Vida Saudável
Queda de cabelo entra na lista de preocupações de quem usa canetas emagrecedoras
Publicado em 09/07/2026 às 16:24
Perder peso rapidamente é o desejo de muita gente. Mas, para algumas pessoas, o reflexo da transformação não aparece apenas na balança. Relatos sobre queda intensa de cabelo durante o uso de canetas emagrecedoras voltaram a ganhar destaque após a cantora Lexa revelar que enfrentou o problema durante o tratamento. O assunto acendeu um alerta entre pacientes e especialistas: afinal, o emagrecimento acelerado pode custar a saúde dos fios?
A ciência tenta explicar. A metanálise mais recente, que reuniu nove estudos com 4.114 pacientes, por exemplo, encontrou um risco cerca de 3,2 vezes maior de queda de cabelo com uso de canetas emagrecedoras em comparação com placebo, sugerindo assim que existe uma associação estatística entre os agonistas de GLP-1 (como semaglutida) e a tirzepatida (Mounjaro) com aumento do risco de perda dos fios.

No entanto, a maioria dos pesquisadores acredita que, na grande parte dos casos, a queda não ocorre porque a tirzepatida “envenena” o folículo piloso. O mecanismo mais provável é uma combinação de fatores, como perda de peso rápida, redução importante da ingestão de calorias e proteínas, deficiência de ferro, zinco, vitamina D, B12 ou outros nutrientes e mudança hormonal e metabólica.
“O que observamos na prática clínica é que o principal gatilho costuma ser o emagrecimento acelerado. Quando o organismo passa por um estresse metabólico importante, ele prioriza funções vitais e pode reduzir temporariamente recursos destinados ao crescimento dos fios”, explica a farmacêutica e tricologista Cristal Bastos, fundadora da Cristal Clínica Capilar, com unidades em Vitória e São Paulo.

Esse quadro é conhecido como eflúvio telógeno, uma condição em que um número maior de cabelos entra precocemente na fase de queda. Os sintomas costumam surgir entre dois e quatro meses após o início do processo de emagrecimento. “O cabelo é um tecido extremamente sensível às alterações do organismo. Mudanças bruscas no peso, restrições alimentares importantes, deficiências nutricionais, alterações hormonais e até o estresse emocional podem interferir diretamente no ciclo capilar”, afirma Cristal.
A especialista destaca que a redução do apetite provocada pelas medicações pode levar algumas pessoas a consumirem menos proteínas, ferro, zinco e vitaminas essenciais para a saúde dos cabelos. “Muitas vezes, a queda acontece porque o paciente deixa de atingir as necessidades nutricionais necessárias para manter o funcionamento adequado dos folículos capilares”, alerta.
A boa notícia é que, na maioria dos casos, a queda é temporária e reversível. Para evitar o problema, Cristal recomenda acompanhamento multidisciplinar desde o início do tratamento. “O ideal é que o emagrecimento aconteça de forma planejada, com acompanhamento médico e nutricional. Quanto mais equilibrado for esse processo, menores são as chances de impactos negativos na saúde capilar”, orienta.
A especialista destaca que nem toda queda durante o uso de GLP-1 é consequência do medicamento ou do emagrecimento. “Muitas pessoas que iniciam esse tratamento já apresentam predisposição à alopecia androgenética, deficiência de ferro, alterações hormonais ou outras condições que podem ser descompensadas pelo estresse metabólico da perda de peso. Por isso, a investigação individualizada continua sendo fundamental”.
Ela ressalta ainda que a prevenção é fundamental. “Hoje falamos muito sobre longevidade capilar. Isso significa entender que o cabelo também responde ao estilo de vida, à alimentação e à saúde geral do organismo. Cuidar dos fios não deve começar apenas quando a queda aparece. Quanto mais precoce for a atenção aos sinais do corpo, melhores tendem a ser os resultados”, ressalta.
Além dos cuidados nutricionais, a tricologista recomenda procurar avaliação especializada ao perceber aumento da queda, afinamento dos fios ou alterações no couro cabeludo durante o processo de emagrecimento. “Toda queda de cabelo é um sintoma, não um diagnóstico. Identificar a causa correta é o primeiro passo para tratar de forma adequada e preservar a saúde capilar a longo prazo”, destaca.
Saiba mais
Fatores: Até o momento, as evidências sugerem que na grande parte dos casos, a queda não ocorre porque a tirzepatida tem efeito tóxico no folículo piloso. O mecanismo mais provável é uma combinação de fatores: perda de peso rápida, redução importante da ingestão de calorias e proteínas, deficiência de ferro, zinco, vitamina D, B12 ou outros nutrientes e mudança hormonal e metabólica. Tudo isso pode desencadear o eflúvio telógeno, um tipo de queda difusa e geralmente temporária.
A queda é permanente? Na maioria dos casos, não. O eflúvio telógeno costuma começar dois a quatro meses após uma perda importante de peso e tende a melhorar quando o peso estabiliza, a ingestão de proteína é adequada e eventuais deficiências nutricionais são corrigidas. A recuperação completa pode levar de seis a 12 meses, dependendo da pessoa.
Risco: Os estudos sugerem maior risco em pessoas que perdem peso muito rapidamente, ingerem pouca proteína, já tinham tendência à queda de cabelo (como alopecia androgenética) e apresentam deficiência de ferro ou outras vitaminas.
Fonte: Elo Comunicação