Petrobras diz que pode reduzir impacto da alta do petróleo no Brasil
Publicado em 10/03/2026 às 16:28
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
A Petrobras informou que pode reduzir o impacto da alta do petróleo no Brasil ao mesmo tempo em que mantém a rentabilidade da companhia.
“Em um cenário em que guerras e tensões geopolíticas ampliam a volatilidade do mercado internacional de energia, a Petrobras reafirma seu compromisso com a mitigação desses efeitos sobre o Brasil”, disse a estatal, em nota encaminhada à Agência Brasil.
A empresa acrescentou que é possível reduzir os efeitos da inflação global provocada pela alta do petróleo porque passou a considerar, em sua estratégia comercial, “as melhores condições de refino e logística”.
“O que nos permite promover períodos de estabilidade nos preços ao mesmo tempo em que resguarda a nossa rentabilidade de maneira sustentável. Essa abordagem reduz a transmissão imediata das variações internacionais para o mercado brasileiro”, afirmou a companhia no comunicado.
A Petrobras ressaltou ainda que, por questões concorrenciais, não pode antecipar decisões sobre preços, mas destacou que segue comprometida com uma atuação “responsável, equilibrada e transparente para a sociedade brasileira”.
Alta do petróleo
A guerra envolvendo o Irã e o fechamento do Estreito de Ormuz, no Oriente Médio — rota por onde trafega cerca de 25% do petróleo mundial — têm pressionado os preços no mercado internacional. Na segunda-feira (9), o barril chegou a US$ 120.
Depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o conflito estaria próximo do fim, os preços recuaram. Atualmente, o barril do Brent crude oil é comercializado abaixo de US$ 100, ainda acima da média de cerca de US$ 70 registrada antes da escalada do conflito.
Após o fechamento dos mercados, Trump voltou a ameaçar o Irã com ataques “vinte vezes mais fortes”, que, segundo ele, tornariam “praticamente impossível a reconstrução do Irã como nação” caso o país continue bloqueando o Estreito de Ormuz.
Política de preços
A diretora técnica do Instituto de Estudos Estratégicos em Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis Zé Eduardo Dutra (Ineep), Ticiana Álvares, explica que a capacidade da Petrobras de mitigar parte dos efeitos da alta do petróleo está ligada ao fato de a companhia ter abandonado, em 2023, a política de paridade do preço internacional (PPI), que determinava a venda de combustíveis com base direta nos valores do mercado global.
“A política da Petrobras acompanhava 100% a trajetória dos preços internacionais. Essa política mudou e agora leva em consideração fatores internos, o que cria essa margem de manobra que a Petrobras tem”, afirmou a especialista.
Apesar disso, Ticiana ressalta que a capacidade de intervenção da estatal é limitada e tende a ser temporária, especialmente porque o Brasil ainda depende da importação de derivados, como gasolina e diesel, além de contar com refinarias privatizadas.
“A refinaria da Bahia, a Refinaria Landulpho Alves (RLAM), foi privatizada. Assim, há menos mecanismos para segurar os preços nessas unidades do que ocorre nas refinarias controladas pela Petrobras”, concluiu.
Fonte: Lucas Pordeus León – Repórter da Agência Brasil