Simpósio reúne especialistas para discutir futuro dos rios e da biodiversidade da Mata Atlântica
Publicado em 21/08/2026 às 14:56
Foto:Divulgação/INMA
Cerca de 200 professores, pesquisadores, estudantes, gestores ambientais, expositores e representantes da comunidade participam, nesta sexta-feira (21), do XIV Simpósio sobre a Biodiversidade da Mata Atlântica (Simbioma), realizado no Museu de Biologia Professor Mello Leitão, em Santa Teresa, no Espírito Santo. O evento é promovido pela Associação de Amigos do Museu (Sambio), em parceria com o Instituto Nacional da Mata Atlântica (INMA).
Com o tema “Ecossistemas aquáticos da Mata Atlântica: da integridade dos rios à sustentabilidade dos territórios”, o simpósio reúne especialistas para discutir a conservação dos rios, córregos, matas ciliares e espécies associadas aos ambientes aquáticos.
Matas ciliares são fundamentais para a conservação dos rios
Na palestra de abertura, o professor da Universidade Federal de Lavras (UFLA), Paulo dos Santos Pompeu, destacou a importância das matas ciliares para a conservação da fauna de riachos da Mata Atlântica. Segundo ele, a vegetação às margens dos rios contribui para prevenir o assoreamento e a contaminação da água, além de fornecer alimento e abrigo para os peixes.
Pompeu ressaltou que a qualidade dos ambientes aquáticos está diretamente relacionada ao que acontece em toda a bacia de drenagem, incluindo as atividades humanas.
“O destino dos nossos rios, de alguma forma, anuncia o nosso. Se a gente quiser se manter de uma maneira sustentável no nosso planeta por muito tempo, sem dúvida, a gente tem que ter um olhar diferenciado sobre nossos rios e córregos.”
Um dos exemplos apresentados pelo pesquisador foi o monitoramento da Bacia do Rio Doce, afetada pelo rompimento da barragem de Fundão, em 2015. Pompeu explicou que os estudos apontam sinais de recuperação do rio, especialmente em áreas mais distantes do local do desastre e em regiões que contam com afluentes que não foram diretamente afetados.
Ao mesmo tempo, a pesquisa identificou o aumento da abundância de espécies não nativas, que representa um desafio adicional para a recuperação da biodiversidade.
Conservação também é estratégia diante das mudanças climáticas
O professor também abordou a relação entre a conservação dos ecossistemas aquáticos e as mudanças climáticas. Segundo Pompeu, diferentes regiões do Brasil poderão enfrentar alterações no regime de chuvas e maior frequência de eventos extremos.
Nesse cenário, a preservação das matas ciliares pode contribuir para a regularização das vazões dos rios, a manutenção da segurança hídrica e a redução de riscos associados a desmoronamentos e outros impactos provocados por eventos climáticos extremos.
Bagrinho-de-kaetés é espécie-símbolo do Simbioma 2026
Outro destaque da programação foi o bagrinho-de-kaetés (Trichogenes claviger), escolhido como espécie-símbolo do Simbioma 2026. A espécie é endêmica de riachos da Mata Atlântica no sul do Espírito Santo e está criticamente ameaçada de extinção.
A pesquisadora do INMA Juliana Paulo da Silva Novelli explicou que a espécie depende de ambientes com águas muito frias e limpas. Por isso, a conservação da floresta no entorno dos cursos d’água é fundamental para sua sobrevivência.
“Se não houver uma floresta sadia, os rios também não vão estar e vice-versa.”
Para a pesquisadora, a escolha do bagrinho-de-kaetés como símbolo do evento também contribui para ampliar o conhecimento sobre a espécie e chamar a atenção para a importância dos ambientes aquáticos e de toda a biodiversidade associada a eles.
Comunidades locais são fundamentais para a conservação
A palestra magna do Simbioma foi ministrada pela professora Luísa Sarmento Soares, que ressaltou a importância da participação das comunidades locais nos projetos de conservação.
Segundo ela, os pesquisadores precisam compartilhar os resultados dos estudos com as pessoas que vivem nos territórios, pois a população local pode atuar como uma importante aliada na proteção da biodiversidade.
Luísa apresentou como exemplo um trabalho desenvolvido pelo Instituto Nossos Riachos, em Niterói (RJ), onde uma área degradada às margens de um riacho urbano vem sendo recuperada desde 2019. O local, que apresentava vegetação degradada e acúmulo de lixo, passou por um processo de restauração e atualmente também é utilizado pela comunidade.
A professora destacou ainda que a participação dos estudantes em eventos como o Simbioma pode estimular novas iniciativas que aproximem a conservação ambiental da vida cotidiana das pessoas.
Estudantes destacam troca de experiências
Entre os participantes está a estudante de Biologia Elisa Magno, da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), campus de São Mateus. Pela primeira vez no evento e também apresentando um trabalho, ela destacou a oportunidade de compartilhar pesquisas e ampliar conhecimentos.
O estudante de Biologia Luan Nascimento de Souza, da Ufes de Goiabeiras, também ressaltou a possibilidade de conhecer pesquisadores de outras regiões e estabelecer novas conexões acadêmicas.
O XIV Simbioma termina nesta sexta-feira (21). A programação inclui palestras, painéis, minicursos, mesas-redondas, apresentação de trabalhos científicos, concursos e atividades de integração, reunindo pesquisadores, estudantes e representantes da sociedade em torno da conservação da biodiversidade da Mata Atlântica.
Fonte: INMA