Super El Niño pode pressionar preço dos alimentos e abastecimento de água no ES

Publicado em 23/09/2026 às 16:49

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Foto: Magnific

O fenômeno climático deve permanecer pelo menos até o início de 2027 e pode provocar períodos prolongados de tempo seco, temperaturas acima da média e chuvas intensas em intervalos curtos. No Espírito Santo, os impactos podem ser sentidos no abastecimento de água, na agricultura, no preço dos alimentos e no aumento do risco de incêndios, alagamentos e deslizamentos.

Segundo a geógrafa e professora da Estácio Débora Rodrigues, a tendência aponta para períodos de baixa umidade e temperaturas que podem ficar até 2°C acima da média histórica. Entre os sinais de alerta estão a sequência de dias muito quentes e a redução dos níveis de rios e córregos.

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Para a especialista em sustentabilidade e presidente do Instituto Ideias, Luana Romero, os efeitos ultrapassam as condições meteorológicas.

“Quando o clima muda, não é apenas a previsão do tempo que muda. Mudam o preço dos alimentos, a disponibilidade de água, a qualidade do ar, a produção no campo e até a rotina das cidades”, afirma.

Seca pode ser seguida por chuvas intensas

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Apesar de o El Niño estar associado a períodos de estiagem em determinadas regiões, isso não significa que não haverá chuvas. O problema é que precipitações concentradas podem ocorrer depois de longos períodos secos.

Com o solo ressecado e compactado, a capacidade de absorção da água diminui. Assim, chuvas intensas podem provocar escoamento superficial, enxurradas e alagamentos. Em áreas de encosta, o aumento do peso e da infiltração da água também pode contribuir para a instabilidade do terreno e elevar o risco de deslizamentos.

O cenário pode ser ainda mais preocupante em regiões com pouca vegetação, drenagem insuficiente, descarte irregular de resíduos e ocupações em áreas vulneráveis.

Rios e abastecimento sob pressão

A redução das chuvas também pode diminuir a vazão de rios e córregos e reduzir a umidade do solo, aumentando a pressão sobre os recursos hídricos.

“O risco para o abastecimento, a agricultura e o meio ambiente é real. Quando os rios perdem vazão e a umidade do solo diminui, aumenta a pressão sobre os diferentes usos da água”, explica Débora.

Luana destaca que a economia de água é necessária, mas deve fazer parte de uma estratégia mais ampla, que envolva proteção de nascentes, recuperação de matas ciliares, fiscalização e redução das perdas nos sistemas de abastecimento.

Impactos podem chegar ao preço dos alimentos

A agricultura está entre os setores mais vulneráveis às mudanças no regime de chuvas. A estiagem reduz a disponibilidade de água no solo e pode aumentar a necessidade de irrigação. Já chuvas muito intensas podem danificar plantações, dificultar colheitas e prejudicar estradas utilizadas para o transporte da produção.

No Espírito Santo, atividades como a produção de café e frutas podem ser afetadas pelo estresse hídrico em períodos prolongados de seca.

Os custos adicionais de irrigação, energia, transporte e recuperação das lavouras também podem ser repassados ao longo da cadeia produtiva, pressionando os preços de frutas, verduras, legumes, grãos, leite e carnes.

“Os alimentos percorrem um longo caminho antes de chegar à nossa mesa. Se a lavoura produz menos ou se o transporte é prejudicado por secas, enchentes ou estradas interditadas, toda essa cadeia fica mais cara”, afirma Luana.

A especialista ressalta ainda que famílias de menor renda podem sentir mais intensamente os efeitos de uma eventual alta dos alimentos, já que uma parcela maior do orçamento é destinada à alimentação.

Calor e baixa umidade favorecem incêndios

A combinação de calor, pouca chuva, baixa umidade e vegetação seca também aumenta o risco de queimadas e incêndios florestais.

Além dos danos ambientais, a fumaça pode prejudicar a qualidade do ar e agravar problemas respiratórios, principalmente entre pessoas mais vulneráveis.

“A queimada não afeta apenas o local onde o fogo começa. A fumaça se espalha, os animais perdem abrigo, o solo fica mais frágil e os recursos hídricos podem ser comprometidos”, alerta Luana.

ES reforça monitoramento para enfrentar o fenômeno

Diante da previsão de impactos associados ao El Niño 2026/2027, o Governo do Espírito Santo criou o Centro Integrado de Comando e Controle para o Enfrentamento dos Impactos do El Niño.

Entre as ações previstas estão o monitoramento das bacias hidrográficas e das condições meteorológicas, o fortalecimento dos alertas da Defesa Civil, a fiscalização do uso da água, a mobilização de brigadas para prevenção e combate a incêndios e a orientação aos produtores rurais.

A população também é orientada a acompanhar os comunicados oficiais e os alertas de emergência. Para receber gratuitamente os alertas da Defesa Civil Nacional por SMS, basta enviar o CEP da localidade para o número 40199.

“O El Niño é um fenômeno natural, mas seus efeitos também dependem do quanto estamos preparados para enfrentá-los. Transformar informação em prevenção é fundamental para proteger a produção, os territórios e, principalmente, as pessoas”, conclui Luana Romero.

Fonte: P6 Comunicação

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