Domingos Martins, a Suíça das Montanhas Capixabas

Folha Pomerana Express , 28 Janeiro 2020

Domingos Martins, a Suíça das Montanhas Capixabas

Depois da reportagem sobre Pomerode, não poderíamos deixar de divulgar um pouco dessa bela cidade, localizada nas montanhas do estado de Espírito Santo.

DMJá na chegada à cidade de Domingos Martins nos deparamos com um belo portal, com certa semelhança ao da cidade de Pomerode. Ambas as cidades contam com uma população constituída em grande parte por descendentes de imigrantes pomeranos. Assim, a semelhança entre os dois portais é mais do que justificada, pois lembra o portão da cidade de Stetin, a antiga capital da Pomerania.

DM02Acessando o site da cidade, podemos ver que, “basta seguir por pouco mais de 50km que você vai deixar as praias da capital Vitória para ser presenteado com o delicioso clima de montanha da cidade de Domingos Martins no Espírito Santo. A “cidade do verde’ como é conhecida, foi berço da imigração alemã, italiana e de pomeranos (alemães originários da Pomerânia, região localizada entre as atuais Polônia e Alemanha). O primeiro grupo chegou à região por volta de 1847. O destino é um misto de romantismo e aventura. A cidade é refúgio de casais, sobretudo nos períodos mais friozinhos e, de quem busca atividades de aventura e ecoturismo. Mas o que fazer em Domingos Martins? Por lá, focamos nosso roteiro no Centro (Campinho) e no Parque Estadual da Pedra Azul. Vem com a gente!”

Primeiras povoações

“Barcelos (Aracê) e Melgaço foram as primeiras povoações no atual Município de Domingos Martins. Os locais se oficializaram em 1832 (lei da foto). Nas localidades, na estrada que ligava Minas Gerais ao ES, foram instalados quartéis com o objetivo de oferecer segurança ao transeuntes e tropeiros. Isto aconteceu 15 anos antes dos colonos alemães chegarem aqui. Algumas das famílias mais antigas em Domingos Martins são Pereira e Espíndula oriundas de Urucrânia, próxima à Ponte Nova e provavelmente chegaram aqui através da Rota Imperial e se instalaram em Melgaço.

Imigração

Era o ano de 1846. Chegava na Alemanha, na Região do Hunsrück, um funcionário do Governo Imperial do Brasil com a finalidade de recrutar colonos para as terras brasileiras.

Logo a notícia se espalhou por todas as partes. Os alemães que lá viviam, em péssimas condições de vida, animaram-se, e a primeira providência foi vender todos os seus pertences para, então, seguirem viagem para a América do Sul, onde se prometia uma vida mais digna. Embarcaram em Dunquerque, na França, e após 70 dias de viagem chegaram ao Rio de Janeiro.

Depois de passarem por várias decepções no Rio de Janeiro, conseguiram audiência com o Imperador D. Pedro II que providenciou três vapores para o transporte até Vitória, muito embora o destino fosse o Sul do Brasil. A 1ª leva chegou à capital do Espírito Santo no dia 21 de dezembro de 1846. Permaneceram alguns dias em Vitória e, então, seguiram para a Colônia de Santa Isabel, a 1ª fundada em solo capixaba pelo Dr. Luiz Pedreira do Couto Ferraz que era o Presidente da Província do Espírito Santo.

DM03Os colonos foram subindo as margens do Rio Jucu, Braço Norte, e se instalaram, em 27 de janeiro de 1847, na Serra da Boa Vista. Eram 39 famílias, sendo 16 Evangélico-Luteranas e 23 Católicas.

A primeira capela foi logo construída no morro de Boa Vista onde pretendiam também construir a vila. Ali ficaram cerca de 10 anos. Alguns por questão de clima, subiram mais e foi então que as famílias católicas ficaram em Santa Isabel e as luteranas prosseguiram um pouco mais e chegaram a um lugar plano entre as montanhas o qual denominaram de Campinhoberg - Morro do Campinho. Em 1852 a primeira igreja católica foi consagrada na vila de Santa Isabel e tinha como Padroeiro São Bonifácio.

DM04E entre os anos de 1858 e 1860, no lugar Campinho os luteranos iniciaram a construção de seu templo. Antes, porém, construíram uma pequena capela no centro de terreno onde hoje se localiza o cemitério e, enquanto se erguia a nova igreja, os cultos eram celebrados ora lá, ora em residências dos colonos. Quando D. Pedro II visitou a colônia em 30-01-1860, mencionou a existência dessa pequena capela que ficava próxima à residência do diretor da colônia, hoje residência da família Barcelos, no condomínio Vivendas do Imperador, e no caminho do morro do Chapéu. Mencionou ainda, que a viúva do Pastor Held se encontrava em péssimas condições financeiras devido à morte do esposo. (Ver parágrafo 3º página 106 do livro - Viagem de D. Pedro II ao Espírito Santo - Autor: Levy Rocha - 1960, 2ª Edição – 1980).

A Colônia foi progredindo gradativamente e logo emancipou-se de Viana. Foi elevada à condição de Freguesia em 1869 e Distrito Policial em 1878.

No dia 20 de outubro de 1893, o município de Santa Isabel desmembrou-se de Viana através do Decreto Estadual nº 29. Sua instalação deu-se no local denominado Campinho em 19 de dezembro do mesmo ano. Em 26 de junho de 1896, por causa da malária, a sede do município foi transferida para Santa Isabel pelo Decreto Municipal nº 19, retornando para Campinho em 1917.

Em 20 de dezembro de 1921 o nome do Município foi mudado para Domingos Martins em homenagem ao herói Capixaba Domingos José Martins, que nasceu em 9 de maio de 1781 no Município de Itapemirim e participou como líder da Revolução Pernambucana, tendo sido fuzilado em 12 de junho de 1817 na Bahia. Suas últimas palavras foram: "Morro pela liberdade".

 

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