Cultivares recomendadas pelo Incaper elevam produtividade do café arábica orgânico nas Montanhas Capixabas
Publicado em 24/06/2026 às 13:31
Foto: Reprodução – TVE-ES
Produzir café arábica orgânico com alta produtividade sempre foi um dos principais desafios da cafeicultura capixaba. Pesquisas desenvolvidas pelo Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), no entanto, mostram que esse cenário pode estar mudando com a adoção de cultivares validadas e recomendadas para o Espírito Santo.
Experimentos conduzidos nos municípios de Santa Maria de Jetibá e Domingos Martins apontam que algumas dessas cultivares conseguem alcançar produtividades semelhantes às observadas em sistemas convencionais, mesmo sem a utilização de insumos químicos. Em cinco safras avaliadas sob condições de sequeiro, as lavouras registraram rendimentos médios entre 35,4 e 48,2 sacas por hectare, índices até 85% superiores à média histórica da cafeicultura arábica no Estado.
Entre os materiais analisados, a cultivar IPR 103 tem se destacado, com expectativa de alcançar 86 sacas por hectare na safra de 2026.
De acordo com o pesquisador do Incaper e coordenador dos estudos, Maurício Fornazier, os resultados demonstram o potencial produtivo da cafeicultura orgânica. “As produtividades observadas nas áreas experimentais mostram que é possível produzir café orgânico de forma econômica em níveis muito competitivos, conciliando desempenho produtivo e sustentabilidade”, afirma.
Um dos diferenciais das cultivares avaliadas é a resistência genética à ferrugem do cafeeiro, considerada uma das principais doenças da cultura. Essa característica reduz a necessidade de intervenções fitossanitárias e contribui para a viabilidade econômica dos sistemas orgânicos.
Além disso, práticas como o plantio adensado e o manejo da cobertura vegetal favorecem a conservação do solo, aumentam a retenção de umidade, estimulam a formação de matéria orgânica e auxiliam no controle do mato, fortalecendo a sustentabilidade da produção.
Mercado em expansão
Além dos ganhos agronômicos, a produção orgânica abre oportunidades em mercados que valorizam práticas sustentáveis. Segundo o engenheiro-agrônomo do Incaper Cesar Abel Krohling, a demanda por produtos cultivados com menor impacto ambiental tem crescido tanto no Brasil quanto no exterior.
“A tendência é que esse cenário se fortaleça ainda mais com o aumento das exigências relacionadas à sustentabilidade nas cadeias globais de abastecimento”, destaca.
Pesquisa avança para Pedra Azul
Com o objetivo de ampliar as avaliações, o Incaper implantou recentemente uma nova área experimental em sistema orgânico no Centro de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação Serrano, localizado em Aracê, próximo à Pedra Azul, em Domingos Martins.
A iniciativa permitirá analisar o comportamento das cultivares em ambientes de maior altitude e temperaturas mais amenas, além de avaliar os impactos dessas condições na qualidade da bebida.
“Isso vai nos permitir avaliar o desempenho produtivo das cultivares em condições de maior altitude e temperaturas mais amenas, além de verificar a influência desse ambiente na qualidade do café produzido”, explica Fornazier.
Próximos passos
A próxima etapa da pesquisa prevê avaliações detalhadas da qualidade dos cafés produzidos e a identificação dos materiais genéticos mais promissores para recomendação aos produtores capixabas. A expectativa é lançar ainda em 2026 uma cartilha técnica voltada à expansão da cafeicultura orgânica no Espírito Santo, contribuindo para agregar valor à produção e fortalecer a sustentabilidade da atividade.
Os estudos fazem parte do projeto “Novas cultivares de café arábica para o Espírito Santo”, desenvolvido pelo Incaper com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes), da Secretaria da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag) e parceiros da iniciativa privada.
As cultivares avaliadas integram o conjunto de materiais validados pelo Incaper para as condições de cultivo do Estado. A recomendação oficial foi realizada em maio de 2025, por meio da publicação da cartilha “Café Arábica: Cultivares Validadas para o Estado do Espírito Santo”, referência técnica para produtores e extensionistas na escolha das variedades mais adequadas para cada região produtora.
Fonte: Incaper