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Coluna Pomerana

200 anos da imigração Alemã no Brasil (1824-2024)

Publicado em 11/07/2023 às 11:15

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José Carlos Heinemann
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O historiador José Carlos Heinemann, membro associado do Instituto Cultural Pomerano Brasileiro, de Jaraguá do Sul/SC, concedeu entrevista à Folha Pomerana sobre as palestras feitas em uma das suas últimas viagens:

Folha Pomerana: José, qual foi o tema de sua palestra em Santa Catarina, no início do mês de junho?

José: Fui convidado pelo Pastor Sinodal Claudir Burmann para proferir palestra para obreiros de dois Sínodos da IECLB. No Estado de Santa Catarina, entre catequistas, diáconose pastores, hoje há 37 obreiros descendentes de pomeranos, provenientes das mais diversas cidades do Estado do Espírito Santo. No final, três Sínodos se juntaram e nos dias 6 a 7 de junho se reuniram em uma casa de retiro em Rodeio Doze, em Santa Catarina.
Eram mais de 81 pastores e para minha surpresa, vieram até pastores eméritos como Nelson Weingärtner, autor de inúmeras obras literárias, como Mundo da Superstição, orientação para a vida de fé e Aldo Beskow, juntamente com a ex-Sinodal Mariane Beyer Ehrat, integrantes do grande projeto em curso, sobre genealogia das famílias alemãs e pomeranas, das comunidades eclesiásticas da IECLB de Santa Catarina. O tema do Encontro versou sobre os 200 anos da Imigração Alemã no
Brasil.

Folha Pomerana: Esse tema é muito abrangente. Qual foi o ponto que mais salientou?

José: Nas palestras procurou-se focar dois temas: Na sua primeira parte, no dia 6 de junho, o palestrante, Dr. João Klug, da Universidade Federal de Florianópolis/SC, falou sobre a origem da imigração alemã e as questões políticas que ela representou para o Brasil. Na segunda parte, ou seja, na minha palestra falei sobre o governo de Dom Pedro I e a atividade desenvolvida pelo Major Schaeffer. Enfatizei o importante papel da nossa Imperatriz Dona Maria Leopoldina Josefa Caroline da Áustria no processo da imigração germânica (ela nasceu em 22 de janeiro de 1797, na cidade de Viena e veio a falecer, ainda jovem, em 11 de dezembro de 1826, no Palácio Boa Vista no Rio de Janeiro). Essa princesa da Casa de Habsburgo-Lorena, por casamento com Dom Pedro I, em maio de 1817, se tornou nossa primeira Imperatriz do Brasil. As suas muitas conversações mais importantes aconteciam com José Bonifácio de Andrade e Silva. Os diálogos entre os dois sempre aconteciam em língua alemã, uma vez que Bonifácio tinha estudado
em uma universidade germânica.

Pintor Thomas Ender apresentou o Brasil para a imperatriz Dona Leopoldina em um
quadro.

Dona Leopoldina escrevia euforicamente para sua irmã Marie Louise da Áustria, casada em 1810, em segundas núpcias com Napoleão Bonaparte. Em suas muitas cartas a ela, sem rodeios, enfatizava:
… “O Brasil é um pedaço de céu maravilhoso e manso, um país abençoado e tem habitantes honestos e de boa índole…”
Os biógrafos de Dom Pedro I apontam que ele teve uma boa educação, apesar de não ter gostado de estudar. Talvez, em função disto Dona Leopoldina rapidamente e de forma crescente, tenha desenvolvido grande influência sobre o marido. O Imperador discutia assuntos políticos e todos assuntos de governo com a esposa. Com o passar do tempo isso só aumentou a sua influência. A vinda de imigrantes alemães nasceu das conversas de Dona Leopoldina com José Bonifácio de Andrada e Silva. Em janeiro de 1822, o Infante Dom Pedro, a quem seu pai Dom João VI havia confiado o governo do Brasil, deu início ao amplo
processo de autonomia para o Brasil – um passo decisivo na história brasileira e que efetivamente também pode ser atribuído à influência de Dona Leopoldina.

Dona Leopoldina atenta aos desejos de um melhor Brasil.
Cartas e diário refletem de fato o que foi Dona Leopoldina, a Imperatriz do Brasil.

A imperatriz atraiu cientistas e pintores austríacos para o Brasil e incentivou expedições acadêmicas que produziram valiosos resultados. Sem dúvida, foi a grande responsável pela vinda dos primeiros imigrantes alemães para o Brasil, inicialmente para São Leopoldo, no dia 25 de julho de 1824. Esses europeus vieram ao Brasil em uma tentativa de substituir a mão de obra dos escravos africanos libertos. Dessa forma, em muitos lugares do Brasil, como na região fluminense e no interior de São Paulo foram levados para trabalharem nas fazendas de café. Inicialmente muitos tinham sido assentados sob os “cuidados” de
políticos fazendeiros paulistas. Depois muitos, descontentes com o sistema de quase escravidão, reinante nas fazendas de café, terminaram sendo redistribuídos para outras regiões do Brasil.

Com sua boa índole e com grande experiência na agricultura em sua terra natal se tornaram excelentes trabalhadores agrícolas. Logo, muitos pequenos povoados se transformaram em grandes cidades.

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