Brasileiro consome metade do feijão que consumia há 50 anos, revela levantamento do setor

Publicado em 05/07/2026 às 14:03

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Foto: Magnific

O feijão, um dos alimentos mais tradicionais da mesa brasileira, vem perdendo espaço no prato da população ao longo das últimas décadas. Um levantamento do Instituto Brasileiro dos Feijões e Pulses (Ibrafe) mostra que o consumo médio por pessoa despencou de 23 quilos anuais, registrados na década de 1970, para cerca de 12 quilos hoje, uma retração de quase 50% em cinquenta anos. O movimento reflete tanto transformações no estilo de vida e na rotina alimentar dos brasileiros quanto obstáculos enfrentados pela cadeia produtiva do grão.

De acordo com Ibrafe, o problema não está ligado ao paladar dos consumidores, que continuam gostando do alimento, mas à rotina corrida e à busca por opções mais rápidas de preparo, o que tem beneficiado produtos industrializados concorrentes.

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Uma das apostas do setor para conter essa queda é tornar o feijão mais prático de consumir, seja por meio de versões já preparadas, seja com a criação de novas receitas que reduzam o tempo de preparo no dia a dia. O Ibrafe reconhece que a concorrência de alimentos industrializados é um obstáculo real e defende que o tema seja debatido de forma mais ampla, envolvendo universidades e a sociedade civil, com o objetivo de, primeiro, estabilizar a queda no consumo e, depois, buscar seu crescimento novamente.

Excesso de feijão carioca limita exportações

A produção brasileira de feijão é hoje dominada pela variedade carioca, que se consolidou por resolver antigos entraves de mecanização e adaptação às condições de cultivo do país. O problema é que esse tipo de grão praticamente não é consumido fora do Brasil, o que dificulta o escoamento de excedentes via exportação quando o mercado interno está bem abastecido.

Para driblar essa limitação, produtores e representantes do setor avaliam ampliar o plantio de variedades com maior aceitação internacional, como o feijão mungo verde e o guandu, este último conhecido mundialmente como pigeon pea, especialmente na Índia. Os dados de comércio exterior de 2025 mostram o potencial dessas alternativas: o Brasil exportou mais de 200 mil toneladas de feijão apenas para o mercado indiano naquele ano, dentro de um total recorde de mais de 500 mil toneladas exportadas do grão.

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Outra frente de trabalho apontada pelo Ibrafe é investir na comunicação sobre a procedência e as diferentes variedades do feijão brasileiro. A entidade cita o conceito de terroir, quando características do solo e da região de plantio interferem diretamente no sabor do grão, como um atributo ainda praticamente inexplorado comercialmente no país. Segundo o instituto, feijões pretos de diferentes origens e desenvolvidos por centros de pesquisa distintos podem ter sabores perceptivelmente diferentes entre si.

A lógica seria semelhante à usada há anos por setores como café, vinho e queijos, nos quais informações sobre origem e processo produtivo ajudam a aumentar o interesse e a disposição de compra do consumidor. Para o presidente do Ibrafe, existe espaço real para reverter a queda histórica no consumo de feijão no país, desde que produtores, indústria e poder público se mobilizem em conjunto nessa direção.

Fonte: Ibrafe

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