POMERANA

Coluna Pomerana

Os pomeranos como eternos desbravadores

Publicado em 05/03/2018 às 12:11

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O processo de adaptação dos pioneiros pomeranos, ou seja, de aculturação dos imigrantes nos assentamentos no Brasil pode ser dividido em distintas fases. A primeira se estendeu praticamente ao longo dos primeiros vinte anos, ou seja, de 1865 e 1885 e corresponde aos anos em que assumiram os lotes de terras e passaram a produzir o suficiente para a sua subsistência.

Já neste mesmo tempo também, em algumas localidades, passaram a se isolar hermeticamente de qualquer influência social e cultural da população nativa brasileira. Criaram um modus vivendi em que, de um lado, procuravam conservar a forma de construir suas habitações, o seu estilo de vida e o idioma, ao mesmo tempo em que a comunicação oral por ocasião dos encontros para os ofícios religiosos costumava girar quase que exclusivamente em torno das vivências do dia a dia da colônia.

Apesar disto, em uma visão macro, os assentamentos de São Lourenço do Sul e de Pomerode se diferenciarem daquele de Santa Leopoldina, no Espirito Santo, talvez por influencia de um maior contato com a população Luso-brasileira e os chamadas “colonos alemães” no Rio Grande do Sul e de Santa Catarina.

Certamente procuraram organizar uma vida social, talvez até próxima daquela que haviam deixado para trás. Logicamente sem o fator opressivo do domínio feudal da antiga Pomerânia. A preservação de antigos costumes e a própria maneira de pensar e de agir socialmente geralmente os distanciava do estilo de vida do caboclo ou mesmo dos luso-brasileiros. Procuravam conservar características de rotinas advindas do dia a dia da velha pátria, como a próprio envolvimento de toda a família na distribuição de tarefas na labuta do cotidiano e, inclusive na jornada diária do trabalho dos filhos.

Já desde o inicio, tão logo os pioneiros estavam assentados, começava a preocupação com a educação da sua numerosa prole. Aliás, rapidamente se conscientizaram de que a escolaridade e o aprendizado dos filhos precisavam ser resolvidos com recursos próprios.

Os governos das Províncias pouco faziam para combater o analfabetismo. Além disto, tanto os pastores como os padres passaram a exigir dos jovens uma instrução mínima para poderem ser confirmados ou crismados. A falta de professores com uma habilitação adequada resultou na convocação de “mestres de escolas” (schaullehrer) de colônia, uma espécie de alfabetizadores com algum conhecimento, mesmo que precário. Este na verdade foi um expediente utilizado tanto na assistência religiosa como também nos cuidados com a saúde. Assim, muitos agricultores, atuando em suas lavouras em uma parte do dia se valiam do pouco conhecimento que tinham, para repassar às crianças das proximidades algumas noções de leitura, de escrita, e de matemática. Ainda outros, nos finais de semana se encarregavam dos ofícios religiosos, ou ainda procuravam aliviar o sofrimento físico dos seus conterrâneos administrando-lhes diferentes tipos de chás ou infusões preparadas a partir de raízes de plantas silvestres.

Se na Europa os pomeranos se mantiveram como uma população em um crescimento relativamente lento, em função de todo um “controle” de sobrevida ditado pelas continuas guerras e doenças, aqui passaram a experimentar uma incrível explosão demografica. Como resultado, se viram forçados com novas migrações para novos assentamentos, perpetuadas pelo sistemático desmatamento de novas áreas repassadas aos seus filhos. Este papel os estigmatizou como eternos desbravadores solitários.

Foi este o novo “caipira” teuto-brasileiro, que desta forma continuou tendo a sua vida e a sobrevivência da sua prole centrada no dia a dia no seu lote de terras e na sua pequena comunidade, apesar de se ter tornado um “wanderbauer” (agricultor migrante). Seus contatos com o mundo exterior continuavam sendo o vendeiro, no campo financeiro de compra e venda de mercadorias e o líder religioso no campo espiritual, educacional e de definição da conduta moral.

Isto durou até praticamenteo a metade do século XX.

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