Projeto de agricultores de Boa Esperança conquista Prêmio Biguá Sustentabilidade 2026
Publicado em 05/11/2026 às 08:02
Foto: Divulgação/Incaper
Uma experiência de recuperação ambiental e produção sustentável desenvolvida pelo casal de agricultores Antônio Silva Capeline e Nilsa dos Santos Silva, em Boa Esperança, conquistou o Prêmio Biguá Sustentabilidade 2026, na Regional Noroeste, promovido pela Rede Gazeta. A iniciativa, acompanhada pelo Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), também teve o Instituto reconhecido pela atuação no projeto.
Intitulada “Da Regeneração à Sustentabilidade: Biodiversidade, Meliponicultura, Agrofloresta e Produção de Alimentos Saudáveis”, a iniciativa integra conservação ambiental, regeneração natural, quintal agroflorestal, criação de abelhas nativas sem ferrão, produção agroecológica e educação ambiental.
O trabalho começou em 1983, quando Antônio e Nilsa passaram a permitir a regeneração natural de aproximadamente 10 hectares de uma propriedade de 18,98 hectares, anteriormente utilizados para cultivo e pastagem. Desde então, a área vem passando por um processo contínuo de recuperação da vegetação e fortalecimento da biodiversidade.
Atualmente, a propriedade reúne um quintal agroflorestal, um meliponário com 16 colmeias de abelhas nativas sem ferrão e uma horta agroecológica conduzida sem utilização de agrotóxicos.
Um levantamento florístico realizado em maio de 2026 identificou 183 espécies vegetais pertencentes a 55 famílias botânicas. Entre as espécies nativas, 17 apresentam elevado potencial de fornecimento de pólen e néctar às abelhas, sendo 47,1% classificadas com potencial muito alto e 52,9% com potencial alto.
Os dados contribuem para orientar o manejo do meliponário e reforçam a importância da diversidade vegetal na conservação dos polinizadores, aproximando o conhecimento técnico das práticas desenvolvidas no campo.
Produção sustentável e geração de renda
Além dos benefícios ambientais, a experiência também apresenta resultados sociais e econômicos. Os alimentos produzidos na horta são destinados ao consumo familiar e à comercialização por meio de programas institucionais, como o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), ambos do Governo Federal, e o Compra Direta de Alimentos (CDA), do Governo do Espírito Santo.
A produção também abastece feiras livres e outros canais de comercialização locais, contribuindo para a geração de renda da família e o fornecimento de alimentos produzidos na região.
Na rotina da propriedade, Antônio é responsável principalmente pelo manejo do meliponário, enquanto Nilsa participa das atividades produtivas, especialmente da horta agroecológica.
Incaper acompanha e orienta a iniciativa
A propriedade recebe acompanhamento técnico do Incaper, por meio dos extensionistas Ivanildo Schmith Kuster, Elmo Pereira Ramos e Emanoel Chequetto. O trabalho envolve orientações sobre produção sustentável, agroecologia, conservação ambiental e educação.
“O prêmio é um reconhecimento para essa família defensora da preservação ambiental. Ficamos felizes pela repercussão em toda a sociedade, que seja um projeto inspirador e multiplicador”, destaca o extensionista Ivanildo Schmith Kuster.
A iniciativa também conta com a participação do Sindicato Rural e do Grupo de Agroecologia Esperança Viva, de Boa Esperança, ampliando a troca de conhecimentos e experiências entre agricultores e instituições.
Propriedade se transforma em espaço de aprendizagem
A experiência desenvolvida por Antônio e Nilsa também se tornou referência para atividades educativas. Em parceria com professores do Centro Estadual Integrado de Educação Rural (CEIER), técnicos do Incaper promovem ações com estudantes do Curso Técnico em Agropecuária, utilizando a propriedade como espaço de estudo e aprendizagem prática.
O local já recebeu professores, técnicos, integrantes do Grupo de Agroecologia Esperança Viva e outros visitantes interessados em conhecer as práticas adotadas.
Além dos resultados dentro da propriedade, a iniciativa também influencia o entorno, incentivando vizinhos e outros agricultores a valorizar a conservação ambiental e incorporar práticas produtivas mais sustentáveis.
A conquista do Prêmio Biguá Sustentabilidade 2026 reforça o reconhecimento de uma experiência que, ao longo de décadas, demonstra como a recuperação da biodiversidade pode caminhar junto com a produção de alimentos, a geração de renda e a educação ambiental.
Fonte: Gerência de Transferência de Tecnologia e Conhecimento (GTTC) do Incaper