Incaper cria ferramenta para fortalecer a sustentabilidade da produção leiteira no Espírito Santo
Publicado em 11/07/2026 às 10:31
Foto: Magnific
O Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) desenvolveu um conjunto de critérios para auxiliar produtores e técnicos na avaliação da sustentabilidade das propriedades leiteiras do Espírito Santo. A iniciativa, denominada Currículo Mínimo de Sustentabilidade para a Pecuária Leiteira Capixaba, reúne 91 indicadores voltados ao aperfeiçoamento da atividade.
A proposta considera que a sustentabilidade na produção de leite não está ligada apenas à preservação ambiental, mas também à produtividade, à saúde dos animais, ao bem-estar do rebanho, à administração financeira das propriedades e à qualidade do produto final.
A ferramenta permite analisar as fazendas com base em três dimensões principais: econômica, social e ambiental. Cada indicador recebe uma classificação que pode variar entre crítico, intermediário e desejável, possibilitando a identificação de pontos que necessitam de melhorias. O objetivo é padronizar a avaliação das propriedades e incentivar sistemas produtivos mais eficientes e responsáveis.
Cuidados sanitários e qualidade do leite
Entre os critérios estabelecidos, há orientações voltadas à prevenção e ao controle de doenças que afetam o rebanho. Para a detecção da mastite clínica, por exemplo, recomenda-se a realização do teste da caneca de fundo escuro antes de cada ordenha. O material também sugere análises microbiológicas periódicas e o uso do antibiograma em casos de suspeita de resistência a medicamentos, permitindo tratamentos mais adequados.
No caso da mastite subclínica, o acompanhamento mensal da Contagem de Células Somáticas (CCS) é apontado como uma prática importante. Além disso, vacas com índices elevados devem passar pelo teste CMT e por exames microbiológicos capazes de identificar o agente causador da infecção.
Atenção especial às bezerras
O documento também apresenta recomendações para os cuidados com os animais recém-nascidos. Entre as práticas consideradas ideais estão a retirada da bezerra da maternidade logo após o parto, a secagem do animal, a desinfecção do umbigo com iodo ou clorexidina, além da pesagem e identificação nas primeiras horas de vida.
Outro aspecto destacado é o fornecimento de colostro. A orientação é que a bezerra receba uma quantidade correspondente a 10% do seu peso corporal até duas horas após o nascimento. A qualidade desse alimento deve ser verificada por instrumentos específicos, como colostrômetro ou refratômetro Brix. Quando a mãe não produz colostro suficiente, recomenda-se o uso de bancos de colostro ou suplementos apropriados.
Em relação à saúde das bezerras, o currículo estabelece metas para reduzir problemas como diarreia, pneumonia, infecções umbilicais e tristeza parasitária bovina. A mortalidade dos animais jovens deve permanecer abaixo de 5% para ser considerada adequada.
Bem-estar animal como prioridade
O acesso constante à água limpa e em quantidade suficiente é outro requisito avaliado pela ferramenta. O nível considerado ideal prevê consumo mínimo de 60 litros de água por unidade animal diariamente, além da instalação de bebedouros em locais estratégicos e da manutenção frequente das estruturas.
O conforto térmico também recebe atenção especial. As propriedades devem oferecer áreas sombreadas com espaço adequado para os animais, seja por meio de árvores ou de estruturas artificiais. Em locais de espera para a ordenha, a utilização de ventiladores e sistemas de aspersão é apontada como uma medida eficiente para reduzir o estresse térmico das vacas.
Segundo o Incaper, o currículo foi elaborado para servir como apoio à assistência técnica e aos produtores rurais, contribuindo para o aumento da produtividade e para a adoção de práticas mais sustentáveis na pecuária leiteira capixaba.
Texto: Incaper