Marechal Floriano celebra 35 anos de emancipação e 164 anos de história neste sábado (31)
Publicado em 31/10/2026 às 11:24
Marechal Floriano, celebra neste sábado (31) três marcos importantes de sua trajetória: 35 anos de emancipação político-administrativa, 126 anos da denominação Marechal Floriano e 164 anos de história. A data marca a conquista da autonomia em relação a Domingos Martins e resgata um passado ligado à colonização, à ferrovia e à formação cultural da região.

Para o prefeito Junior Lovatti, a comemoração representa o reconhecimento das gerações que participaram da construção do município e a renovação do compromisso com o futuro da cidade. Ele destacou a contribuição das famílias, dos trabalhadores e dos moradores que ajudaram a consolidar a identidade florianense.
“Celebrar os 35 anos de emancipação político-administrativa é celebrar a força, a coragem e os sonhos de um povo que ajudou a construir esta cidade. Nossa história é feita de muitas mãos, de famílias que aqui fincaram suas raízes, de trabalhadores que nunca desistiram e de gerações que acreditaram no potencial desta terra”, afirmou.
A história do município remonta ao século XIX, quando o território era habitado por povos indígenas, entre eles os Botocudos, na região do Rio Jucu Braço do Sul, e os Puris Coroados, em áreas do interior. Posteriormente, a localidade recebeu imigrantes de diferentes nacionalidades, como alemães, italianos, poloneses, suíços, austríacos, luxemburgueses, franceses, espanhóis, portugueses e açorianos, além de descendentes de povos indígenas e africanos.
Essa diversidade contribuiu para a formação da identidade cultural florianense, presente na culinária, na música, nas danças e na arquitetura. A agricultura também se tornou uma das características da economia local, ao lado do potencial turístico associado às paisagens naturais, às cachoeiras, às propriedades rurais e ao agroturismo.
Um dos registros históricos da formação da cidade data de 22 de outubro de 1861. Na ocasião, conforme relatório do coronel e engenheiro Pedro de Alcântara Bellegarde, então ministro e secretário de Estado dos Negócios da Agricultura, Comércio e Obras Públicas, a localidade passou a ser denominada Vila Nacional do Braço do Sul.
Décadas depois, a chegada da ferrovia contribuiu para consolidar o nome que identifica o município atualmente. Por volta de 1900, foi inaugurada a Estação Marechal Floriano, na Estrada de Ferro Sul do Espírito Santo, e a denominação passou a ser associada à localidade. O nome, entretanto, só foi oficializado no âmbito distrital em 11 de janeiro de 1964, por meio da Lei Estadual nº 1.956, que criou o distrito de Marechal Floriano, subordinado a Domingos Martins.
A conquista da emancipação
A busca pela autonomia municipal ganhou força diante da mobilização de moradores que defendiam mudanças na administração local e maior capacidade de atendimento às necessidades da população. Até então, Marechal Floriano permanecia subordinado administrativamente a Domingos Martins.
O movimento pela emancipação levou à realização de um plebiscito em 30 de junho de 1991. Conhecida como a campanha pelo “sim”, a mobilização recebeu apoio expressivo dos eleitores. Segundo a ata final de apuração, foram registrados 3.623 votos favoráveis à emancipação e 288 contrários, além de 90 votos em branco e 26 nulos. Ao todo, 4.027 eleitores participaram da votação.
A decisão foi oficializada em 31 de outubro de 1991, quando o então governador do Espírito Santo sancionou a Lei Estadual nº 4.571, criando oficialmente o município. A partir daquele momento, Marechal Floriano passou a ter autonomia político-administrativa para organizar sua própria estrutura de governo e estabelecer prioridades para o desenvolvimento local.
Preservar a história e planejar o futuro
Para o secretário municipal de Planejamento e Gestão Estratégica, Cícero Modolo, jornalista, pesquisador, escritor e historiador, a comemoração representa uma oportunidade de reconhecer a contribuição das diferentes gerações para a formação do município e reforçar a necessidade de preservar seu patrimônio.

Ele destaca que a memória histórica pode contribuir diretamente para o planejamento do futuro, especialmente no fortalecimento do turismo, na valorização da identidade regional e na criação de oportunidades econômicas.
“Preservar a memória não significa apenas olhar para o passado, mas reconhecer nossas origens para planejar melhor o futuro”, afirma.
Modolo também ressalta a importância de reconhecer os pioneiros da emancipação e as famílias que participaram da construção da cidade. Para ele, a história municipal não pertence a uma administração ou a uma geração, mas a toda a população, que mantém viva a identidade florianense.
Uma história compartilhada nas Montanhas Capixabas
A relação histórica entre Marechal Floriano e Domingos Martins também foi lembrada pelo vice-prefeito martinense Wagner Conceição, turismólogo e estudioso da história regional.

Ao homenagear o município, ele ressaltou que as duas cidades compartilham uma trajetória de formação territorial, cultural e econômica. A antiga ligação administrativa, a memória ferroviária, as tradições e a influência dos diferentes povos que colonizaram a região ajudam a explicar os vínculos entre os municípios.
Conceição também destacou que a emancipação de 1991 representou uma conquista importante para a população florianense, ao permitir que a cidade passasse a conduzir suas próprias decisões administrativas. Para ele, preservar esse patrimônio é fundamental para valorizar a identidade regional e transmitir a história às próximas gerações.
“Somos municípios vizinhos, irmãos de território, de cultura, de tradições e de uma história regional que continua sendo construída conjuntamente. Conhecer e preservar nossa história é também investir no futuro. O patrimônio histórico, a memória ferroviária, as tradições culturais, a agricultura, as paisagens e a hospitalidade do nosso povo são riquezas que precisam ser valorizadas e transmitidas às próximas gerações”, afirmou.