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Coluna Pomerana

Dos campos da POMERÂNIA para a mesa de POMERODE

Publicado em 29/09/2020 às 12:25

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Há boas experiências que podem ser imortalizadas em nossa memória e, ao lembrarmos delas, trazem um conforto inexplicável. São lembranças conectadas ao que vivenciamos e experimentamos ao longo da vida. Nossa infância, a fase mais importante das descobertas, deixa marcas que nos acompanham para sempre. Lembrar dos domingos com pato ou marreco recheado no almoço e a sopa de pêssego como sobremesa, ou aquela cuca feita no forno à lenha pela Oma, nas sextas-feiras final do dia após faxina da casa, nos arremessam diretamente ao passado, acionando nossa memória afetiva.

Dos campos da POMERÂNIA para a mesa de POMERODEO sociológo francês Pièere Bourdieu afirma que “provavelmente nos gostos alimentares é que está a marca mais forte e permanente do aprendizado infantil, onde se conserva a nostalgia“. Herdeiros de uma culinária rica em sabores, os descendentes pomeranos têm um amplo repertório gastronômico. Na Pomerânia, que durante um tempo foi o celeiro da europa, a produção de alimentos era a principal atividade nas propriedades.

Dos campos da POMERÂNIA para a mesa de POMERODE 2Destaque para a criação de aves; do gado leiteiro; dos suínos; dos campos de batatas e cereais; dos vários tubérculos como as Wruken (uma espécie de nabo), e ainda, a abundante influência do mar e suas diversas espécies. Em livros antigos com receitas da Pomerânia, podemos evidenciar essa riqueza. Destacam-se pratos como o Pommersches Gänzenschmalz (banha de ganso), Pommerscher Gänzebraten (ganso assado), Ententopf (canja/ensopado de marreco), Schwarzsauer (sopa feita com sangue de aves ou suíno), Heringsalat (salada com pedaços de arenque em cubos), Sahnehering (arenque preparado com molho branco), Fischsuppe (caldo de peixe), Karpfen in Biersauce (carpa em pedaços cozida na cerveja escura – Malzbier) e Aal mit Rührei (enguia fatiada servida com uma espécie de farofa). As aves e os peixes exerciam forte inspiração para os pratos salgados.

Dos campos da POMERÂNIA para a mesa de POMERODE 3A vasta costa báltica aliada à abundância do arenque que ocorre naquela região são um belo exemplo. Da mesma forma, o ganso e o marreco eram presenças imprescindíveis, bem como as batatas que aparecem em inúmeros pratos. Receitas doces, muitas também eram feitas, com destaque para o Mohnstollen (bolo tipo rocambole), misturando duas cores, imitando a flor Mohn (papoula). Tipos de Stollen também eram elaborados com uvas passas, especialmente no Natal. Sopas de cerejas (Kirschsuppe) e de pêssego (Pfirsichsuppe), frutas abundantes naquelas terras. Destaque também para o Stettiner Baumkuchen (bolo em formato de árvore em que as camadas podem lembrar o tronco de uma árvore).

São inúmeras as receitas que ao longo dos séculos foram sendo elaboradas e aprimoradas nos lares pomeranos. No entanto, toda essa fartura sempre esteve ao alcançe dos camponeses? Na prática, quem tinha todo o conforto e fartura de alimentos era a nobreza em suas amplas casas. No documentário “Als der OSTEN noch Heimat war – Pommern“, Irma Pliquet, que trabalhou numa dessas casas dos senhores/aristocratas (antigas propriedades feudais), destaca que os jantares dos encontros dos aristocratas (Junkers) eram rodeados de muita “pompa“.

Dos campos da POMERÂNIA para a mesa de POMERODE 4Erika Bartelt que também serviu numa destas casas na Pomerânia, diz que o vestido escuro e o avental branco eram a vestimenta que usavam e que o preparo destes jantares era feito no subsolo da casa senhoril. Ela diz, “subir e descer a escada o tempo todo fazia parte da rotina… No porão todo o preparo, e em cima, no salão principal, os grandes jantares regados com muita comida e bebida“. Heinz Blossey, cocheiro naquela época na Pomerânia, contribui no mesmo documentário, “…eles eram os senhores da propriedade, os aristocratas e donos das terras, e nós, éramos os trabalhadores diaristas/jornaleiros. Então, havia uma distinção enorme entre essas duas classes“. Certamente, nas instalações dos camponeses que trabalhavam nessas propriedades, o alimento era bem mais restrito.

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