Vacinação e vigilância são reforçadas para conter novos casos de sarampo no Brasil
Publicado em 29/08/2026 às 09:54
Foto: Magnific
Diante do registro de novos casos de sarampo no país, o Ministério da Saúde intensificou as ações de vigilância epidemiológica e vacinação. A pasta também reforça a importância de manter a caderneta de vacinação atualizada, especialmente entre crianças e adolescentes.
A principal medida de prevenção contra o sarampo é a vacinação. Atualmente, a vacina tríplice viral, que também oferece proteção contra caxumba e rubéola, está disponível gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e faz parte do Calendário Nacional de Vacinação.
Em 2026, o Brasil confirmou 27 casos de sarampo. Desses, 24 estão relacionados a uma cadeia de transmissão iniciada em junho no estado de São Paulo. A capital paulista concentra 21 ocorrências, enquanto São Bernardo do Campo registrou duas e Guarulhos, uma.
Os outros três casos foram identificados anteriormente e não apresentam relação entre si. Dois ocorreram em São Paulo e um no Rio de Janeiro. Como não foram registrados novos casos relacionados a essas ocorrências durante 12 semanas, elas são consideradas encerradas.
Ações de controle
Para evitar que o vírus continue circulando, o Ministério da Saúde trabalha em conjunto com governos estaduais e municipais. Entre as medidas estão a investigação dos casos suspeitos e confirmados, o acompanhamento de pessoas que tiveram contato com infectados, a procura ativa por novos casos e a vacinação de bloqueio.
A estratégia adotada pode variar de acordo com a situação epidemiológica de cada região. O objetivo é interromper rapidamente as cadeias de transmissão e impedir que o vírus volte a circular de forma contínua no território nacional.
Em 2025, o país registrou 38 casos relacionados à importação do vírus. Segundo o Ministério da Saúde, todas essas ocorrências foram controladas pelas ações de vigilância e vacinação. Dessa forma, o Brasil permanece sem circulação endêmica do sarampo, mesmo diante do crescimento de casos observado em outros países das Américas.
Mais de 13 milhões de doses distribuídas
Somente em 2026, mais de 13 milhões de doses da vacina tríplice viral foram distribuídas pelo Ministério da Saúde aos estados e municípios brasileiros. Desse total, mais de 5,4 milhões já foram aplicadas.
Os índices de vacinação também apresentam recuperação. Depois de seis anos consecutivos de queda, as coberturas vacinais começaram a aumentar novamente a partir de 2023.
A cobertura da tríplice viral, que havia ficado abaixo de 80% em 2021, ultrapassou 93% em 2025. O resultado foi o melhor registrado pelo país nos últimos nove anos. Nesse período, o número de crianças protegidas cresceu, em média, 10% ao ano, representando aproximadamente 1 milhão de crianças a mais vacinadas anualmente nos primeiros anos de vida.
Quem deve receber a vacina?
Para as crianças, o calendário de rotina estabelece duas doses da tríplice viral: a primeira aos 12 meses e a segunda aos 15 meses de idade.
Entre pessoas de até 29 anos que não tenham sido imunizadas ou não possuam comprovação da vacinação, são indicadas duas doses, respeitando um intervalo mínimo de 30 dias. Para adultos entre 30 e 59 anos, é recomendada uma dose.
Em situações de maior risco de transmissão, as autoridades de saúde podem adotar estratégias adicionais. Foi o que ocorreu em municípios paulistas afetados pela atual cadeia de transmissão.
Em São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo, o Ministério da Saúde recomendou a aplicação da chamada “dose zero” em crianças de 6 a 11 meses.
Essa dose tem caráter excepcional e funciona como uma proteção adicional para bebês menores de um ano em regiões onde existe maior risco de circulação do vírus. Ela, entretanto, não substitui as doses regulares previstas para os 12 e 15 meses.
Prevenção depende da vacinação
O sarampo é uma doença altamente contagiosa, o que torna a vacinação fundamental para impedir sua disseminação. Além de proteger individualmente as pessoas imunizadas, uma cobertura vacinal elevada dificulta a formação de novas cadeias de transmissão.
Por isso, o Ministério da Saúde orienta que a população confira a situação vacinal e procure uma unidade de saúde caso existam doses pendentes.
A manutenção de altas coberturas vacinais, associada à identificação rápida de casos e ao acompanhamento de seus contatos, é considerada essencial para impedir que o sarampo volte a estabelecer circulação contínua no Brasil.
Texto: Ministério da Saúde