Ministério da Saúde suspende temporariamente vacinação com imunizante do Butantan contra dengue
Publicado em 09/06/2026 às 08:28
Foto: João Risi/MS
O Ministério da Saúde anunciou, nesta segunda-feira (8), a suspensão temporária da estratégia de vacinação com a vacina Butantan-DV contra a dengue. A medida foi adotada de forma preventiva após a identificação de eventos adversos raros que não haviam sido observados durante os estudos clínicos realizados para aprovação do imunizante.
A decisão foi tomada em conjunto com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e tem como objetivo permitir uma investigação mais aprofundada dos casos registrados pela farmacovigilância, sistema responsável pelo monitoramento da segurança de vacinas e medicamentos após sua utilização em larga escala.
De acordo com o Ministério da Saúde, foram registrados 42 casos com sinais de alerta, entre eles dor abdominal intensa, vômitos persistentes e sangramentos. Desses, três evoluíram para quadros graves, incluindo dois óbitos. Os episódios representam cerca de 0,008% das mais de 500 mil doses aplicadas até o dia 30 de maio.
Até o momento, não há comprovação de que os casos tenham sido causados pela vacina. Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, a suspensão segue o princípio da precaução e demonstra o compromisso das autoridades sanitárias com a segurança da população.
“A medida permite que o Ministério da Saúde, a Anvisa e o Instituto Butantan aprofundem a investigação dos casos, especialmente dos óbitos registrados, para os quais ainda não há informações suficientes que permitam estabelecer uma relação de causalidade com a vacina”, afirmou o ministro.
A estratégia de vacinação com a Butantan-DV começou em janeiro deste ano e contemplava profissionais da Atenção Primária à Saúde e pessoas entre 15 e 49 anos residentes nos municípios de Botucatu (SP), Maranguape (CE) e Nova Lima (MG), além da região de Araguaína, no Tocantins.
Investigação segue protocolos internacionais
O Ministério da Saúde destacou que a identificação de sinais de alerta após a introdução de uma vacina na rede pública faz parte dos protocolos internacionais de farmacovigilância. Antes de ser incorporada ao Sistema Único de Saúde (SUS), a Butantan-DV passou por todas as etapas exigidas pelos órgãos reguladores, incluindo estudos clínicos que avaliaram sua segurança e eficácia.
A suspensão temporária foi discutida e recomendada pelo Comitê Interinstitucional de Farmacovigilância de Vacinas e outros Imunobiológicos (Cifavi) e pela Câmara Técnica de Assessoramento em Imunização (Ctai), grupos compostos por representantes do Ministério da Saúde, da Anvisa e especialistas da área.
O governo federal reforçou que a medida não invalida os resultados obtidos nos estudos clínicos nem altera as evidências de proteção observadas até o momento. Segundo os dados apresentados, a vacina demonstrou eficácia geral de 65% contra a doença e de 80,5% contra casos graves.
Orientação para quem já foi vacinado
As pessoas que receberam a vacina continuam consideradas protegidas contra os quatro sorotipos da dengue. No entanto, a recomendação é que observem seu estado de saúde por até 21 dias após a aplicação.
Em caso de sintomas como febre, dor abdominal intensa, vômitos persistentes, sangramentos, tontura, sonolência excessiva, sinais de desidratação ou piora do estado geral, a orientação é procurar atendimento médico imediatamente.
As equipes de saúde também foram orientadas a reforçar o monitoramento de pacientes vacinados que apresentem sintomas compatíveis com dengue, além de intensificar a notificação de casos suspeitos e garantir encaminhamento rápido para atendimento especializado quando necessário.
Vacinação contra dengue continua no SUS
Apesar da suspensão da Butantan-DV, o SUS mantém a vacinação contra a dengue para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos com a vacina Qdenga, utilizada na rede pública desde 2024. Segundo o Ministério da Saúde, cerca de 8 milhões de doses já foram aplicadas no país.
Casos e mortes por dengue seguem em queda
O Ministério da Saúde informou que o Brasil registrou redução expressiva nos indicadores da doença em 2026. Até o fim de maio, foram contabilizados cerca de 365 mil casos prováveis de dengue, número 94% inferior ao registrado no mesmo período de 2024, quando o país enfrentou uma das maiores epidemias da história, com 5,8 milhões de casos.
O número de mortes também apresentou queda de 97%, passando de mais de 6,3 mil óbitos em 2024 para 178 registros neste ano.
Além da vacinação, o governo federal mantém ações de vigilância epidemiológica, combate ao mosquito Aedes aegypti, distribuição de insumos para controle vetorial, capacitação de profissionais de saúde e campanhas de conscientização da população.
As autoridades reforçam que a eliminação de criadouros do mosquito continua sendo uma das principais medidas para reduzir a transmissão da doença, com a recomendação de evitar o acúmulo de água parada em recipientes, manter caixas d’água fechadas e permitir o trabalho dos agentes de combate às endemias.
Fonte: Ministério da Saúde