Manejo adequado do rebanho pode aumentar eficiência e reduzir perdas na pecuária
Publicado em 29/08/2026 às 09:48
Foto: Magnific
O bem-estar dos animais vem ganhando importância dentro da pecuária não apenas por questões relacionadas ao cuidado com o rebanho, mas também pelos impactos que pode provocar nos resultados econômicos das propriedades. Pesquisas na área indicam que animais submetidos a menores níveis de estresse podem apresentar melhor desempenho produtivo e reprodutivo.
Quando um animal passa por situações de estresse, parte da energia que poderia ser utilizada para crescimento, produção de leite ou reprodução é direcionada para responder à situação adversa. Dessa forma, práticas de manejo mais cuidadosas podem contribuir simultaneamente para melhores condições aos animais e para maior eficiência da produção.
Entre as estratégias adotadas por produtores está o chamado manejo racional. A prática busca reduzir estímulos que assustem ou agitem o rebanho, como gritos, movimentos repentinos e utilização excessiva de instrumentos para conduzir os animais. A adoção desse método é especialmente importante durante operações como embarque, transporte e encaminhamento ao frigorífico, momentos que podem provocar elevado nível de estresse.
Estrutura da propriedade também faz diferença
As condições das instalações são outro elemento fundamental para o bem-estar do rebanho. Currais inadequadamente planejados, com corredores muito fechados, curvas acentuadas ou pisos que favoreçam escorregões, podem dificultar a movimentação dos animais e aumentar tanto o estresse quanto a possibilidade de acidentes e lesões.
Além da estrutura física, fatores ambientais precisam ser considerados. A disponibilidade permanente de água de boa qualidade e de locais com sombra é essencial, especialmente em regiões ou períodos de temperaturas elevadas.
O chamado estresse térmico pode comprometer o desempenho dos animais. Em condições de calor intenso, o consumo de alimento pode diminuir, o que interfere diretamente no ganho de peso e na eficiência produtiva do rebanho.
Capacitação dos trabalhadores é fundamental
A preparação das equipes responsáveis pelo manejo também desempenha papel importante. Funcionários capacitados conseguem identificar o comportamento dos animais e conduzi-los de maneira mais adequada, diminuindo situações de medo e agitação.
Em muitas propriedades, portanto, melhorias no manejo podem produzir resultados sem depender exclusivamente de grandes investimentos em infraestrutura. A maneira como os trabalhadores conduzem os animais pode representar uma diferença significativa na rotina da fazenda.
Exigências do mercado aumentam
O bem-estar animal também passou a ter importância comercial. Certificações e protocolos específicos vêm sendo utilizados para demonstrar que determinadas propriedades e empresas adotam práticas adequadas de criação, transporte e abate.
Essa questão ganha ainda mais relevância no comércio internacional de carne bovina. Alguns mercados consumidores, especialmente na Europa, estabelecem exigências relacionadas às condições em que os animais são criados e manejados. Para produtores que pretendem atender a esses mercados, demonstrar o cumprimento de boas práticas pode ser necessário para manter ou ampliar oportunidades comerciais.
Ao mesmo tempo, consumidores estão cada vez mais interessados em conhecer a procedência dos alimentos e as condições envolvidas em sua produção. Nesse cenário, práticas de bem-estar animal tendem a deixar de ser apenas um diferencial de determinadas propriedades e podem se tornar uma exigência cada vez mais comum na cadeia da carne bovina.
Assim, cuidar do bem-estar do rebanho não representa apenas uma questão de responsabilidade na criação. Um manejo adequado pode reduzir perdas, melhorar a eficiência produtiva, contribuir para a segurança dos trabalhadores e atender às novas exigências de mercados e consumidores.
Fonte: Revista Negócio Rural