Trump amplia retórica bélica contra Irã e minimiza alta do petróleo

Publicado em 02/04/2026 às 13:32

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Foto: White House

Em seu primeiro pronunciamento em rede nacional desde o início da guerra, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na noite desta quarta-feira (1º) que as forças norte-americanas estariam “desmantelando sistematicamente” a capacidade de defesa do Irã. Segundo ele, os objetivos “estratégicos centrais” do conflito, que já dura 32 dias, estariam próximos de ser alcançados.

Durante a fala, que durou cerca de 20 minutos, Trump exaltou supostos avanços militares no campo de batalha e afirmou que os ataques devem se intensificar nas próximas semanas, embora tenha mantido aberta a possibilidade de negociação diplomática.

“Vamos atacar com extrema força nas próximas duas ou três semanas. Vamos levá-los de volta à idade da pedra, onde pertencem. Enquanto isso, as negociações continuam. Mudança de regime não era nosso objetivo — nunca dissemos isso —, mas ela aconteceu porque praticamente todos os líderes originais morreram”, declarou.

Ainda segundo o presidente, a nova liderança iraniana seria “menos radical e mais razoável”. No entanto, ele advertiu que, caso não haja acordo nesse período, os Estados Unidos já têm alvos estratégicos definidos.

Trump afirmou que esses alvos incluem usinas de geração de energia. Ele disse ainda que os EUA evitaram atingir a infraestrutura petrolífera iraniana.

“Não atacamos o petróleo, embora seja o alvo mais fácil, porque isso eliminaria qualquer chance de sobrevivência ou reconstrução”, afirmou.

Retórica agressiva e silêncio sobre Ormuz

Ao longo do discurso, Trump voltou a usar um tom agressivo e afirmou, sem apresentar provas, que as forças militares iranianas teriam sido “destruídas e esmagadas”, incluindo a Marinha e a Força Aérea do país.

Apesar disso, o presidente não explicou por que o Estreito de Ormuz — corredor marítimo entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, por onde circulava cerca de 20% das exportações mundiais de petróleo — continua sob controle restrito do Irã, provocando impactos nos preços internacionais dos combustíveis.

Sobre o tema, Trump minimizou a dependência dos Estados Unidos em relação ao petróleo transportado pela região e afirmou que os países mais dependentes da rota devem assumir a responsabilidade pela segurança da passagem.

“Os Estados Unidos importam quase nenhum petróleo pelo Estreito de Ormuz — e não importarão no futuro. Não precisamos disso. Derrotamos e praticamente dizimamos o Irã. Eles estão devastados, e os países que recebem petróleo por essa rota precisam cuidar dessa passagem. Nós ajudaremos, mas eles devem liderar a proteção do petróleo do qual dependem tanto”, disse.

Apoio de aliados e impacto no petróleo

Trump também agradeceu o apoio de aliados no Oriente Médio, citando Israel, Arábia Saudita, Catar, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Bahrein. Esses países, que abrigam bases militares norte-americanas, vêm sendo alvo de ações iranianas em retaliação aos ataques promovidos por Israel e pelos Estados Unidos.

Ao comentar a alta no preço do petróleo, o presidente norte-americano classificou o aumento como temporário.

“Muitos americanos têm se preocupado com o recente aumento no preço da gasolina. Esse aumento de curto prazo é resultado direto de ataques terroristas insanos do regime iraniano contra petroleiros comerciais em países vizinhos que nada têm a ver com o conflito. Isso é mais uma prova de que o Irã jamais pode ser confiável com armas nucleares”, declarou.

Comparação com guerras anteriores

Ao justificar a continuidade da ofensiva militar, Trump comparou a duração do atual conflito com outras guerras históricas envolvendo os Estados Unidos.

“A participação americana na Primeira Guerra Mundial durou 1 ano, 7 meses e 5 dias. A Segunda Guerra Mundial durou 3 anos, 8 meses e 25 dias. A Guerra da Coreia durou 3 anos, 1 mês e 2 dias. A Guerra do Vietnã durou 19 anos, 5 meses e 29 dias. A Guerra do Iraque durou 8 anos, 8 meses e 28 dias. Estamos nessa operação militar poderosa e estratégica há 32 dias”, afirmou.

Na avaliação do presidente, o Irã já deixou de representar uma ameaça relevante.

“Esse país foi devastado. Este é um investimento real no futuro dos seus filhos e netos”, completou.

Protestos ignorados no discurso

Trump não mencionou, em seu pronunciamento, a onda de protestos registrada no último fim de semana em diversas cidades dos Estados Unidos, como Nova York, Dallas, Filadélfia e Washington.

As manifestações, que também ocorreram em dezenas de cidades de pequeno e médio porte, criticaram o envolvimento do governo norte-americano na guerra, além de ações policiais relacionadas à deportação de imigrantes.

Essa foi a terceira grande mobilização popular nos últimos meses. Segundo a imprensa dos EUA, Trump enfrenta o pior índice de aprovação desde o início de seu segundo mandato, há pouco mais de um ano, com cerca de um terço de apoio, de acordo com pesquisas de opinião.

Fonte: Pedro Rafael Vilela – Repórter da Agência Brasil

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