Quanto ganha e quanto custa cada cargo escolhido nas eleições de 2026
Publicado em 30/09/2026 às 08:21
Texto: Bruno Caetano / Foto: Magnific
Nas eleições de 2026, os brasileiros voltam às urnas para escolher quem vai ocupar alguns dos cargos mais importantes da política do país. A disputa envolve poder de decisão, influência sobre políticas públicas e, claro, uma vaga em uma estrutura que é mantida pelo dinheiro do contribuinte.
Ser eleito significa mais do que conquistar uma cadeira ou assumir um gabinete. Dependendo do cargo, o político passa a ter à disposição servidores, veículos, viagens, imóveis, equipamentos e recursos para manter a atividade.
Mas quanto, afinal, custa cada um desses cargos? E quanto recebe quem consegue uma dessas vagas? A resposta varia conforme a função e, no caso de governadores e deputados estaduais, também conforme o estado. Confira o salário e a estrutura disponível para cada cargo escolhido nas eleições de 2026.
Presidente e governador
O presidente da República recebe R$ 46.366,19 por mês, o mesmo valor pago atualmente a senadores e deputados federais. Mas o custo do cargo vai além do salário, já que o presidente conta com uma estrutura pública para trabalhar, viajar, receber autoridades e cumprir compromissos oficiais.
Entre os recursos disponíveis estão as residências oficiais, como o Palácio da Alvorada e a Granja do Torto, além de carros oficiais e aeronave para deslocamentos. O presidente também conta com equipe médica, segurança e apoio administrativo. O cartão corporativo pode ser usado para despesas relacionadas ao funcionamento da Presidência, mas não representa um valor adicional ao salário.
Mesmo após deixar o cargo, ex-presidentes têm direito a uma estrutura prevista em lei, com oito servidores, sendo quatro para segurança e apoio pessoal, dois motoristas e dois assessores. Também há previsão de dois carros oficiais para atender a essa estrutura.
GOVERNADOR – O salário de um governador não é necessariamente igual em todo o país. A Constituição estabelece limites, mas cada estado define a remuneração do próprio governador por meio de sua legislação. O teto é de R$ 46.366,19, o mesmo valor recebido pelo presidente, senador e deputado federal. Há estados em que o governador recebe esse limite e outros em que o valor é menor.
No Espírito Santo, o subsídio mensal do governador é de R$ 36.165,63. Assim como acontece com o presidente, porém, o salário não representa todo o custo relacionado ao cargo. O governador possui uma estrutura de trabalho e segurança para cumprir compromissos oficiais, além de servidores, veículos e outros recursos necessários ao funcionamento do governo estadual.
Essas despesas não são colocadas diretamente no bolso do governador. São gastos relacionados ao funcionamento da administração pública e variam de acordo com o estado, a estrutura disponível e as despesas realizadas.
Quanto custa um parlamentar
Entre os parlamentares, os senadores estão entre os que recebem a maior remuneração. Cada um tem direito a R$ 46.366,19 por mês. Em 2026, serão escolhidos 54 dos 81 senadores que compõem o Senado Federal.
Além do salário, o Senado oferece aos parlamentares uma estrutura de gabinete, assistência médica e odontológica, auxílio-moradia em determinadas situações e recursos para despesas relacionadas ao mandato. Algumas dessas despesas precisam seguir regras específicas e podem ser ressarcidas pela Casa. Considerando o salário e as despesas relacionadas à estrutura do mandato, o custo de um senador pode chegar a cerca de R$ 1,5 milhão por ano, segundo o levantamento do Instituo Contas Abertas.
DEPUTADOS FEDERAIS – Na Câmara dos Deputados, cada deputado federal também recebe R$ 46.366,19 por mês. O valor pode sofrer desconto quando há faltas não justificadas nas sessões deliberativas. O parlamentar também tem direito a uma estrutura para manter o gabinete e exercer suas atividades. Além da remuneração, existem gastos com funcionários, passagens, combustível, aluguel, divulgação da atividade parlamentar e outros itens relacionados ao mandato.
A Câmara mantém uma verba de gabinete para pagar os salários dos secretários parlamentares, que trabalham nos gabinetes dos deputados. Também existe a Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar, usada para despesas como transporte, combustível, hospedagem, aluguel de escritório e outros gastos previstos nas regras da Casa.
Somando o salário e as verbas destinadas à estrutura do mandato, cada deputado federal pode representar um custo de cerca de R$ 2,7 milhões por ano aos cofres públicos, o equivalente a mais de R$ 220 mil por mês. Considerando os 513 deputados da Câmara, a despesa anual pode chegar a aproximadamente R$ 1,4 bilhão. A estimativa reúne a remuneração dos parlamentares e os recursos destinados ao funcionamento dos gabinetes, sem incluir despesas que variam conforme a utilização de serviços e benefícios.
E os deputados estaduais?
No caso dos deputados estaduais, o salário máximo corresponde a 75% do subsídio dos deputados federais. Com o valor atual, o limite chega a R$ 34.774,64 por mês. No Espírito Santo, esse é o valor pago aos parlamentares da Assembleia Legislativa.
Mas o salário é apenas uma parte do custo do mandato. Os deputados estaduais também têm acesso a uma estrutura de trabalho custeada com recursos públicos, que inclui carro e celular à disposição para o exercício da função. Cada parlamentar pode ainda nomear até 19 assessores para trabalhar no gabinete. Esses servidores auxiliam nas atividades do mandato e têm seus salários pagos com recursos públicos.
Os deputados também têm acesso a uma cota de gabinete de R$ 3 mil por mês para despesas relacionadas ao trabalho parlamentar. O recurso pode ser utilizado em gastos como combustível e postagens, conforme as regras estabelecidas pela Assembleia.
Somando a remuneração e as demais despesas relacionadas à estrutura dos mandatos, cada deputado estadual custa, em média, mais de 100 mil por mês aos cofres públicos. Ao longo de quatro anos, o valor chega a R$ 4.779.939,72 por parlamentar.