Trump diz que não viu parte racista do vídeo e não se desculpará
Publicado em 09/02/2026 às 16:26
Foto: Foto: White House
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que não percebeu o conteúdo racista de um vídeo publicado em seu perfil em uma rede social que retratava o ex-presidente Barack Obama e a ex-primeira-dama Michelle Obama como macacos. Apesar de condenar o trecho ofensivo, Trump disse que não pretende pedir desculpas.
“Eu não cometi nenhum erro. Eu analiso milhares de coisas. Vi o começo [do vídeo] e estava tudo bem”, declarou o presidente a jornalistas enquanto embarcava no avião presidencial.
A publicação gerou ampla repercussão negativa e levou até mesmo lideranças do Partido Republicano a cobrarem um pedido de desculpas. Diante das críticas, Trump apagou a postagem.
O trecho racista aparece nos segundos finais de um vídeo de cerca de um minuto que divulga teorias da conspiração já desmentidas sobre fraude nas eleições presidenciais de 2020, vencidas pelo democrata Joe Biden. Barack Obama foi o primeiro presidente negro da história dos Estados Unidos.
Questionado sobre o conteúdo, Trump afirmou que “provavelmente” ninguém de sua equipe assistiu ao vídeo até o final. “Alguém deixou passar um detalhe muito pequeno. E, repito, não fui eu que fiz isso. Foi uma republicação”, acrescentou.
Críticas de republicanos
A publicação foi condenada tanto por adversários políticos quanto por membros do próprio partido do presidente. O senador Tim Scott, único republicano negro no Congresso dos EUA, afirmou ter rezado para que o vídeo fosse falso. “É a coisa mais racista que já vi vinda desta Casa Branca”, disse.
O deputado republicano Mike Lawler classificou a postagem como “extremamente ofensiva”, independentemente de ter sido intencional ou não, e afirmou que Trump deveria, além de apagar o vídeo, apresentar um pedido formal de desculpas.
Acusações falsas de fraude
O vídeo foi publicado em meio a uma série de postagens de Trump com acusações infundadas de fraude eleitoral em 2020. Entre elas, estão alegações já desmentidas de que a empresa Dominion Voting Systems teria manipulado a contagem de votos.
Em razão dessas acusações, a emissora Fox News firmou um acordo extrajudicial de US$ 787 milhões com a Dominion para encerrar um processo por difamação.
Impacto político
A retomada do discurso sobre fraude eleitoral ocorre em um momento de avaliação de risco político para Trump, que pode perder a estreita maioria republicana na Câmara e no Senado nas eleições de novembro.
No último sábado, o democrata Taylor Rehmet venceu uma disputa por uma cadeira no Senado estadual do Texas que estava sob controle republicano desde a década de 1990. Segundo a historiadora Heather Cox Richardson, da Universidade de Boston, a vitória ocorreu em um distrito vencido por Trump em 2024 por 17 pontos percentuais.
“Ele venceu por uma margem de 14,4 pontos em um distrito que Trump havia vencido com folga. A virada de 32 pontos percentuais deixou os republicanos em pânico”, afirmou a especialista.
Fonte: Lucas Pordeus Leon – Repórter da Agência Brasil