Mesmo com guerra e pressão global, combustíveis sobem menos no Brasil
Publicado em 10/04/2026 às 14:00
Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
A escalada do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e o Irã, com efeitos que se estendem a outros países do Oriente Médio, vem pressionando os preços internacionais dos combustíveis e impactando a inflação em escala global.
No Brasil, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou alta de 0,88% em março, avanço de 0,18 ponto percentual em relação a fevereiro (0,70%). Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, que atribui o resultado, principalmente, à elevação dos combustíveis.
Apesar desse cenário, medidas adotadas pelo governo brasileiro — como redução de impostos, subsídios e intensificação da fiscalização — ajudaram a conter a alta. Com isso, os combustíveis tiveram aumento mais moderado no país em comparação a outras nações da América Latina. Levantamento do portal Global Petrol Prices indica que a gasolina brasileira segue mais barata que em países como Argentina e Chile, que optaram por não intervir nos preços.
Entre o fim de março e o início de abril, o litro da gasolina no Brasil custava, em média, US$ 1,314. No mesmo período, o valor era de US$ 1,520 na Argentina e de US$ 1,649 no Chile. Já no México, o preço médio era de US$ 1,583.
No caso do diesel, o padrão se repete. No Brasil, o litro era vendido a cerca de US$ 1,444, enquanto no Chile chegava a US$ 1,537. Na Argentina e no México, o valor era de US$ 1,613, e no Peru, de US$ 1,682.
No acumulado do ano, o IPCA soma alta de 1,92%. Em 12 meses, o índice chegou a 4,14%, acima dos 3,81% registrados no período imediatamente anterior. Em março de 2025, a variação havia sido de 0,56%.
Entre os grupos pesquisados, Transportes (1,64%) e Alimentação e bebidas (1,56%) foram os principais responsáveis pelo resultado do mês, respondendo juntos por 76% do índice. Os demais grupos tiveram variações mais moderadas, entre 0,02% (Educação) e 0,65% (Despesas pessoais).
A alta no grupo Transportes foi impulsionada pelo aumento de 4,47% nos combustíveis. A gasolina saiu de uma queda de 0,61% em fevereiro para uma alta de 4,59% em março, sendo o maior impacto individual no IPCA (0,23 ponto percentual). O óleo diesel também apresentou forte elevação, passando de 0,23% para 13,90% no período. Já o etanol subiu 0,93%, enquanto o gás veicular registrou queda de 0,98%.
No grupo Alimentação e bebidas, a inflação acelerou de 0,26% em fevereiro para 1,56% em março. A alimentação no domicílio subiu 1,94%, com destaque para produtos como tomate, cebola, batata-inglesa, leite longa vida e carnes. Por outro lado, itens como maçã e café moído apresentaram recuo.
A alimentação fora do domicílio teve alta de 0,61%, influenciada principalmente pelo aumento no preço dos lanches.
Outros grupos também registraram variações. Despesas pessoais subiram 0,65%, impactadas por reajustes em atividades como cinema, teatro e concertos. Já Saúde e cuidados pessoais avançaram 0,42%, com destaque para planos de saúde.
No grupo Habitação, a alta foi de 0,22%, refletindo principalmente o aumento na energia elétrica residencial. Ainda assim, a manutenção da bandeira tarifária verde evitou custos adicionais mais elevados.
Regionalmente, Salvador apresentou a maior variação (1,47%), puxada pela alta da gasolina e das carnes. Já Rio Branco registrou o menor índice (0,37%), influenciado pela queda nos preços da energia elétrica e das frutas.
O IPCA, calculado pelo IBGE desde 1980, mede a inflação para famílias com renda de 1 a 40 salários mínimos em diversas regiões do país.
Já o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) teve alta de 0,91% em março, acima dos 0,56% de fevereiro. No acumulado do ano, o índice soma 1,87%, enquanto, em 12 meses, chega a 3,77%.
A inflação medida pelo INPC também foi pressionada pelos alimentos, que passaram de 0,26% em fevereiro para 1,65% em março. Entre as regiões, Salvador registrou a maior alta (1,52%), enquanto Rio Branco teve a menor variação (0,33%).
Fonte: Agência Gov,, com informações do IBGE