Estudo da Ufes identifica variantes genéticas associadas à covid longa

Publicado em 18/08/2026 às 08:13

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Foto: Magnific

Um estudo envolvendo pesquisadores do Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia (PPGBiotec) da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) identificou variantes genéticas que podem estar associadas ao desenvolvimento da covid longa. O trabalho foi publicado na revista científica Frontiers in Medicine e investigou se características genéticas podem influenciar a vulnerabilidade de uma pessoa aos sintomas persistentes após a infecção pelo coronavírus.

Entre os autores estão a professora Débora Meira, o professor Iúri Drumond e estudantes do PPGBiotec. A pesquisa foi desenvolvida em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o Instituto Nacional de Cardiologia (INC), o Centro de Hemoterapia e Hematologia do Espírito Santo (Hemoes), o Instituto Federal de Pernambuco (IFPE) e outras instituições.

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Ao todo, participaram do estudo 312 pessoas que tiveram covid-19 e foram atendidas em dois hospitais públicos de Vitória entre novembro de 2020 e julho de 2023. Os pesquisadores realizaram o sequenciamento do exoma, técnica que permite analisar as regiões do DNA responsáveis pelas instruções para a produção de proteínas, e utilizaram métodos de aprendizado de máquina para identificar alterações genéticas potencialmente relacionadas à doença.

A análise considerou mais de 650 mil variantes genéticas. Deste total, cinco apresentaram associação significativa com a covid longa. Segundo os resultados, alterações nos genes LERFS, PNKD e LIPA estiveram relacionadas a um maior risco de desenvolvimento da condição. Já variantes nos genes HK1 e LAMB4 apresentaram possível efeito protetor.

Os pesquisadores também identificaram um conjunto de genes envolvidos em diferentes processos biológicos. Os resultados indicam que a covid longa pode estar relacionada à interação entre múltiplas vias biológicas e fatores clínicos, em vez de ser provocada pela ação isolada de um único gene.

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Impacto na saúde

A covid longa é considerada um importante desafio de saúde pública. Mesmo após a recuperação da fase aguda da infecção pelo SARS-CoV-2, parte dos pacientes permanece com sintomas durante meses ou até anos. Entre as manifestações estão fadiga, dores, alterações cognitivas, perda do olfato, mudanças no funcionamento do sistema nervoso autônomo e redução da qualidade de vida.

Apesar dos avanços nas pesquisas, os mecanismos responsáveis pela persistência desses sintomas ainda não são totalmente compreendidos.

De acordo com a professora Débora Meira, a combinação do sequenciamento de DNA de nova geração com ferramentas de inteligência artificial pode contribuir para identificar assinaturas genéticas capazes de explicar parte das diferenças observadas entre os pacientes que desenvolvem ou não a covid longa.

O estudo também apontou impactos significativos na qualidade de vida dos participantes que apresentaram a condição. Esse grupo relatou maiores dificuldades relacionadas a dores, ansiedade e depressão, reforçando os efeitos prolongados da doença sobre a saúde física e mental.

Para o professor Iúri Drumond, os resultados ainda precisam ser confirmados por estudos funcionais que permitam compreender como as variantes identificadas atuam no organismo. Mesmo assim, a pesquisa pode contribuir para futuras estratégias de identificação precoce de pessoas mais vulneráveis à covid longa, além de auxiliar no desenvolvimento de novas abordagens de prevenção e tratamento.

Fonte: Ufes

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