Vini Jr. viraliza comendo abacaxi na Copa; Marataízes é referência quando o assunto é a fruta
Publicado em 05/07/2026 às 14:06
Foto: Criada por IA
Uma cena inusitada nos bastidores da Copa do Mundo chamou a atenção de torcedores e viralizou nas redes sociais: antes de entrar em campo contra o Haiti, Vinicius Jr. apareceu comendo fatias de abacaxi. O gesto, que faz parte da estratégia nutricional da Seleção Brasileira, também colocou em evidência uma fruta que tem forte ligação com o Espírito Santo. E Marataízes, maior produtora de abacaxi do estado, tem muito a dizer sobre isso.
O alimento está entre as frutas disponibilizadas pelo estafe da Seleção aos atletas, ao lado de banana e outras opções, como parte da estratégia de preparação para os jogos.
Para o nutricionista esportivo João Miguel Zouain, a escolha faz sentido. “O abacaxi pode ser uma ótima opção por fornecer energia rápida através dos carboidratos naturais, além de contribuir para a hidratação por possuir alto teor de água”, explica.

Se na Seleção Brasileira o abacaxi faz parte da estratégia nutricional, no Espírito Santo a fruta também é motivo de orgulho. Marataízes produz um dos melhores e mais famosos abacaxis do país, carrega até um slogan que virou lenda: “Abacaxi de Marataízes, doce doce, parece que tem mel”.
POR QUE ELE FUNCIONA — O abacaxi reúne uma combinação difícil de encontrar numa fruta só: hidratação, energia e recuperação muscular. Segundo a Tabela Brasileira de Composição de Alimentos (TBCA), da Universidade De São Paulo (USP), 100g de polpa in natura contém cerca de 87g de água, o que o torna aliado direto na prevenção da desidratação durante o esforço físico.
A presença da bromelina, enzima natural da fruta, é outro destaque. Ela auxilia na digestão de proteínas e tem sido estudada por seu potencial anti-inflamatório, ajudando na recuperação muscular após treinos e partidas. Além disso, a vitamina C — cerca de 33,1mg a cada 100g — favorece a absorção de ferro pelo organismo, essencial para o transporte de oxigênio no sangue e para evitar sintomas como fadiga e fraqueza.

O nutricionista reforça que, no pós-treino, os carboidratos do abacaxi ajudam a repor o glicogênio muscular, principal reserva de energia em exercícios de maior intensidade. “Ele pode fazer parte de uma boa estratégia nutricional, mas não substitui uma alimentação adequada nem uma ingestão suficiente de proteínas”, pondera Zouain.
O especialista em treinamento desportivo da RC Studio em Domingos Martins, Rhuan Parmagnani Capelini, reforça o mesmo raciocínio. Para ele, a escolha de Vini Jr. provavelmente faz parte de uma estratégia já testada pela equipe que o acompanha, e não deve ser copiada sem critério.
Cada atleta tem necessidades diferentes. O que funciona para o Vinícius Júnior pode não ser o ideal para outra pessoa. O mais importante é que o pré-treino seja leve, rico em carboidratos e já tenha sido testado anteriormente, para evitar desconfortos durante a atividade”, avalia.
MARATAÍZES, A CAPITAL DO ABACAXI — Se Vinicius Jr. comer abacaxi capixaba, estará consumindo um dos melhores do país. Marataízes, reconhecida como a Capital Estadual do Abacaxi, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), respondeu por 58% de toda a produção do Espírito Santo em 2024, 25,9 milhões de frutos colhidos, mobilizando 750 estabelecimentos rurais.((

No total, o estado produziu 44,7 milhões de abacaxis em 2024, segundo dados da Secretaria da Agricultura (Seag) com base em levantamentos do IBGE, numa área de 2.250 hectares. Somando Marataízes a Presidente Kennedy (30% da produção) e Itapemirim (8%), o Litoral Sul concentra mais de 95% de tudo que é cultivado no estado.
O abacaxi de Marataízes é da variedade Pérola, polpa branca, baixa acidez e sabor que pode ultrapassar 14° Brix de teor de açúcar, um dos mais altos entre as frutas brasileiras. “É o clima, um clima muito bom aqui, e tem esse sabor doce mesmo”, conta Cremildo Marvila, presidente da Ambrepa, associação de agricultores familiares de Brejo dos Patos, em Marataízes.
Cerca de 90% da produção é feita por pequenos agricultores familiares, muitos com técnicas passadas de geração em geração, sem irrigação, dependentes do clima e da vocação natural do solo arenoso costeiro da região. “A melhor época é final de ano, novembro e dezembro, quando ele fica amarelo, com massa amarela. É um abacaxi de qualidade conhecida no Brasil inteiro”, diz.
TURISMO E EXPERIÊNCIA NA ROÇA — Quem quer provar o abacaxi no pé tem a melhor janela entre agosto e dezembro, durante o pico da safra. Nesse período, feiras, mercados e beira de estrada em Marataízes recebem o fruto fresco direto da colheita manual. Algumas propriedades já apostam na colheita participativa e na venda direta, atraindo visitantes de várias regiões do Brasil.

A fruta também já saiu da mesa e entrou na cultura local: é ingrediente de pizzas doces nas praias, aparece em festas regionais e roteiros turísticos rurais que valorizam a identidade capixaba.
O setor também avança na ciência. Pesquisadores do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes) estão desenvolvendo mudas da variedade Jupi com maior resistência à fusariose, doença fúngica que compromete a produção na região. A iniciativa integra o programa Fortalecimento da Agricultura Capixaba (FortAC) e busca preservar uma variedade tradicional e muito apreciada, garantindo que o abacaxi capixaba continue sendo referência por muito tempo.
Para Cremildo, o recado à Seleção é simples: “O Vinícius e toda a equipe deveriam provar o abacaxi de Marataízes para fazer mais gols”, diz.