Pesquisa da Ufes relaciona padrões alimentares à ocorrência de depressão em adultos

Publicado em 31/08/2026 às 09:18

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Foto: Magnific

Uma pesquisa desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Nutrição e Saúde (PPGNS) da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) identificou uma associação entre padrões de ingestão de nutrientes e o diagnóstico de depressão em adultos. Os resultados indicam que determinados perfis alimentares podem estar relacionados tanto ao aumento quanto à redução da probabilidade de ocorrência do transtorno.

O estudo analisou dados de 7.617 participantes do projeto Coorte de Universidades de Minas Gerais Plus (Cume+), sendo 67,9% mulheres e 32,1% homens. As informações foram coletadas entre 2016 e 2022, com participantes das cinco regiões brasileiras. Do total, 13,2% relataram ter recebido diagnóstico de depressão, percentual semelhante ao identificado em outros estudos realizados no país.

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A pesquisa foi conduzida pelo mestre João Vitor dos Santos, sob orientação do professor José Luiz Rocha, do PPGNS/Ufes. Por meio de métodos estatísticos, os pesquisadores identificaram dois principais padrões de consumo de nutrientes.

Um deles, marcado pela maior ingestão de alimentos de origem animal, esteve associado a uma maior probabilidade de diagnóstico de depressão. Já o segundo, classificado pelos pesquisadores como um padrão anti-inflamatório, apresentou efeito protetor: participantes que apresentavam esse perfil alimentar tiveram cerca de 25% menos probabilidade de diagnóstico do transtorno.

Entre os alimentos associados ao padrão anti-inflamatório estão frutas, verduras, oleaginosas e grãos integrais, além de itens como abacate, castanhas, aveia, legumes e hortaliças.

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Gorduras saudáveis

O padrão alimentar considerado anti-inflamatório também foi caracterizado por maior consumo de gorduras consideradas saudáveis, como ácidos graxos poli-insaturados, ômega-3, ômega-6 e ácidos graxos monoinsaturados, além de minerais como o selênio. Esses nutrientes estão relacionados ao funcionamento do sistema nervoso.

Segundo os pesquisadores, dietas com maior presença de compostos antioxidantes e anti-inflamatórios podem contribuir para a proteção da saúde mental. Por outro lado, padrões alimentares com maior potencial inflamatório podem estar associados a uma maior probabilidade de desenvolvimento do transtorno depressivo.

“Os resultados reforçam a ideia de que a alimentação deve ser analisada como um conjunto, e não apenas por nutrientes isolados”, afirma João Vitor dos Santos.

O efeito protetor do padrão anti-inflamatório também foi observado em diferentes grupos de participantes, entre eles mulheres, pessoas com excesso de peso e indivíduos sedentários. Para os pesquisadores, o resultado sugere que a alimentação pode atuar como uma estratégia complementar de promoção da saúde mesmo diante da presença de outros fatores de risco.

Apesar dos resultados, o professor José Luiz Rocha ressalta que o estudo não permite estabelecer uma relação de causa e efeito entre alimentação e depressão. Os achados, no entanto, podem contribuir para novas investigações sobre a relação entre padrões alimentares e saúde mental.

“Os achados reforçam o papel da promoção de uma alimentação saudável como estratégia potencial na prevenção e no manejo da depressão”, afirma Rocha.

A pesquisa foi publicada na International Journal of Food Sciences and Nutrition.

O que é o Cume+

O projeto Coorte de Universidades de Minas Gerais Plus (Cume+) é um estudo longitudinal do tipo coorte aberta, no qual os participantes podem entrar ou deixar o grupo acompanhado ao longo do tempo.

O projeto teve início em 2016, com a participação de egressos de universidades federais de Minas Gerais. Em 2023, a Ufes passou a integrar a iniciativa, juntamente com universidades do Paraná e do Rio Grande do Sul. Os participantes são ex-alunos dessas instituições.

O Cume+ tem como objetivo avaliar a relação entre padrões alimentares, a transição nutricional brasileira e a ocorrência de doenças crônicas não transmissíveis.

Veja esta e outras pesquisas da Ufes no site Revista Universidade.

Fonte: Ufes

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