeiros resultados foram apresentados nesta quarta-feira (12), na sede da FINDES, em Vitória.

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O estudo avalia como a biomassa disponível nos 78 municípios capixabas pode ser aproveitada para a produção de biogás e biometano, combustível renovável que pode substituir fontes fósseis em diferentes atividades. A análise também busca identificar oportunidades de investimentos e novos negócios relacionados à economia de baixo carbono.

Dos 317 milhões de Nm³ estimados anualmente, 42% têm origem na pecuária, 33% na agricultura e 25% no saneamento. Com isso, 75% do potencial de produção de biogás no Espírito Santo está relacionado às atividades agropecuárias.

Além de calcular o volume potencial de produção, o levantamento considera a localização e as características da biomassa, os possíveis consumidores, a infraestrutura, a logística e as condições regulatórias necessárias para transformar os recursos disponíveis em projetos e negócios.

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Para realizar a análise territorial, o Estado foi dividido em oito Regiões Geográficas Imediatas, conforme recorte adotado pelo IBGE. Os resultados preliminares mostram que cada região possui características próprias de produção, disponibilidade de biomassa, infraestrutura e mercado.

Segundo a economista-chefe da FINDES e gerente-executiva do OBSERVATÓRIO FINDES, Marília Silva, o objetivo é identificar onde o potencial está concentrado e quais condições precisam ser desenvolvidas para viabilizar novos projetos.

“Não é apenas dimensionar quanto de biogás poderia ser produzido no Espírito Santo, mas entender onde esse potencial está concentrado, quais biomassas estão disponíveis e quais condições precisam ser desenvolvidas para transformá-lo em projetos e negócios”, explica.

Um dos desafios apontados pelo estudo é a distância entre as áreas produtoras de biomassa e os principais consumidores de energia. Grande parte dos resíduos agropecuários está localizada no interior do Estado, enquanto uma parcela significativa da demanda está concentrada nos polos industriais, especialmente na Grande Vitória.

A conexão entre produção e consumo exige investimentos em logística e infraestrutura, mas também pode abrir espaço para novos projetos e soluções voltadas ao aproveitamento da biomassa.

Próximas etapas

Na próxima fase, o estudo vai aprofundar a análise dos chamados Polos Agroindustriais de Biomassa, identificando áreas com melhores condições para a implantação de projetos de biogás e biometano. A proposta também é compreender as características, necessidades e dinâmica econômica de cada território.

O projeto possui ainda uma segunda frente, voltada aos chamados empregos verdes. A iniciativa vai analisar como a transição para uma economia de baixo carbono pode impactar o mercado de trabalho capixaba, identificando setores, ocupações e regiões relacionadas às atividades verdes.

Também serão avaliados os efeitos de investimentos em descarbonização sobre produção, emprego e renda ao longo das cadeias produtivas.

Para o presidente da FINDES, Paulo Baraona, o levantamento pode contribuir para aproximar o potencial dos territórios das demandas do setor produtivo.

“Estamos transformando dados em inteligência para identificar oportunidades que conciliem desenvolvimento econômico e sustentabilidade. O Espírito Santo já avança na agenda de descarbonização, e esse trabalho nos ajuda a conectar o potencial dos territórios às demandas da indústria, gerando oportunidades de desenvolvimento, emprego e renda”, afirmou.

Os resultados do projeto poderão servir de apoio a empresas, produtores, investidores e ao poder público na identificação de oportunidades, estruturação de projetos, formulação de políticas e criação de mecanismos de financiamento voltados à economia de baixo carbono no Espírito Santo.

Fonte: FINDES

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