Brasil amplia relações com a África e reforça cooperação em comércio, ciência e cultura
Publicado em 25/05/2026 às 14:01
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
O Dia da África, celebrado nesta segunda-feira (25), marca um momento de fortalecimento das relações entre o Brasil e os países africanos no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A estratégia busca diversificar parceiros comerciais e ampliar laços diplomáticos, culturais, científicos e históricos com o continente africano.
Desde o início do atual mandato, Lula realizou sete viagens oficiais à África, incluindo visitas à África do Sul, Angola, São Tomé e Príncipe, Egito, Etiópia e Moçambique. Nesse período, foram assinados acordos em áreas como agricultura, defesa, saúde, educação, turismo e aviação civil.
O governo brasileiro também recebeu em Brasília líderes africanos, entre eles Patrice Talon, Bola Tinubu e João Lourenço, resultando em novos memorandos de entendimento e parcerias bilaterais.
Relação histórica
O Brasil foi o país que mais recebeu africanos escravizados entre os séculos XVI e XIX, com cerca de 4,8 milhões de pessoas trazidas do continente africano. A ligação histórica com Angola é considerada uma das mais intensas do período colonial.
Em abril deste ano, o Ministério da Cultura brasileiro assinou acordos com Angola para integração de arquivos históricos sobre a escravidão, além de ampliar a cooperação cultural e artística entre os dois países.
O secretário de África e Oriente Médio do Itamaraty, embaixador Carlos Sérgio Sobral Duarte, destacou que o cenário internacional e o crescimento africano favorecem a aproximação.
Segundo ele, a África representa um mercado estratégico, com população estimada em 1,5 bilhão de habitantes e maioria jovem, além de apresentar boas perspectivas econômicas.
Comércio ainda é pequeno
Apesar da aproximação diplomática, a participação africana no comércio exterior brasileiro ainda é reduzida. Em 2025, o continente respondeu por 5,7% da corrente comercial do Brasil, totalizando US$ 23,7 bilhões, com superávit de US$ 7,2 bilhões para o lado brasileiro.
Em comparação, a Europa representa quase 32% do comércio exterior do Brasil, enquanto a América do Sul responde por mais de 17%.
Ainda assim, o intercâmbio comercial entre Brasil e África cresceu 52% desde 2020, apesar de uma pequena retração em 2025 na comparação com o ano anterior.
Cooperação científica e tecnológica
Durante as comemorações do Dia da África, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação anunciou o relançamento do Programa ProÁfrica, iniciativa coordenada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico.
O programa receberá investimentos de R$ 25 milhões para ampliar a cooperação científica e tecnológica entre Brasil e países africanos em áreas como agricultura, sustentabilidade, saúde, energia e inovação.
A ministra Luciana Santos afirmou que a iniciativa busca aproximar as comunidades científicas e desenvolver soluções conjuntas para desafios comuns.
Outro edital lançado neste ano prevê R$ 50 milhões para capacitação de pesquisadores, técnicos, estudantes e agricultores, com foco em produtividade agrícola e segurança alimentar.
Especialistas avaliam que instituições brasileiras como a Embrapa, Fiocruz e o CNPq podem contribuir significativamente para o desenvolvimento tecnológico e agrícola no continente africano, especialmente diante dos desafios provocados pelas mudanças climáticas.
Fonte: Lucas Pordeus León – Repórter da Agência Brasil
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