SUS registra crescimento na realização de mamografias e amplia tratamentos contra o câncer de mama
Publicado em 31/10/2026 às 08:31
Foto: Freepik
Rede pública realizou 4,4 milhões de exames em 2025 e expandiu procedimentos cirúrgicos, radioterapia e quimioterapia, além de investir em tecnologias para agilizar o diagnóstico
O Sistema Único de Saúde (SUS) vem ampliando a oferta de exames e tratamentos destinados ao combate ao câncer de mama. Em 2025, foram realizadas 4,4 milhões de mamografias na rede pública, volume quase 30% superior ao registrado cinco anos antes. No mesmo período, o número de cirurgias relacionadas à doença chegou a 63,6 mil, representando um aumento de 13,7% em comparação com 2023. Outro avanço foi a realização de mais reconstruções mamárias do que mastectomias.
Durante a campanha Outubro Rosa, o Ministério da Saúde reforça a importância da prevenção, da identificação precoce de alterações nas mamas e do conhecimento sobre os serviços oferecidos gratuitamente pelo SUS. O acompanhamento começa nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs), onde os pacientes recebem orientações, passam por avaliações iniciais e, quando necessário, são encaminhados para exames e atendimento especializado.
Mamografia e acesso ao exame na rede pública
A mamografia é um dos principais recursos para identificar alterações nas mamas, inclusive aquelas que ainda não podem ser percebidas pelo toque ou pelo exame clínico. A detecção precoce do câncer aumenta as possibilidades de sucesso do tratamento.
No SUS, mulheres de qualquer idade podem realizar o exame quando houver indicação médica. Já aquelas entre 40 e 74 anos podem ter acesso à mamografia de rastreamento mesmo sem apresentar sintomas. A faixa etária foi ampliada em 2025, quando o público recomendado passou a incluir mulheres de 40 a 74 anos, anteriormente limitado à faixa de 50 a 69 anos.
Para verificar a necessidade do exame e conhecer os procedimentos de acesso, a recomendação é procurar a UBS de referência. Informações sobre casos de câncer na família e histórico pessoal de saúde também são importantes para que os profissionais avaliem a necessidade de acompanhamento específico.
Prevenção e identificação de possíveis sintomas
Alguns hábitos podem contribuir para diminuir o risco de desenvolver câncer de mama. Entre eles estão a prática regular de atividades físicas, a manutenção de um peso adequado e a redução do consumo de bebidas alcoólicas. A amamentação também está associada à diminuição do risco da doença. Essas medidas, entretanto, não garantem proteção absoluta.
É importante observar possíveis mudanças nas mamas, como o surgimento de nódulos na região mamária ou nas axilas, alterações no formato dos mamilos, saída espontânea de secreção e modificações persistentes na pele, incluindo vermelhidão, feridas e aspecto semelhante ao de uma casca de laranja.
Diante de qualquer alteração suspeita, a orientação é procurar uma unidade de saúde sem aguardar a próxima mamografia de rotina. Após a avaliação inicial, a equipe poderá solicitar exames complementares e encaminhar a paciente para atendimento especializado.
Embora o risco aumente com o avanço da idade, a atenção à saúde das mamas é importante em diferentes fases da vida. Em 2025, mulheres com 50 anos ou mais realizaram 2,66 milhões de mamografias de rastreamento pelo SUS, correspondendo a aproximadamente 65% do total e ao maior volume da série histórica. Entre as mulheres de 41 a 49 anos, a quantidade de exames realizados aumentou 25,3% no período analisado.
Unidades móveis levam exames a regiões com menor acesso
Para facilitar o atendimento em localidades com dificuldades de acesso à assistência especializada, o Ministério da Saúde tem utilizado as carretas da Saúde da Mulher, vinculadas ao programa Agora Tem Especialistas.
As unidades móveis podem oferecer mamografias, ultrassonografias, biópsias e consultas, de acordo com a estrutura disponível e a programação de cada local. Mais de 189 mil mulheres foram atendidas nas unidades distribuídas pelas diferentes regiões do país. Nos municípios contemplados, 53 conseguiram eliminar a fila de mamografias.
Desde 2023, foram destinados R$ 409 milhões à aquisição de equipamentos para o diagnóstico e o tratamento do câncer. Outra iniciativa consiste na atualização dos valores pagos por procedimentos especializados, que, dependendo do serviço, podem alcançar até três vezes os valores anteriormente estabelecidos.
Novas estratégias para acelerar o diagnóstico
Quando a avaliação médica ou os exames de imagem apontam uma alteração suspeita, pode ser necessário realizar uma biópsia. Nesse procedimento, uma amostra de tecido é retirada e encaminhada para análise laboratorial. O resultado ajuda a confirmar a presença da doença e a identificar características do tumor relevantes para a definição do tratamento.
Para ampliar a capacidade de diagnóstico, o Ministério da Saúde, o Instituto Nacional de Câncer (Inca) e o A.C.Camargo Cancer Center estruturaram o Super Centro Brasil de Diagnóstico para o Câncer. A iniciativa utiliza recursos de telemedicina na análise de amostras de tecido e tem capacidade projetada para produzir mil laudos diariamente, totalizando até 400 mil exames por ano.
A meta do projeto é reduzir o tempo médio para a emissão do diagnóstico de 25 para cinco dias, o que pode contribuir para diminuir a espera e agilizar o início do tratamento.
Além disso, por meio do Programa Nacional de Apoio à Atenção Oncológica (Pronon), foram destinados R$ 26,16 milhões à aquisição de equipamentos para biópsias guiadas por imagem. A tecnologia permite direcionar a coleta das amostras com maior precisão.
Cirurgias, radioterapia e medicamentos pelo SUS
O tratamento do câncer de mama é definido conforme as características do tumor, o estágio da doença e as condições clínicas da paciente. Entre as opções disponíveis na rede pública estão cirurgias, radioterapia e medicamentos, que podem ser utilizados separadamente ou em conjunto, de acordo com a avaliação da equipe especializada.
Até dezembro de 2026, a previsão é que o SUS disponibilize gratuitamente 23 novos medicamentos oncológicos de alta tecnologia. A rede também incorporou um teste genético de alta precisão para identificar mutações hereditárias relacionadas à doença.
Em 2025, foram realizadas 63,6 mil cirurgias relacionadas ao câncer de mama. Desse total, 19,4 mil foram procedimentos de reconstrução mamária, número superior às 18,3 mil mastectomias realizadas no mesmo ano.
Atualmente, o SUS conta com 176 hospitais habilitados para oferecer assistência oncológica de alta complexidade. Para ampliar a oferta de reconstruções mamárias, o valor de referência do procedimento passou de R$ 700 para R$ 4,5 mil, com investimentos de R$ 40,2 milhões. O serviço contempla situações em que há retirada total ou parcial da mama.
A oferta de outros tratamentos também cresceu. Entre os procedimentos de radioterapia, o número passou de 164,7 mil para 189,9 mil, um aumento de aproximadamente 15%. Já os procedimentos de quimioterapia avançaram de 4,1 milhões para 4,7 milhões, também representando crescimento de cerca de 15%.
Acompanhamento deve ocorrer durante todo o ano
A ampliação dos exames, dos serviços especializados e das alternativas terapêuticas busca melhorar o acesso ao cuidado e favorecer o diagnóstico em fases iniciais da doença.
As Unidades Básicas de Saúde continuam sendo a principal porta de entrada para quem precisa de orientação, avaliação ou encaminhamento. Por isso, o acompanhamento preventivo e a atenção a possíveis alterações devem fazer parte dos cuidados de saúde durante todo o ano, e não apenas no período da campanha Outubro Rosa.
Fonte: Ministério da Saúde