Santa Maria de Jetibá mostra que o agro capixaba vai além do café e dos ovos

Publicado em 12/01/2026 às 15:14

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Enxaimel Centro (1)

Foto: Divulgação Descubra ES

Em um estado onde o café é uma marca registrada e se espalha de norte a sul, falar em diversificação deixou de ser apenas uma opção e passou a ser uma estratégia econômica. Dados do Painel Agro, do Incaper, indicam que, no último ano, a cafeicultura respondeu por cerca de 52% do Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBPA) do Espírito Santo, revelando uma concentração significativa. Ainda assim, o agro capixaba vai muito além do café: mais de 115 produtos são acompanhados estatisticamente no Estado, e alguns municípios demonstram, na prática, como a diversificação gera renda, estabilidade e novas oportunidades.

Um dos exemplos mais emblemáticos é Santa Maria de Jetibá. Conhecido nacionalmente pela força da avicultura de postura, o município construiu uma base produtiva ampla, intensiva em valor e fortemente conectada aos mercados consumidores.

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“O Espírito Santo é reconhecido pelo café, e isso é motivo de orgulho. Mas exemplos como Santa Maria de Jetibá mostram que o futuro do agro capixaba passa por ampliar oportunidades, agregar valor e incentivar sistemas produtivos diversificados, capazes de sustentar o desenvolvimento rural no longo prazo”, afirma o secretário de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca, Enio Bergoli.

Diversificação

O principal destaque do município continua sendo a produção de ovos de galinha, que movimentou R$ 1,69 bilhão no último ano e respondeu por 51,2% do VBPA local. Trata-se de um único produto, mas com elevada escala, alto giro econômico e grande capacidade de geração de renda e empregos. Ainda assim, o dado mais relevante vem na sequência: a economia de Santa Maria de Jetibá não se resume aos ovos.

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Na fruticultura, o morango ocupa posição de protagonismo, com R$ 304,4 milhões, o equivalente a 9,2% do VBPA municipal. Cultivado em apenas 150 hectares, o produto apresenta alto valor por área, evidenciando como culturas intensivas em tecnologia e manejo qualificado podem multiplicar a renda no campo.

Na olericultura, o município também se destaca pelo volume e pela diversidade. Chuchu e repolho, juntos, somam mais de R$ 519 milhões, sustentados por grandes áreas cultivadas e alta produtividade. O gengibre, com R$ 116,2 milhões, reforça o perfil dinâmico da produção local, conectando o campo a mercados mais exigentes, inclusive no comércio internacional.

Outro aspecto relevante é o peso dos chamados “produtos do dia a dia”. Alface, tomate, cebola, cenoura, batata, brócolis, vagem e dezenas de outras hortaliças apresentam participações individuais menores, mas, somadas, formam uma base econômica robusta, pulverizada e resiliente. Essa diversificação reduz riscos climáticos e de mercado, garantindo maior estabilidade ao produtor e ao município.

Até mesmo o café, principal símbolo da agropecuária capixaba, tem em Santa Maria de Jetibá um papel complementar. O café arábica, com R$ 84,9 milhões, representa apenas 2,6% do VBPA municipal, evidenciando que a cultura integra um sistema produtivo diverso, sem caracterizar dependência exclusiva.

Em um cenário de alta volatilidade, no qual o setor agropecuário é impactado por variações cambiais, problemas climáticos e mudanças no comércio internacional, cadeias concentradas em um único produto tendem a sofrer com maior intensidade. Por outro lado, territórios com base produtiva diversificada conseguem absorver melhor essas oscilações, preservando renda, emprego e dinamismo econômico.

Segundo o gerente de Dados e Análises da Seag, Danieltom Vandermas, a diversificação é um dos principais instrumentos de inteligência de mercado no agro.

“Em uma eventual crise do café, seja por queda de preços, problemas climáticos ou restrições de mercado, municípios altamente dependentes dessa cultura sentem o impacto imediato. A diversificação funciona como um amortecedor de risco. Em Santa Maria de Jetibá, enquanto um produto pode enfrentar dificuldades conjunturais, outros seguem gerando receita, mantendo o giro econômico e sustentando o mercado local. Isso significa diluição de risco, maior previsibilidade de renda e capacidade de atravessar ciclos negativos sem rupturas”, explica.

Fonte: Assessoria de Comunicação da Seag

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