POMERANA

Coluna Pomerana

Religiosidade ou ritos de passagem?

Publicado em 12/03/2019 às 17:40

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O leitor certamente pode lembrar que é notório que muitos povos têm seus hábitos e costumes, que durante séculos já vêm sendo praticados. O mesmo também ocorreu com os habitantes originários da antiga Pomerânia, possivelmente como herança do tempo de paganismo. Muitas dessas tradições continuam vivas entre os nossos descendentes pomeranos que há quase 150 anos se fixaram aqui no Brasil.

ritosPara um melhor entendimento de muitas destas facetas da maneira de ser do povo pomerano podese tentar entender a sua religiosidade. Este modelo de comportamento social certamente é muito antigo e seguramente está relacionado com as grandes dificuldades pelas quais passou. Ao aqui chegarem, também trouxeram seus costumes, adaptando-os às circuntancias locais e com isto os mantendo bem vivos entre os seus descendentes. Assim, por exemplo, a descrição de um ritual do benzimento, quando obtido, apresenta uma riqueza de detalhes, sempre envolta em muito fervor religioso. Para começar, quando alguém faz a benzedura, recita um texto bíblico. Ou seja, o lado místico, o lado divino da “Força” sempre é salientado. Na verdade, todo este procedimento tem uma psicologia muito própria, isto é, tem o seu embasamento no resultado de um relacionamento humano de confiança.

Nesta mesma linha de raciocínio certamente se pode analisar os assim chamados “ritos de passagem”. Oficialmente sequer existem rituais que possam ser caracterizados como tal. Entretanto, uma série de momentos na vida do pomerano podem ser tipificados como “marcantes”. Ou seja, o nascimento, o batismo, a confirmação, o casamento e a morte.

ritos2ritos3São momentos que constituem uma espécie de elos a formarem um círculo que inicia pelo nascimento, fazendo o fechamento com a morte, na esperança por uma nova vida.

 

Para os pomeranos, ali se marca uma série de momentos da sua vida, representando os passos que sinalizam o transcorrer da sua vida. Tudo começa com o nascimento, envolvido em segredos e cuidados, que chega ao seu auge no instante em que a mãe conduz o recém-nascido ao altar da igreja para a bênção perante toda a comunidade.

Com o batismo a criança passa a ser protegida por uma aura do “pequeno ser cristão”. O “Patenzetel”, aquele envelope com grãos de milho, fios de linha e outros elementos, é colocado sob a roupa da criança no momento do batismo, representando os votos de sucesso na sua vida adulta.

Já em um momento posterior, a confirmação (crisma) dá-lhe o status de adulto. O cachimbo presenteado aos meninos simboliza o direito de poder fumar, beber e dançar.

Por último, já como adulto, a cerimônia do casamento, na qual os homens, ao menos no passado, assumiam as suas obrigações como chefe da família, era selado pelo ritual da derrubada do mastro da bandeira do casamento, na manhã de domingo, como uma comprovação de sua virilidade. Casado, passava a usufruir de uma vida plena, cuidando da prole, cumprindo com o seu destino de dar continuidade à espécie.

A morte, com todo o seu cerimonial, em que as janelas da casa precisavam ser abertas para que o espírito pudesse sair livremente e a ceia com Wittbrot (pão branco), preparada pelas vizinhas e servida depois do sepultamento para saciar a fome dos viajantes que chegaram para esta derradeira visita, constituíam o fechamento de todo um círculo de vida.

ritos6É evidente que ao longo dos anos a validade de tais práticas tem sido discutida, especialmente sua aceitabilidade pelas diferentes igrejas. Ainda hoje muitos pastores continuam combatendo ferrenhamente todo e quaquer costume relacionado à superstição. Contudo, até mesmo nos dias atuais, talvez às escondidas, muitas destas práticas continuam tendo seus defensores.

Para concluir, facilmente se pode constatar que a religiosidade é uma característica inerente à própria vida dos pomeranos e esta pode ser manifestada tanto pela participação nos momentos litúrgicos dentro do templo da comunidade como nas suas introspecções no seu dia a dia.

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