Argentina diz que pode enviar militares para guerra se EUA solicitarem
Publicado em 20/03/2026 às 08:43
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O governo da Argentina voltou a sinalizar alinhamento automático com Washington e Tel Aviv ao admitir a possibilidade de enviar militares para a guerra no Oriente Médio, caso os Estados Unidos façam esse pedido.
“Se os Estados Unidos solicitarem, sim. Qualquer assistência que eles considerem necessária será fornecida”, afirmou o porta-voz do governo argentino, Javier Lanari, em entrevista ao jornal espanhol El Mundo, publicada na quarta-feira (18). Ele acrescentou, porém, que desconhece se houve solicitação formal por parte de Washington.
Desde que assumiu a Presidência, Javier Milei tem adotado uma política externa de apoio incondicional a Israel e aos Estados Unidos. Entre os gestos mais simbólicos estão a decisão de retirar a Argentina da Organização Mundial da Saúde (OMS), em sintonia com posições defendidas por Washington, e a promessa de transferir a embaixada argentina de Tel Aviv para Jerusalém — medida vista como respaldo à posição israelense sobre uma cidade cujo status é disputado com os palestinos, que reivindicam Jerusalém Oriental como futura capital de seu Estado.
Além de apoiar a ofensiva contra o Irã, Milei já classificou o país persa como “inimigo” e voltou a responsabilizar Teerã pelo atentado à bomba contra a Associação Mutual Israelita Argentina (AMIA), ocorrido em 1994. O Irã nega qualquer envolvimento no episódio.
As declarações do presidente argentino em defesa de uma escalada militar contra o Irã provocaram reação no país asiático. O jornal Tehran Times publicou editorial afirmando que o governo iraniano não pode ignorar a postura hostil adotada por Buenos Aires.
“Parece que Milei, com essa postura e ao cruzar a linha vermelha da segurança nacional iraniana, busca sacrificar os interesses e a conveniência nacionais no altar dos EUA e do regime de apartheid israelense”, afirma o texto assinado por Saleh Abidi Maleki.
A divulgação da disposição argentina em colaborar militarmente no Oriente Médio ocorre em meio ao avanço de denúncias de corrupção envolvendo Milei no caso da criptomoeda $Libra, promovida por ele nas redes sociais e que causou prejuízos milionários a investidores.
No sábado (14), o jornal argentino El Destape revelou que uma perícia no celular do empresário Mauricio Novelli apontaria um suposto acordo de US$ 5 milhões envolvendo Milei e sua irmã, Karina Milei, dias antes de o presidente divulgar a criptomoeda nas redes sociais, em fevereiro de 2025.
Até o momento, Milei não comentou as novas acusações. O ministro da Justiça, Juan Bautista Mahiques, afirmou que seria “imprudente” acusar o presidente sem conclusão das investigações. Já deputados da oposição tentam usar as denúncias para abrir uma apuração no Parlamento.
A eventual participação argentina em uma ação militar liderada pelos EUA no Oriente Médio não seria inédita. Em 1991, durante a Guerra do Golfo, o então presidente Carlos Menem enviou navios de guerra para apoiar o bloqueio naval imposto ao Iraque após a invasão do Kuwait.
Antes disso, em 1982, a Argentina esteve no centro da Guerra das Malvinas, quando a ditadura militar tentou retomar o controle do arquipélago no Atlântico Sul, administrado pelo Reino Unido e chamado pelos britânicos de Falklands.
Naquele conflito, os Estados Unidos apoiaram o Reino Unido contra a Argentina. A guerra deixou 649 argentinos e 255 britânicos mortos.
Fonte: Lucas Pordeus León – Repórter da Agência Brasil