Produtores brasileiros já sentem impactos da tarifa imposta pelos EUA

Publicado em 15/07/2025 às 09:41

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Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Produtores brasileiros estão em alerta e aguardam reuniões com o governo federal para discutir medidas diante da tarifa de 50% sobre todas as exportações brasileiras aos Estados Unidos, anunciada pelo presidente norte-americano Donald Trump. A taxação começa a valer em 1º de agosto e já impacta setores estratégicos da economia nacional.

Um dos segmentos mais afetados é o de pescados. Segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Pescados (Abipesca), 58 contêineres com 1.160 toneladas de produtos tiveram as vendas canceladas e precisarão retornar aos produtores. “Esses embarques chegariam aos EUA já sob a nova tarifa. Com isso, os compradores suspenderam as compras”, explicou o diretor executivo da Abipesca, Jairo Gund.

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Os Estados Unidos respondem por cerca de 70% do mercado externo brasileiro de pescados, sendo destino de 90% da tilápia exportada. Os contêineres afetados contêm produtos congelados. Já os frescos, enviados por via aérea, seguem sendo comercializados normalmente.

O impacto atinge, sobretudo, os produtores mais vulneráveis. “O principal item de exportação é a lagosta, um produto artesanal feito por comunidades tradicionais. Quem vai sofrer não é quem consome, mas quem produz”, destacou Gund.

A Abipesca participa nesta terça-feira (15) de reunião com o vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin. A principal reivindicação é o adiamento da tarifa por pelo menos 90 dias, para permitir o escoamento da produção já contratada. A entidade também defende a exclusão dos pescados da taxação, já que o Brasil representa menos de 1% das importações americanas do setor.

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Outros setores acompanham com cautela

Os citricultores também aguardam os próximos desdobramentos. “Temos que deixar o governo negociar. Uma boa conversa vale mais do que uma má discussão”, avaliou Antonio Carlos Simonetti, presidente da Câmara Setorial da Citricultura de São Paulo. Os EUA compram mais de 40% do suco de laranja exportado pelo Brasil, que é o maior fornecedor mundial do produto.

No setor cafeeiro, o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) participa de uma série de reuniões com o governo federal, estados, entidades e parlamentares. Na quarta-feira (16), o Cecafé divulgará o desempenho das exportações do café no encerramento do ano-safra 2024/25.

O café está entre os dez principais produtos exportados pelo Brasil, sendo que apenas o café torrado representa 4,7% dessas vendas.

Indústria cobra resposta firme

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) alertou, em nota, que o cenário exige “ações enérgicas e contundentes” para reverter a decisão americana. A entidade defende moderação nas relações diplomáticas e negociações que garantam a revogação da tarifa.

Para a CNI, a taxação compromete contratos de longo prazo, afeta cadeias produtivas e ameaça empregos tanto no Brasil quanto nos EUA. “A medida lança incertezas sobre investimentos em curso e prejudica a competitividade dos dois países”, afirma o comunicado.

Governo cria comitê de resposta

Diante do anúncio dos EUA, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou, nesta segunda-feira (14), a criação do Comitê Interministerial de Negociação e Contramedidas Econômicas e Comerciais, com foco em proteger a economia nacional. O grupo será instituído por decreto com base na Lei de Reciprocidade Econômica (Lei 15.122/25).

O comitê realizará sua primeira reunião nesta terça-feira (15) com representantes da indústria, e a segunda, no mesmo dia, com lideranças do agronegócio. A expectativa é de que o decreto de regulamentação da lei seja publicado ainda hoje.

A Lei de Reciprocidade permite ao governo suspender concessões comerciais, investimentos e obrigações relativas à propriedade intelectual em resposta a medidas unilaterais de países ou blocos que prejudiquem a competitividade brasileira.

Fonte: Mariana Tokarnia – Repórter da Agência Brasil

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