Pré-candidato, Fabinho Trarbach disse que ser prefeito em Domingos Martins não é uma aventura

Publicado em 26/04/2024 às 19:00

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fabinho

Texto e foto: Fabricio Ribeiro

Fábio Anselmo Trarbach, o Fabinho, é o pré-candidato da situação à prefeitura de Domingos Martins. Com 61 anos, um filho e divorciado, Fabinho é natural do município e está no terceiro mandato como vice-prefeito, tendo ocupado o cargo sempre em gestões de Wanzete Kruger (2005 a 2012; 2020 a 2024), de quem deve receber o apoio.

Atualmente no PSD, Fabinho também é empresário e já foi secretário de Saúde, de Turismo e de Obras, tendo ainda a experiência de já ter concorrido à Câmara Municipal em 1982 e a prefeito em 2012. Nesta entrevista, ele diz que vai defender o legado de Wanzete, fortalecer a agricultura, fomentar o turismo, ordenar o uso do solo, combater o desmatamento e investir na pavimentação das estradas do interior. Também quer retomar o debate sobre o uso do espaço do estádio de futebol e a rodoviária no centro, assim como um melhor uso da antiga LBA e do antigo Hotel Imperador.

Montanhas Capixabas – Por que você quer ser prefeito?

Fábio Anselmo Trarbach (Fabinho) – Por que é minha terra. Já tenho histórico de atuação desde os tempos de escola liderando movimentos, participando de grêmio estudantil, diretoria de entidades. Fui um dos fundadores da Associação Comercial. Na juventude, formamos grupo de jovens Comando Verde com intuito de realizar eventos e construir o portal da cidade. Foi justamente nesta época que o então prefeito Lourival Berger construiu o portal. Também fui presidente por longo período do Centro Cívico Recreativo. Fui candidato a vereador em 1982. E depois recebi o convite do Wanzete para ser vice-prefeito.

Como está a construção de sua pré-candidatura? E da chapa de vereadores?

Sou pré-candidato pelo PSD. Caminhando com a gente neste momento tem o Podemos, a Rede e o PSDB. Estamos em conversa com o PSB. Em relação às chapas de vereadores, o PSD, o Podemos e o PSDB já estão completas, com as mulheres inclusive.

E essa ‘paquera’ com o PSB do governador?

Fui candidato a prefeito em 2012 pelo PSB. É o partido do governador Renato Casagrande. A gente tem gratidão e respeito pelo governador, pelo partido, e uma relação muito boa com o deputado (federal) Paulo Folleto. O Wanzete também já foi prefeito pelo PSB. E o Estado está vivendo um momento único sob o governo Casagrande, que vai muito bem, com investimentos importantes. A gente entende que é muito importante essa relação com o PSB para uma futura administração.

O futuro vice pode passar por essa relação com o PSB? Quem é o interlocutor local?

O meu vice sairá dessas conversas com o Governo do Estado. E pode ser do PSB, que tem bons nomes. Um interlocutor é o deputado Paulo Folleto. Tem aqui na cidade o empresário Estevão Holz, ele está no PSB há muitos anos e também faz essa interlocução. Ele é um excelente nome, empresário de sucesso, filho da cidade, empreendedor participativo. Domingos Martins tem muito a ganhar se o Estevão for meu vice.

Além do seu, quais são os outros nomes colocados como pré-candidatos a prefeito?

O ex-vereador Edu do Restaurante, o Arthur Wernersbach, o (vereador) Edinho Paganini e o (ex-prefeito) Carlinhos Borboleta são os nomes que tenho ouvido falar.

Parte desses nomes citados avalia que sua pré-candidatura representa continuidade de uma gestão que já estaria “cansada”. O que você acha?

Quando Wanzete e eu pegamos o município em 2005, havia dificuldades na área de acessibilidade, a estrutura das escolas estava em situação muito difícil. A mesma coisa na saúde, no transporte sanitário. Num período de chuvas como esse que a gente passou de novembro a abril, o povo do interior parava. Houve uma verdadeira transformação em todos os sentidos do município.

Se o Wanzete está no quarto mandato, então ele foi testado quatro vezes. Sou um vice-prefeito que está todo dia na Prefeitura. Então, falar que é uma administração cansada acaba sendo uma narrativa que não combina. Tá chegando ônibus escolar, o calçamento está acontecendo em várias localidades, construção de escolas, hoje tem três unidades de saúde sendo construídas, lar para crianças em vulnerabilidade. Sou continuidade deste governo que deu certo e se eu vencer vem outra forma de pensar e agir.

Quanto a críticas sobre qualidade das obras?

Algumas obras dão problema porque no serviço público você não pode escolher a empresa que vai fazer a obra, a lei exige licitação e sempre é o menor preço. E hoje a gente enfrenta uma dificuldade – que temos conversado com o Governo do Estado – que há tanta obra acontecendo que as empresas não se prepararam para essa quantidade de realizações. 

Uma coisa que sempre falo: prefeito é ordenador de despesa, não fiscaliza obra. Quem fiscaliza obra é engenheiro e temos uma boa equipe deles, todos filhos da cidade, mas Domingos Martins é muito grande, as obras são espalhadas e você não tem perna para colocar engenheiro para fiscalizar todo dia em todas as obras.

Como você avalia cada um dos outros pré-candidatos a prefeito?

Ser prefeito de um município com Domingos Martins não é uma aventura. É desafiador pela extensão, onde apenas 30% da população está na sede e o restante espalhado por um território que é o sétimo maior do Estado. A pessoa que aceita colocar o nome numa disputa como essa, a primeira coisa que ele tem é o meu respeito.

Quem fala dos outros é porque não tem nada para falar de si mesmo. Sou vice-prefeito e participo do dia a dia da administração, já fui secretário de Turismo, de Saúde, de Obras. Tenho experiência de como funciona. Quem tem que avaliar os candidatos é o eleitor.

Em 1982 você foi candidato a vereador e em 2012 a prefeito e não foi eleito nas duas ocasiões. Por quê?

Em 1982, eu era muito jovem. E em 2012, houve um desejo de mudança e a gente não pode tirar o mérito de quem venceu, o Carlinhos (Borboleta – prefeito) e o Dr. Manoel (vice). A minha chapa era eu e o Paulinho Stein (vice). Na disputa também estavam Dr. Humberto e Edu e nós ficamos em segundo lugar.

As pessoas costumam dizer que Fabinho não fala com ninguém. Sempre tem essa ideia que o político tem que ser carismático. O Wanzete tem o ‘estilão’ dele. Na vida, cada um teu seu estilo. Sou mais retraído. Mas o que tem que ser avaliado é se a pessoa é honesta e competente.

Você tem apoio integral do Wanzete? E ele terá capacidade de transferência de votos?

Wanzete é a maior liderança política que temos no município e temos conversado bastante. Talvez por conta do jeito dele, algumas pessoas constroem narrativas de que ele não vai apoiar o Fabinho para colocar dúvida. Mas, tenho plena convicção do apoio importantíssimo dele e dessa capacidade de transferir votos.

E em relação ao arranjo partidário do Wanzete?

Wanzete está no PP. Ele foi eleito pelo PP e houve um convite para que eu fosse candidato pelo partido. Também fui convidado pelo Podemos e pelo PSDB. Avaliei que a melhor opção era continuar onde estou, no PSD. Quando houve esse movimento de eu não ser candidato do PP, então o PP resolveu lançar (pré) candidato a prefeito. Wanzete é um homem de palavra e falou que se o PP lançar candidato, ele sai do partido. Hoje o PP não está mais com Wanzete, está com Carlinhos Borboleta. O importante para mim é o apoio da figura do Wanzete.

Se Wanzete e Carlinhos Borboleta estão no PP, existe possibilidade de a legenda estar em seu palanque?

Nesse momento não tem essa conversa. Hoje o PP está na mão do grupo de Carlinhos, mas política é a arte de ciscar para dentro. Existem arranjos e alianças que são difíceis de fazer, mas outras são possíveis. A disputa eleitoral é um primeiro passo, ou você perde ou você ganha. Você tem que estar mais preparado para ganhar e é como um casamento porque são quatro anos. Eu e Wanzete formamos uma parceria que deu certo.  Sou do diálogo, de ouvir pessoas.

Existe alguma possibilidade de aliança com Carlinhos?

Não é uma ideia que possa ser descartada. Mas, a caminhada de nosso time está sendo montada em diálogo com o Governo do Estado.

Como prefeito, apoiaria Wanzete para a Assembleia Legislativa?

Sem sombra de dúvida. Eu vejo o Wanzete como uma grande liderança regional. Tem uma relação muito boa com ex-prefeitos de Venda Nova do Imigrante, Santa Maria de Jetibá e Santa Leopoldina. A gente carece dessa liderança a nível estadual, porque tem coisas que são particulares de Domingos Martins, mas tem outras que são de interesse regional.

Como você enxerga a economia de Domingos Martins hoje?

Agricultura é o forte e também o turismo. Temos algumas indústrias, a prestação de serviço de tecnologia através da E&L e também o comércio. É um município muito grande, são 8 mil quilômetros de estradas. Muito sabiamente, o prefeito Wanzete priorizou neste último mandato os acessos, pavimentar estradas, o que fortalece o turismo que ocorre em todo o município, a produção agrícola e o transporte escolar. O governo do Estado tem o programa de calçamento rural do qual Domingos Martins é campeão. Com certeza, vamos dar continuidade a isso, na qual favorece o transporte escolar.

Na agricultura, o que se conseguiu e o que você pretende se for eleito?  

Vamos unir as entidades que estão em contato direto com o produtor: a nossa secretaria de Agricultura, Incaper, Idaf, Iema, para que tudo que o produtor necessitar tenha uma resposta mais rápida na sua demanda. Vamos trabalhar pelo fortalecimento da agroindústria, fortalecer o selo de inspeção municipal, que foi iniciativa da nossa administração e é exemplo para outros municípios do Espírito Santo e de outros estados.

Como está hoje o turismo e onde pode chegar?

Temos que fortalecer, porque gera emprego e renda. Meu propósito é criar três agências de desenvolvimento. Uma em Pedra Azul, outra em Paraju/Ponto Alto e uma terceira na região da sede, também abrangendo Santa Isabel, Biriricas e Melgaço. Essas agências teriam o papel de reunir os atores: governo municipal, empresário e entidades voltadas para as melhorias necessárias e formatação dos eventos.

Domingos Martins é protagonista. Historicamente, ele é a porta de entrada da região de montanha. Estamos na região Sudeste, perto da região metropolitana, perto de Minas Gerais, Rio, São Paulo. Precisamos fortalecer a vila de Pedra Azul, que não participa muito do que acontece no entorno. Como a Rota do Carmo sendo pavimentada. E trazer instituições como Sesc, Senac, Sebrae para que a vila de Pedra Azul seja também um destino turístico.

Há perda de força no turismo da sede, queda na taxa de ocupação dos hotéis/pousadas. Você concorda? O que precisa fazer?

Tenho restaurante há 29 anos e sempre tive movimento. Claro, nos eventos o movimento aumenta. Mas tenho ouvido isso de que o movimento caiu. Os eventos acontecem do tamanho do recurso que se tem para investir. Chegamos a ter Festival de Inverno com R$ 1,5 milhão. Este ano a prefeitura vai investir no Festival de Inverno cerca de R$ 400 mil, com duas atrações nacionais, e a gente busca também recurso com o governo estadual. 

Acredito no diálogo com os empresários. Há, por exemplo, a ideia do empresário Romeu Stein do teleférico. O Hotel Imperador voltou para o município, a nossa ideia é preservar o prédio como centro cultural voltado para música e grupos de dança, e o terreno atrás negociar com a iniciativa privada para que tenhamos mais um hotel no centro. Neste momento a gente tem arquiteto contratado para fazer a remodelagem da Rua do Lazer, esconder toda a fiação. Assim que apresentar, vamos buscar recurso. Caberá ao próximo gestor – espero que seja eu – implantar.

O trânsito na sede é um gargalo e também já há problemas em algumas vilas do interior e distritos. O que dá para fazer?

Hoje Pedra Azul tem gargalo, onde a prefeitura já está licitando intervenção na avenida Módulo. Ponto Alto também enfrenta problema. E aqui na sede nós adquirimos uma área de 60 mil metros quadrados a três quilômetros para a construção de um novo campo de futebol. Isso foi conversado com a diretoria de Sport Club Campinho e visitamos alguns estádios no estado.

A área fica antes da Fazenda Imperial, na Estrada para o Galo. Vamos construir outro estádio lá. E no estádio atual do Sport Club Campinho, que tem 7 mil metros quadrados, vamos construir estacionamento com dois pavimentos. Haverá um terceiro pavimento onde ficaria a sede administrativa da Prefeitura e também o novo Fórum, Defensoria Pública e Ministério Público.  Isso já foi discutido com Tribunal de Justiça, com a PGE (Procuradoria Geral do Estado) e com a Defensoria do Estado.

Seriam espaços independentes e respeitando a arquitetura tradicional da cidade. Seria um cartão postal como é a prefeitura de Blumenau (SC). Fizemos esse projeto, apresentamos, mas não foi aceito pela diretoria do Sport Club Campinho. Fizemos audiência pública. Não podemos fazer nada que a cidade não queira, mas podemos abrir novamente essa discussão. Pretendo retomar essa discussão. A própria rodoviária pode ser reposicionada para abrir vagas de estacionamento.

Há crescimento populacional decorrente do êxodo rural para a sede e de sitiantes que vêm da Grande Vitória em busca de menos calor, violência e poluição. Como fica o planejamento da cidade para médio e longo prazo, incluindo a questão de parcelamento de solo?

É uma preocupação nossa. Quem vem para construir dentro das regras e na perspectiva do desenvolvimento sustentável é bem-vindo. Mas, se você vem para fazer coisa errada, ocupar de forma irregular, desmatar, fazer corte sem licença, não é bem-vindo. A gente tem tido conversas constantes com o Ministério Público, Judiciário, Polícia Ambiental, com nossa Secretaria de Planejamento e de Meio Ambiente para coibir isso. Tem essa questão dos rios, das florestas. Dá para as pessoas viverem bem aqui sem destruir o meio ambiente. A gente tem uma fiscalização, estamos concluindo concurso público para a contratação de mais fiscais para justamente aprimorar isso.

Esse crescimento também traz desafios para a segurança pública. Algum plano específico?

A gente não pensa em guarda municipal. Temos um bom relacionamento com a Polícia Militar. Hoje, Domingos Martins tem Patrulha Rural que o nosso comando foi exemplo num evento em Goiás. O Governo do Estado deve fazer concurso para a PM, onde o grande reclame do comando da PM aqui é a questão de efetivo. A PM que atende aqui recebeu treinamento para atuar numa cidade turística, é importante que mantenha esse olhar.

Domingos Martins é o grande produtor de água para boa parte da Grande Vitória por abrigar as cabeceiras do rio Jucu. E agora receberá uma grande barragem neste rio, projeto da Cesan/Governo do Estado. Que contrapartida o município recebe?

Já tivemos reuniões com a Cesan. Temos conversado que ali vire também uma atração turística. As possibilidades que uma represa dessa abre são infinitas. O grande desafio ali é a BR-262. Existe projeto de se construir uma nova alternativa que seria do Posto do Café saindo no Contorno de Viana.  Esse seria um novo trecho da BR. E aí o traçado atual da BR-262 na Serra da Boa Vista não seria duplicado, seria estadualizado e viraria uma rota turística. O gargalo da descida da BR-262 hoje são os caminhões.

Para concluir, gostaria de anunciar algum projeto novo?

Sim. Vamos iniciar na sede a obra de um novo jardim de infância, nova creche municipal e do novo colégio Mariano na área da LBA. Já está acertado com a Superintendência do Patrimônio da União. Isso vai melhorar o fluxo de entrada e saída das crianças da parte mais central da sede e reduzir o gargalo danado que hoje tem ali no trânsito.

A área da Assistência Social vai lá para onde é a secretaria de Educação, que será deslocada também para o prédio reformado da LBA. Na nossa gestão vamos buscar uma administração que tem dois olhares: um para a produção rural, outra para o turismo. A gente vencendo, um dos primeiros projetos é a pavimentação da estrada entre São Miguel e Perobas. Como o trecho São Miguel/Pedra Branca. É uma região bonita de beira do rio Jucu, e abre possibilidade para aquelas propriedades.

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