Domingos Martins está há mais de 30 anos sem eleger deputado estadual e expõe a busca da região pela representação
Publicado em 17/09/2026 às 14:45
Texto: Bruno Caetano / Foto: ChatGPT
A eleição de 2026 volta a colocar uma questão no centro do debate político das montanhas capixabas: a dificuldade da região em eleger deputados estaduais diretamente ligados aos seus municípios.
Cidades como Domingos Martins, Marechal Floriano, Venda Nova do Imigrante e Alfredo Chaves possuem demandas próprias em áreas como agricultura, turismo, infraestrutura e desenvolvimento econômico. Apesar disso, a atual composição da Assembleia Legislativa não conta com um deputado estadual cuja base política esteja diretamente concentrada nas montanhas.
A região já teve nomes com atuação na Assembleia Legislativa. Um dos últimos parlamentares com trajetória política associada a Domingos Martins a ocupar uma cadeira foi Lourival Berger. Eleito deputado estadual em 1994, pelo então PPR, Berger recebeu 10.832 votos naquele pleito. Desde então, já são mais de 30 anos sem o município eleger um representante que vive em Domingos Martins.
Outro nome ligado à região foi João Carlos Lorenzoni, o Cacau, cuja atuação política se consolidou em Marechal Floriano. Ele integrou a 16ª Legislatura da Assembleia, entre 2007 e 2011, e a 18ª Legislatura, entre 2015 e 2019.
Desde então, as montanhas capixabas não voltaram a eleger um deputado estadual com base política diretamente identificada com a região. A questão volta a ser colocada em discussão nas eleições de 2026, quando os eleitores escolherão os 30 deputados que irão compor a Assembleia Legislativa do Espírito Santo.
Grande Vitória concentra estrutura
Para o consultor em marketing político Gilberto Vitor, uma das dificuldades enfrentadas por candidatos do interior é a construção tardia das candidaturas. Segundo ele, uma disputa estadual exige planejamento antecipado, presença constante e uma estratégia que faça o candidato ser conhecido para além do município onde vive.
“A eleição competitiva exige planejamento antecipado, posicionamento claro, presença constante e propostas conectadas às necessidades reais da população”, afirma. Outro obstáculo apontado pelo consultor é a concentração de eleitores, estrutura partidária e visibilidade política na Grande Vitória. Para Vitor, candidatos dos grandes centros podem partir de uma estrutura maior de comunicação, alianças e presença política.
Mas para um candidato das montanhas, é necessário ampliar a atuação para outros municípios e construir uma identidade que ultrapasse os limites da própria região. “Os candidatos da Grande Vitória geralmente partem com vantagens importantes: maior concentração de eleitores, mais visibilidade, acesso aos veículos de comunicação e estrutura partidária”, diz.
A própria natureza da eleição para deputado estadual amplia esse desafio. O candidato não disputa apenas pelos votos do município onde mora, mas precisa construir uma votação suficiente em diferentes partes do Estado. Vitor diz que isso faz com que comunicação, alianças políticas, presença territorial e organização de campanha tenham peso na construção de uma candidatura estadual.
Região precisa transformar demandas em agenda
Na avaliação do consultor, a ausência de um nome diretamente ligado às montanhas também levanta uma discussão sobre a articulação entre os municípios. Para ele, uma eventual candidatura regional precisaria reunir diferentes cidades e setores em torno de uma agenda comum, em vez de ficar restrita aos interesses de um único município.
“As montanhas capixabas possuem grande importância cultural, turística, agrícola e econômica para o Espírito Santo, mas precisam de uma representação política comprometida com essas potencialidades”, afirma.
A eleição de 2026, portanto, coloca novamente os municípios da região diante da possibilidade de construir uma candidatura com identidade regional capaz de disputar votos em diferentes partes do Estado. Atualmente, há nomes na disputa de pessoas que moram nos munícios, como Domingos Martins e Marechal Floriano.
Mas, atualmente, não há na Assembleia Legislativa um deputado estadual com base política diretamente identificada com a região. Os deputados estaduais, no entanto, representam todo o Espírito Santo. A eleição de 2026 colocará novamente em disputa as 30 cadeiras da Assembleia Legislativa, entre elas a representação política dos municípios da região.