Veja 50 dicas para evitar ser pego pela inflação

Publicado em 07/02/2022 às 08:20

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Inflação
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O Brasil fechou o ano de 2021 com uma inflação de 10,06%, segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). O maior índice desde 2015, e segundo maior desde 2002, não é apenas um número importante para os economistas. A inflação é sentida na prática pela população.

“A inflação brasileira no ano passado acelerou e o que compensou um pouco foi a melhora da taxa de emprego. Ainda assim, essa redução do poder de compra aconteceu para as famílias, principalmente para as mais pobres. Ou seja, diminuiu o que elas podiam comprar dentro dos seus orçamentos”, explica José Ronaldo, diretor do Ipea e professor do Ibmec RJ.

Mas você sabe os motivos da alta da inflação?

“Um dos fatores que ajudam a explicar este fenômeno internacional é a desorganização das cadeias produtivas globais provocada pela pandemia de Covid, quando em 2020 houve uma significativa queda da atividade econômica mundial, seguida de um processo de retomada desequilibrado”, afirma Sandro Maskio, coordenador de estudos do Observatório Econômico da Universidade Metodista de São Paulo (Umesp).

Países mais desenvolvidos, que começaram a retomar a atividade econômica mais rapidamente, correram atrás de insumos de produção para reverter o prejuízo. E a demanda, maior do que a oferta, pressionou os preços — numa alta que foi sentida em seguida pelos países com a retomada mais lenta.

No Brasil, além disso, a taxa de câmbio com a moeda nacional mais desvalorizada do que no início de 2020 elevou a inflação, diz Maskio:

“De um lado, esta taxa de câmbio encarece as importações. Do outro lado, gera a tendência de o setor produtivo brasileiro ampliar a oferta de bens para exportação e retrair a oferta no mercado local. Isso também pressiona os preços internos, a exemplo de alguns alimentos.”

Mas até fatores climáticos acabam contribuindo para o encarecimento de serviços e produtos, aponta José Ronaldo. A estiagem no território nacional afetou negativamente algumas cadeias agropecuárias, gerando inflação nos alimentos; reduziu níveis de água nos reservatórios das hidrelétricas, gerando a necessidade de serem acionadas diversas termoelétricas, mais caras, o que ampliou o custo da energia elétrica em 2021; e aumentou os custos de diversas indústrias.

Despesas invisíveis que pesam

Foi uma conta simples que mudou a vida financeira da aposentada Thina Alvarez, de 66 anos. Amante de um bom chocolate, ela notou que comprava um ou mais bombons a cada vez que ia na rua. Aparentemente, um hábito inofensivo e relativamente comum, mas que fazia diferença no fim do mês.

“Adoro chocolate e toda vez que eu saía comprava um bombom, dois, três. Gastava de R$ 5 a R$ 15 por dia de bombom, são 150 reais por mês, ou R$ 1.800 por ano. Depois de perceber isso, passei a anotar todos os gastos, inclusive essas pequenas despesas, para onde foi meu dinheiro”, conta. “Tinha assinatura de streaming e pagava por vários canais de TV a cabo a que não assistia. Numa assinatura pagava R$ 150 por mês, que era debitado no cartão e eu nem percebia, mas utilizava 10%. Reduzi para R$ 49.”

A aposentada percebeu que, sem uma visão mais apurada do que realmente gastava e do que recebia, não seria possível economizar e controlar os gastos de forma eficiente. Por isso, começou a anotar em uma planilha todos os gastos e compromissos financeiros.

Para Tarcísio Duarte, assessor de Investimentos e sócio na Philos Investem , em tempos de inflação alta fica mais difícil ainda economizar, já que muitas vezes, mesmo cortando despesas, os consumidores gastam mais porque os preços dos produtos e dos serviços subiram muito, e os salários não acompanharam o custo de vida.

“Realmente, “planilhar” os gastos em uma tabela no computador ou anotar à mão é a forma mais eficiente para ver quanto está gastando de combustível, transporte, energia, refeição fora de casa, ao longo dos meses, e quanto pode gastar. A pessoa às vezes pode cortar despesas que acredita que vão fazer diferença, mas como não tem visão do todo, pode fazer da forma errada e menos eficiente”, sinaliza Duarte.

O consultor financeiro recomenda ainda que pessoas que têm dívidas tentem renegociar com credores após a alta na taxa básica de juros — a Selic subiu de 9,25% ao ano para 10,75% na semana passada. Segundo ele, em alguns contratos, a taxa influencia na cobrança e vai elevar a dívida.

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Veja os maiores vilões

O principal vilão da inflação medida pelo IPCA em 2021 foi o grupo de transporte (21,03%), influenciado pelos combustíveis, com o encarecimento do etanol (62,2%), da gasolina (47,5%) e do diesel (46%). Isso por conta do aumento do preço do petróleo no mercado internacional, da taxa de câmbio ampliando o custo de aquisição e da política de preços adotada pela Petrobras.

O encarecimento dos combustíveis, aliás, impacta praticamente todos os setores produtivos, elevando os gastos com transportes na cadeia de produção e distribuição.

No grupo de habitação, a alta chegou a 13,05%, influenciada pelo aumento do preço do botijão de gás (36,9%), da energia elétrica residencial (21,2%); e dos alimentos (7,94%).

Apesar de essas grandes contas merecerem atenção, não são apenas nelas que as famílias podem e devem fazer cortes para economizar. Para a educadora e planejadora financeira Aline Soaper, um dos maiores desafios é identificar o acúmulo de pequenas despesas diárias que colocam em risco todo o planejamento familiar mensal.

“É fácil detectar as contas grandes que atrapalham o orçamento. Só que as pessoas não olham para os pequenos gastos, uma prestação de R$ 50. De R$ 50 em R$ 50, vira R$ 1 mil no fim do mês. Essas são as despesas fantasmas ou despesas invisíveis que consomem mais de 10% de orçamento da família. Pode ser um gasto com comida na rua, açaí, cachorro quente, é como se fosse um cano furado”, ressalta Aline.

Apertar os cintos financeiros

As despesas com vestuário e calçados também têm pressionado o bolso dos brasileiros. Poucos consumidores sabem, mas é possível prolongar a vida útil das peças do vestuário, e evitar o desperdício de produtos de limpeza e energia elétrica, com pequenas mudanças de hábitos. Para a consultora de estilo Leila Medeiros, o primeiro é cuidar da organização do armário. E há formas que preservam as roupas e seu bolso, segundo ela:

“Para evitar amassados e vincos no tecido, é importante dobrar e guardar as roupas adequadamente. Sempre que possível, evite empilhar muitas peças para que o próprio peso da pilha não amasse as que estão embaixo. No caso das camisas, priorize deixá-las penduradas com os botões fechados e com espaço entre os cabides.”

De acordo com a especialista, na hora de comprar é possível economizar, mas é preciso observar algumas características das peças, especialmente se a compra é feita em brechós ou pela internet.

“Seja em brechós ou em plataformas on-line, é importante redobrar a atenção para detalhes como fechos, costuras, botões e zíperes e para o estado de conservação das peças, verificando a presença de manchas e marcas de uso. Quanto mais informação, melhor: fotos de ângulos variados no caso da venda on-line e etiquetas informando a marca e o tecido ajudam a entender o que o consumidor está comprando e a calcular o custo- benefício da peça”, indica a consultora de estilo.

Também é possível vender suas próprias roupas usadas, em bom estado, e ganhar uma renda extra, indispensável em um momento como o atual, de alta nos preços:

“As contas não cabem no bolso, o salário não acompanha a inflação, e um recurso a mais faz diferença”, avalia a especialista Aline Soaper.

Veja 50 dicas de ouro Combustíveis

  • – Diminua o uso do ar condicionado. Ele faz o carro consumir mais combustível, já que o equipamento é operado pelo motor;
  • – Não adie tirar uma mala do carro. Cargas acima de 10 quilos influenciam no consumo de gasolina, pois sobrecarregam o motor;
  • – Verifique a pressão dos pneus. Pneus murchos geram mais atrito com a via e fazem a gasolina render menos;
  • – Não acelere com o carro parado no farol, pois isso contribui para esvaziar o tanque mais rápido.

Energia

  • – Tire da tomada todos os aparelhos que ficam de stand by antes de dormir, deixando ligado durante a madrugada somente o necessário, como a geladeira;
  • – Pendure a roupa em um cabide no banheiro durante o banho quente e mantenha as saídas de ar fechadas. O vapor desamassa a roupa;
  • – Roupas mais delicadas devem ser passadas primeiro. Ao final, você pode desligar o ferro e aproveitar seu calor para passar roupas leves;
  • – Não utilize a parte traseira do refrigerador para secar panos e roupas;
  • – Evite o uso do chuveiro entre 17h e 22h, já que a energia fica mais cara no horário de pico do consumo

Gás

  • – Mantenha as bocas do fogão limpas. Se as chamas estiverem meio amarelas ou laranjas, é sinal de que as bocas estão sujas ou com mau funcionamento, e mais gás é preciso para cozinhar o alimento. Uma agulha pode desentupir orifícios;
  • – Para cozinhar mais rápido, usando menos gás, deixe grãos, como feijão e grão de bico, de molho por pelo menos 12 horas antes de levá-los ao fogão;
  • – Use a panela de pressão quando possível para cozinhar alimentos em menos tempo;
  • – Prepare alimentos juntos. Enquanto um alimento está cozinhando na panela, uma escorredeira metálica em cima pode preparar legumes no vapor. No forno, pratos que podem ser preparados na mesma temperatura podem ser colocados juntos. Apenas fique atento aos diferentes tempos de cozimento;
  • -Corte os alimentos em tamanhos menores, para diminuir o tempo de cozimento.

Água

  • – Desligue o chuveiro enquanto se ensaboa;
  • – Faça uma pequena vistoria para descobrir vazamento, ainda que pequeno de água nas torneiras e vaso sanitário;
  • – Lave área de serviço, quintal e garagem com água de reuso, ou captando água da chuva; e não use sabão em pó, que exige mais água para enxaguar;
  • – Ensaboe todas as louças de uma vez antes de enxaguar;
  • – Limite a utilização da máquina de lavar.

Mercado

  • – Estabeleça um valor máximo para as compras mensais e a cada ida ao mercado ou hortifruti;
  • – Aprenda a guardar as compras e faça uma reorganização nos armários ou despensa. Guarde de forma a garantir o consumo adequado e rotatividade dos produtos;
  • – Evite compras mensais ou muito grandes. Nestas ocasiões, ao encher o carrinho, é maior o risco de incluir itens que a família não precisa;
  • – Procure saber se há desconto para pagamentos com cartões ou programa de fidelidade. Antes de ceder a um cartão próprio do mercado, no entanto, tenha certeza que ele é isento de cobrança de anuidade.
  • – Não é raro o preço do caixa ser diferente daquele mostrado na prateleira, principalmente quando o produto está em promoção. Confira a nota ao final da compra e os valores registrados no caixa.

Cozinha

  • – Procure receitas para melhor aproveitamento dos alimentos. Um maço de espinafre pode virar creme para o jantar e os talos, bolinho ou refogado no dia seguinte. Cascas, como a de batatas, podem ser assadas para petiscar. E praticamente qualquer fruta pode ter sua vida útil estendida se usada em um bolo antes que estrague;
  • – Etileno é um gás que faz parte do processo de amadurecimento. Como emitem pouco etileno, abacaxi, caju, limão, goiaba, laranja, limão, melancia, morango, tangerina e uva precisam estar embrulhadas com papel filme na geladeira ou devem ser descascadas e cortadas para o congelamento. Frutas que emitem muito etileno podem ser armazenadas fora da geladeira em ambiente fresco ou dentro do refrigerador em pote ou saco plástico ziplock. É o caso do abacate, ameixa, banana, manga, maçã, mamão, maracujá e pêra;
  • – Quase todas as folhas precisam ser armazenadas na geladeira. Salsinha, coentro e outras ervas aromáticas podem ser congeladas. Alguns legumes e tubérculos se dão melhor com a temperatura ambiente, como é o caso de batatas, cebola, alho e pimentas;
  • – Quase todas as folhas podem ser refogadas e armazenadas por mais alguns dias antes de estragar;
  • – Pães industrializados duram mais se mantidos no saco e ainda podem ir à geladeira para estender sua duração. No freezer, duram até 2 meses. Para manter a consistência, é importante que eles não tenham contato direto com o frio;
  • – Organize a geladeira usando potes transparentes para visualizar tudo que tem e evitar que um alimento seja esquecido e apodreça.

Limpeza

  • – Dilua corretamente produtos concentrados, como amaciantes, desinfetantes, detergentes e sabões líquidos. Muitas vezes o consumidor não lê o rótulo e aplica o produto puro;
  • – Aposte nos produtos com refil. Como embalagens rígidas costumam ter alto preço para o fabricante, que o repassa ao consumidor, guardá-las e reutilizá-las permite economizar;
  • – Compre um borrifador para colocar produtos diluídos como desinfetantes e alvejantes e economizar na aplicação;
  • – Use panos de boa qualidade, para gastar menos de produto. Algodão é um bom material e a flanela pode ser comprada por metro em lojas de tecidos, para sair mais barata;
  • – Faça seu próprio amaciante. É preciso 5 litros de água, 4 colheres de sopa de glicerina, 1 sabonete de glicerina ralado e 2 colheres de sopa de leite de rosas. Ferva 1 litro de água com o sabonete, dissolvendo-o bem. Acrescente os 4 litros de água fria restantes, a glicerina e o leite de rosas. Misture bem e coloque em garrafas para usar no dia a dia.

Moradia

  • – Tente renegociar o contrato de aluguel, e peça uma redução ao proprietário do imóvel;
  • – Em caso de negativa, se programe para talvez enfrentar uma mudança para outro bairro ou imóvel menor, calculando os custos com pintura e transporte;
  • – Se possui financiamento imobiliário e a prestação está comprometendo o orçamento, negocie com o banco novas condições e não atrase a prestação;
  • – Se não for possível a renegociação do crédito imobiliário, em alguns casos, é melhor vender o imóvel do que perder o bem em um leilão;
  • – Se pensava ou se for preciso fazer uma obra emergencial, calcule todos os gastos com mão de obra e material, e pense em uma reserva financeira para eventualidades.

Como envolver as crianças

  • – Calcular antecipadamente quanto poderá gastar antes de efetuar o gasto, por exemplo com lazer e material escolar;
  • – Convidar a criança a participar das escolhas e explicar que não será possível comprar tudo;
  • – Explique que o dinheiro é finito, e que para ter um objeto ou experiência, ela terá que abrir mão de outro item;
  • – Se a mensalidade da escola não couber no orçamento, é preciso se planejar para a difícil decisão de mudar a criança de escola privada, ou para uma pública;
  • – Verifique a doação de uniformes e livros na escola do seu filho.

Roupas

  • – Ao comprar, evite as roupas da estação que estão geralmente mais caras;
  • – Manter o guarda-roupa organizado reduz a sensação de falta de peças;
  • – Compare os preços das roupas vendidas nas lojas físicas com as mesmas disponíveis na internet;
  • – Use a quantidade de sabão indicada na embalagem. É comum pensar que quanto mais produto, mais limpa ficará a roupa, mas o excesso de sabão, amaciantes e alvejantes, além de desperdício de produto, agride as fibras das roupas, desgastando-as mais rápido.
  • – Lave somente quando a roupa estiver suja ou com mau cheiro. Pouquíssimas peças precisam ser lavadas sempre que usamos, o que acelera o desgaste das roupas, e desperdiça água e energia.


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