Vitória recebe encontro nacional sobre financiamento climático e desenvolvimento sustentável

Publicado em 07/11/2026 às 10:54

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Foto: Divulgação/Bandes

Evento promovido pela ABDE e pelo Bandes reuniu representantes do setor financeiro, governo, indústria e universidades para discutir a descarbonização da economia brasileira. Estudo apresentado apontou dificuldades técnicas das instituições para financiar a transição verde industrial.

Vitória sediou, na quinta-feira (5), o Fórum Debate – Financiamento para uma Economia de Baixo Carbono, promovido pela Associação Brasileira de Desenvolvimento (ABDE) em parceria com o Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes). O evento contou com a participação de especialistas, representantes do Sistema Nacional de Fomento (SNF), integrantes do governo, empresários e pesquisadores, que discutiram alternativas para impulsionar a transição ecológica no país.

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A programação foi organizada em quatro painéis, abordando assuntos como redução das emissões de carbono, financiamento para a indústria, adaptação às mudanças climáticas e desenvolvimento de novas tecnologias.

Durante a abertura, o diretor-presidente do Bandes, Marcelo Saintive, destacou o trabalho da instituição no apoio a projetos sustentáveis e o compromisso do Espírito Santo com a transição energética. Ele explicou que, desde 2023, o banco tem direcionado suas estratégias de financiamento para aproximar o desenvolvimento econômico das iniciativas de sustentabilidade, ampliando as condições para atrair investimentos ao Estado.

O dirigente também ressaltou que o financiamento climático depende da capacidade de desenvolver projetos, estabelecer parcerias e conectar oportunidades de investimento às necessidades de cada região.

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A presidenta da ABDE e diretora do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Maria Fernanda Coelho, também enfatizou a importância da integração entre instituições de desenvolvimento para fortalecer as políticas de transição climática. Segundo ela, o Sistema Nacional de Fomento possui presença em diferentes regiões brasileiras e pode contribuir para transformar prioridades nacionais, como a redução das desigualdades, em projetos concretos e viáveis financeiramente.

O primeiro painel do encontro foi dedicado às oportunidades de desenvolvimento econômico associadas à redução das emissões nos setores produtivos. Representantes do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), do Ministério da Fazenda, do Instituto Clima e Sociedade (iCS), do Instituto E+ Transição Energética e do Bandes participaram das discussões.

Entre os assuntos abordados estavam o potencial da bioenergia, da infraestrutura verde e da economia circular para estimular atividades econômicas sustentáveis. Os participantes também discutiram a necessidade de atrair mais recursos privados, aperfeiçoar os mecanismos de financiamento climático e aproximar as políticas públicas das características produtivas de cada região.

Outro destaque da programação foi a divulgação dos resultados do projeto Transição Verde na Indústria (TVI), desenvolvido pela ABDE em parceria com o Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE) e o Institute for Manufacturing (IfM), da Universidade de Cambridge, com apoio da Open Society Foundations.

Na apresentação do levantamento, o diretor de Projetos Estratégicos e Relações Institucionais do CGEE, Caetano Penna, mostrou dados de uma pesquisa realizada com instituições integrantes do Sistema Nacional de Fomento. Das 35 organizações consultadas, 21 participaram do estudo. Entre as respondentes, 16 afirmaram possuir compromissos formais com a transição verde. Entretanto, 15 avaliaram como baixa ou muito baixa a própria capacidade técnica para desenvolver projetos de descarbonização industrial.

Os resultados demonstram uma diferença entre a existência de compromissos institucionais com a sustentabilidade e a capacidade de colocá-los em prática. O levantamento também identificou dificuldades na diversificação dos instrumentos financeiros e na oferta de serviços complementares, como assistência técnica, preparação de projetos e capacitação profissional.

Na sequência, um segundo painel aprofundou os desafios enfrentados pela indústria para modernizar seus processos produtivos e ampliar o acesso a recursos destinados à inovação. Participaram do debate o analista de Políticas Sênior da Universidade de Cambridge, Mateus Labrunie, o assessor técnico do CGEE, Marcos Arcuri, e a gerente executiva do Observatório da Indústria da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), Marília Gabriela Elias da Silva.

No período da tarde, as discussões se concentraram nos seguros e nos mecanismos de proteção contra riscos climáticos. Representantes do Bandes, da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), do Instituto IRB, da Finance in Motion e do Banestes Corretora de Seguros analisaram como o mercado segurador pode contribuir para proteger investimentos diante de eventos climáticos extremos.

O debate também abordou os riscos enfrentados por atividades como o agronegócio e a infraestrutura urbana, além das possibilidades de combinar recursos públicos e privados para financiar iniciativas de adaptação e resiliência climática.

O encerramento do evento foi dedicado à inovação e às tecnologias necessárias para acelerar a descarbonização da economia. O painel reuniu representantes da ABDE, da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) e da indústria, representada pela empresa Tupy.

Com a participação do diretor executivo da ABDE, André Godoy, os especialistas discutiram a importância de ampliar os investimentos em pesquisa científica, desenvolvimento tecnológico e inovação. Também foram abordadas as oportunidades relacionadas aos minerais críticos, às terras raras e à participação brasileira nas cadeias produtivas estratégicas para a transição energética.

Ao longo da programação, o Fórum Debate destacou a necessidade de aproximar instituições financeiras, poder público, universidades e setor produtivo para viabilizar projetos ligados à agenda climática. As discussões reforçaram o papel do Sistema Nacional de Fomento na mobilização de investimentos, no incentivo à inovação e na construção de uma economia mais sustentável e competitiva, considerando também a redução das desigualdades regionais.

Fonte: Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes)

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