Defensor Público em Breves, Pará.

Nosso Direito

A agressão como combustível de mais amor

Publicado em 27/05/2021 às 11:27

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Recentemente participei de uma audiência em que um casal buscava a adoção de uma criança de 8 anos de idade. Aparentemente mais uma audiência dentre aquelas diárias. Entretanto existem casos que nos fazem ter mais interesse, tocam de forma diferente os nossos corações.

Ademais, a Defensoria Pública, pelas causas em que atua, nos permite ter lições diárias que aguçam ainda mais a nossa sensibilidade.

Lembrando que os nomes são fictícios para preservar a privacidade dos envolvidos.

A autora da ação, de nome AMOROSA, casada, e com duas filhas biológicas, foi certo dia ao hospital visitar irmã da sua igreja quando seu deparou com a mãe de um bebê, de nome INSENSÍVEL, que queria doar o filho, de nome AMOR. Chegou AMOROSA a ficar mexida com a situação, porque sempre teve o sonho de ter um filho homem, mas voltou para casa.

Dias depois, INSENSÍVEL, após descobrir o endereço da casa de AMOROSA, lá compareceu na hora do almoço, e, com ela ausente, foi recebida pelo seu esposo, de nome COMPANHEIRO, lhe entregando o seu bebê e dizendo que era para ele falar com sua esposa AMOROSA que AMOR passaria a ser do casal a partir daquele dia.

O AMOR chorava muito, tendo sido identificado com quadro de pneumonia, tendo ficado internado no hospital por certo tempo. Atualmente AMOR tem problemas graves de saúde.

Em determinado dia AMOR estava internado, com COMPANHEIRO do lado de fora do hospital, esperando para visitá-lo, quando lhe foi perguntado por colega, de nome SEM CORAÇÃO, o que estaria fazendo lá, tendo COMPANHEIRO lhe respondido que estaria aguardando para visitar o seu filho. SEM CORAÇÃO lhe perguntou que filho era esse porque não havia visto AMOROSA grávida. O companheiro respondeu que era filho de criação porque a mãe do menor, INSENSÍVEL, não quis criá-lo. Foi quando SEM CORAÇÃO disse a COMPANHEIRO a seguinte frase: “Pai é quem faz o filho, besta é quem o pega para criar”.

Essa frase impactante, que poderia ter desestimulado o COMPANHEIRO a assumir AMOR como filho, pelo contrário, lhe deu estímulo a amar ainda mais o menor, assim como AMOROSA.

COMPANHEIRO, mestre de obra, parou de construir casa em função dos gastos com AMOR, sempre grandes, decorrentes do seu problema de saúde; já AMOROSA deixou de dar exclusiva atenção às suas duas filhas biológicas para doar mais atenção ao novo filho.

Feito este histórico, e voltando à audiência mencionada no primeiro parágrafo, com laudo psicológicos e estudo social no processo favoráveis à adoção de AMOR por AMOROSA e COMPANHEIRO, após ouvir do casal o que acaba de ser relatado, este Defensor e a Promotora de Justiça não tiveram qualquer pergunta a fazer, mas somente parabenizá-los pela atitude desde o início, pois, em um mundo tão insensível e materialista, em que as relações pessoais são tão frias e inconsequentes, ainda existe uma luz no fim do túnel, com pessoas como estas que nos dão lição de como proceder em relação ao próximo.

Quanto ao desfecho do processo, por uma questão de segurança, foi determinado pelo juiz o chamamento da mãe biológica, de paradeiro ignorado, ao processo – neste caso publique-se edital dando prazo a mãe biológica intervir -, para que, caso apareça e queira, possa se manifestar e, para que o magistrado, em seguida, decida se julga procedente ou não a pretensão de AMOROSA e de COMPANHEIRO de adotarem AMOR. É questão de tempo para que AMOR seja filho de AMOROSA e de COMPANHEIRO no papel, já que filho de coração o é já há 8 anos.

Jairo Maia Júnior é Defensor Público em Breves, Pará

 

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