Ufes registra três novas cultivares de café conilon com foco em produtividade e adaptação climática
Publicado em 17/06/2026 às 09:53
Foto: Julio Huber
A Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) ampliou sua contribuição para a cafeicultura brasileira com o registro de três novas cultivares de café conilon junto ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Batizadas de Caxixe, Aimorés e Leve L80, as variedades são resultado de pesquisas voltadas ao melhoramento genético da espécie Coffea canephora e reforçam o papel da instituição no desenvolvimento de tecnologias para o setor.
Com as novas aprovações, a Ufes passa a contar com dez cultivares registradas no Registro Nacional de Cultivares (RNC), consolidando-se como a única instituição de ensino superior do país responsável por coordenar registros de variedades de café junto ao órgão federal.
As pesquisas são lideradas pelo professor Fábio Luiz Partelli, dos programas de pós-graduação em Agricultura Tropical e em Genética e Melhoramento do Centro Universitário Norte do Espírito Santo (Ceunes), em São Mateus.
Cada cultivar foi desenvolvida para atender demandas específicas da produção cafeeira. A Caxixe se destaca pela adaptação a temperaturas mais amenas, ampliando o potencial de cultivo do conilon em regiões de maior altitude. A Aimorés foi selecionada para apresentar bom desempenho nas condições da região leste de Minas Gerais. Já a Leve L80 chama a atenção pelo menor teor de cafeína.
O registro mais recente foi o da cultivar Caxixe, aprovado em junho. O material foi obtido a partir da seleção de genótipos adaptados a ambientes de temperaturas mais baixas em experimentos realizados na comunidade de Alto Caxixe, em Venda Nova do Imigrante, a cerca de 1.100 metros de altitude. O projeto contou com a participação do Grupo Khas e apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes).
As cultivares Aimorés e Leve L80 receberam registro em maio. No caso da Aimorés, os testes foram realizados no município mineiro que dá nome à variedade, em parceria com produtores locais e com a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater).
Entre as novidades, a Leve L80 se destaca por apresentar aproximadamente 30% menos cafeína do que os cafés conilon convencionais. A cultivar possui cerca de 1,33 grama de cafeína para cada 100 gramas de grãos, índice próximo ao encontrado em cafés arábica.
De acordo com os pesquisadores, a característica abre novas possibilidades para o mercado, atendendo consumidores que buscam bebidas com menor teor de cafeína sem abrir mão das qualidades típicas do conilon.
O desenvolvimento da Leve L80 contou ainda com a parceria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e apoio da Fapes.
Além dos ganhos para a produção agrícola, os projetos contribuem para a formação de profissionais e pesquisadores, envolvendo estudantes de graduação, mestrado e doutorado e resultando em publicações científicas em periódicos nacionais e internacionais.
A equipe da Ufes já trabalha no desenvolvimento de novas cultivares híbridas e de plantas de porte elevado adaptadas às condições climáticas do Espírito Santo e da Bahia. Os avanços das pesquisas deverão ser apresentados durante a 15ª edição do Simpósio do Produtor de Conilon, prevista para novembro, em São Mateus.
Fonte: Ufes